VIDE: Jesus; Iesous Christos; Senhor; Verbo; Algazel Jesus; Divino-humano; Cristandade
Forma e substância nas religiões
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A perspectiva islâmica sobre a figura de Jesus Cristo (Issa), conforme exposta no Alcorão, delineando seus atributos e missão específicos.
- A condição de Cristo como sendo sem pai humano, análoga à de Adão, estabelecendo uma origem sobrenatural.
- Sua ligação indissolúvel com a Virgem Maria, enfatizando seu nascimento milagroso.
- Seu estatuto de figura incompreendida, conforme a frase «as trevas não a compreenderam», justificando a necessidade de uma síntese final representada pelo Islã.
- Sua condição de peregrino perpétuo, simbolizada pela afirmação «o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».
- Seus atos milagrosos de curar os enfermos e ressuscitar os mortos, demonstrando seu poder divino.
- Sua identidade como Selo da Santidade (Khâtam al-wilayah), representante máximo ou manifestação direta do esoterismo sob os aspectos do amor e da sabedoria.
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O desafio hermenêutico representado pela menção no Alcorão de um Cristo que confirma a Torá e anuncia um outro Profeta.
- A estranheza e a aparente falta de persuasão desta perspectiva para o cristão.
- A simplicidade e estranheza da letra do texto corânico como expressão de uma geometria espiritual subjacente que deve ser compreendida em seu princípio e decifrada em seu conteúdo.
- A dificuldade particular que o Islã representa para a perspectiva cristã, dado que o Alcorão combina uma perspectiva diferente com um simbolismo muito próximo.
- A natureza providencial dos mal-entendidos resultantes, pois cada religião deve ser o que é, assim como cada indivíduo é um ser humano singular.
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A doutrina crucial de que toda Revelação é «verdadeiro homem e verdadeiro Deus», análoga ao «verdadeiro ego e verdadeiro Si mesmo».
- Esta analogia como explicação para as divergências superficiais que emergem da Unidade subjacente.
- A compreensão de uma Revelação como um «meio de salvação» ou upaya, um «miragem celeste» extraído da Substância cósmica ou samsárica, portanto de Maya.
- A inclusão deste sentido na Shahadah islâmica e na noção das duas naturezas de Cristo, exemplificada em sua afirmação: «Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.»
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A metáfora das diferentes medidas para o Infinito e a função do esoterismo.
- A comparação das teologias a diferentes sistemas de medida, como uma espiral e uma estrela, nenhum sendo o outro.
- A função do esoterismo de englobar as medidas que o exoterismo necessariamente exclui.
- A natureza qualitativa e essencial da gnose, que é independente do conhecimento de fatos externos ao seu quadro tradicional.
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As diferentes perspectivas cristã e islâmica sobre Cristo, simbolizadas pelo «raio» e pelo «círculo concêntrico».
- A perspectiva islâmica, baseada na descontinuidade «Criador-criatura», simbolizada pelo círculo concêntrico.
- A perspectiva cristã, baseada na continuidade metafísica, simbolizada pelo raio, aplicada exclusivamente a Cristo.
- A aplicação hindu deste princípio de continuidade a todos os Avatares e, de modo diferente, a toda a criação.
- A combinação esotérica do «círculo» com a «cruz», independentemente do contexto religioso.
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Os três aspectos da mensagem de Jesus (Seyyidna Aissa) no Alcorão, correlacionados com o tempo e com dimensões espirituais.
- A confirmação do passado: sua confirmação da Torá.
- A oferta para o presente: o dom de uma refeição celestial, identificada com a Eucaristia.
- A previsão do futuro: o anúncio de «um Mensageiro cujo nome é Ahmad».
- A correlação do ternário passado-presente-futuro com o ternário exterior-centro-interior, chave para a compreensão esotérica de sua mensagem.
- A interpretação esotérica do «Mensageiro que virá depois de mim» como o Logos transcendente e imanente, o «Profeta interior» ou o Intelecto.
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A interpretação comum muçulmana e a interpretação esotérica do «Mensageiro Ahmad».
- A interpretação comum que identifica Ahmad com o Profeta Muhammad.
- O enquadramento do Islã no ternário monoteísta como «conhecimento» ou «gnose», em contraste com o «amor» do Cristianismo e a «ação» do Judaísmo.
- O nome Ahmad como o «nome celeste» do Profeta, apontando para uma realidade supra-histórica e interior.
