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id da página: 8716 IBN ARABI – ENGASTES DE SABEDORIA – NO VERBO DE ESDRAS Ibn Arabi

Ibn Arabi Fusus Ezra


VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS

A SABEDORIA DO DESTINO NO VERBO DE ESDRAS

Continuando do final do último capítulo, Ibn Arabi desenvolve aqui ainda mais o tema do destino humano e cósmico. Com efeito, é neste capítulo em particular que ele trata, mais plenamente do que em qualquer outra parte desta obra, sua teoria da determinação criativa divina. Como foi sugerido na Introdução a esta tradução, os dois conceitos de Decreto [qada] e Destino [qadar] pelos quais Ibn Arabi procura explicar a maneira pela qual o ser criado é determinado estão muito intimamente relacionados aos conceitos da Vontade divina [mash'iah] e do Desejo [iradah], sendo todos esses conceitos eles mesmos dependentes do conceito subjacente da predisposição eterna das essências latentes.

O termo «Decreto» [qada] deriva da raiz árabe qada, que significa «realizar», «executar», ou seja, a realização do Mandamento Criativo divino [amr], que é ele mesmo o resultado da decisão divina de criar [hukm], que é impulsionada pelo impulso inerente das essências pré-existentes e latentes à atualização cósmica. Assim, o Decreto é outra maneira de expressar o próprio processo criativo, a liberação do Sopro do Misericordioso, a projeção da imagem refletida, mas com a dimensão extra da inevitabilidade e do fait accompli. Este conceito não está tanto preocupado com a vontade ou com o impulso de criar que decorre do desejo interior divino de autoconsciência, mas sim com o fato da própria existência e a consequência inevitável do devir. O Decreto é o que é querido, a execução da Vontade juntamente com todas as consequências que fluem dessa execução, cujas consequências não são outras senão a elaboração e a manifestação infinitas na existência do que a criação é em sua latência.

O Destino [qadar] é, por assim dizer, uma modificação do Decreto, na medida em que ele determina o modo e a medida de seu devir, novamente como as realidades essenciais ditam. Estando preocupado com a medida e com a proporção, ele determina o quando, o onde e o como da criação, o instante particular de sua manifestação, o contexto e a natureza de sua existência. Assim, o Destino não está tanto preocupado com o derramamento universal do ato criativo, mas sim com a atribuição aos seres criados individuais dos limites de sua existência, assim verificando e definindo individualmente o ato criativo. Em um certo sentido, portanto, o Destino reverte a corrente do Decreto e devolve o Cosmo a Deus Que tem a medida de todas as coisas e, portanto, conhece e tem poder sobre todas as coisas. Segundo Ibn al-Arabi, o mistério do Destino é um que somente Deus conhece devidamente, embora os homens mortais possam receber alguma visão de seu próprio destino, cujo conhecimento ele mesmo é dependente de uma predisposição para o conhecer. Tal conhecimento, como ele diz, produz uma perplexidade de sentimentos conflitantes, de calma, total resignação por um lado, e de ansiedade dolorosa por outro; calma resignação ao que é, em última análise, o próprio destino autodeterminado, e ansiedade diante da aparente alteridade da existência cósmica.

O outro assunto principal deste capítulo é a Santidade [walayah]. Aqui, Ibn Arabi aponta que o nome «o amigo» [al-wali] é o único que Deus compartilha com o homem, de modo que o santo é aquele que realizou um estado de intimidade com Deus, que viu através do véu da alteridade cósmica a identidade essencial, que se conhece, como Abraão, como impregnado pela Realidade divina. Como já mencionado, este é o estado universal que subjaz às funções mais limitadas do profeta e do apóstolo. Assim, cada profeta e apóstolo, ao mesmo tempo que é o portador da revelação formal