- A identificação do «Paracleto» ou «Espírito da Verdade» com este princípio intelectual e interior, que assiste os crentes na ausência da presença física de Jesus.
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A análise linguística e simbólica dos termos «Parakletos» e «Ahmad».
- A leitura muçulmana de Perikletos («Ilustre») em vez de Parakletos.
- A conexão etimológica e simbólica com o nome Ahmad, derivado da raiz hamida («louvar», «exaltar»).
- A interpretação alternativa como Faraqlit, baseada na raiz faraqa («separar», «discernir»), ligando-o a Al-Furqan, um nome do Alcorão, através do método nirukta.
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O significado de Jesus como «Selo da Santidade» (Khâtam al-wilayah) e sua missão para os Filhos de Israel.
- A assimilação do Profeta do Islã ao «Espírito da Verdade» devido à sua representação da perspectiva da gnose, expressa na Shahadah.
- A identificação deste Espírito com o Intelecto, o «Interior», como órgão de Conhecimento e dimensão do Infinito, o «Reino de Deus que está dentro de vós».
- A missão de Jesus para os Filhos de Israel, entendida tanto no sentido literal como na extensão paulina, envolvendo uma missão purificadora e esotérica.
- Seu papel como Selo da Santidade para os fiéis da Torá, de jure.
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A noção de uma «sabedoria aissaouïana» (hikmah issawiyah) no Islã, caracterizada por sua tridimensionalidade.
- A expressão «Selo da Santidade» indicando que a mensagem de Cristo é um tipo de mensagem, abrindo espaço para uma sabedoria cristológica dentro do Islã.
- O esquema tridimensional da sabedoria aissaouïana:
- O acordo com a Verdade «antecedente» e primordial (Religio Perennis).
- A oferta de um alimento celestial (maná, ambrosia, néctar).
- A abertura do caminho para a «Profecia imanente», ou seja, a santidade e a gnose.
- A aplicabilidade universal deste esquema a toda Revelação, atendendo a uma necessidade de causalidade e compreensão das estruturas espirituais.
O Cristo total é também o Homem total, o único grande Anthropos, com a própria unidade do Filho. Se o Filho é um, e um também é o gênero humano, nos desígnios de Deus a última e mais profunda unidade do gênero humano está em sua comunhão com o Filho, na comunhão do Espírito paterno. Os homens não são chamados à unidade pessoal com o Pai, mas sim à henotes ou unidade espiritual com Ele, fisicamente comunicável à carne.
Percebe-se sem grande discorrer que o centro do homem, na maioria das noções e em todas as noções históricas (b)...(f) (v. Noções do Homem), é Cristo. Exemplar futuro para o homem animal de Gen 2,7 e paradigma real, já cumprido, para o homem do NT; destinado a realizar-se, enfim, na presença do Pai. A recapitulação humana, total, foi histórica em Cristo redivivo. E prefigurava, ao mesmo tempo, o que havia de cumprir-se em Cristo cabeça e nos justos, seus membros. No grande corpo (místico) dos predestinados, a imagem de Deus é o Filho; a semelhança divina, o Espírito Santo, e o Homem, todo o gênero humano que tem por cabeça a humanidade de Jesus. A imagem e semelhança de Deus afeta o gênero humano não por recapitulação na humanidade de Cristo, mas por extensão homogênea do Espírito paterno a todos e a cada um dos predestinados.
Doravante, o homem já deificado esquece o dinamismo da espécie humana, para incrementar com a fé, esperança e amor — todas as quais perseveram nas alturas, segundo Irineu — a vida do Espírito. O 'factus' adquiriu a qualidade do 'infectus', como o Pai. Concluído o tempo da economia, começa a eternidade, na qual Deus e os homens farão vida comum, em incorrupção e imortalidade. Até esse momento transcorreu a história, superando uma noção com outra, sem jamais abandonar a linha horizontal, a partir do homem psíquico (Gen 2,7). O aparecimento do Salvador não interrompe a linha. Com Ele emerge o Homem ideal, primícias dentre os mortos, impulsionando o gênero humano, no mesmo sentido linear de antes, em direção ao cumprimento do Cristo total, que aguarda seu termo no fim dos tempos. Realizado o Homem-Deus no corpo da Igreja, corpo também do gênero humano predileto de Deus, cessam os dias da criação e começa o repouso, que já não é história e sai do marco da semana (= Hebdômada) para entrar no Senhor.
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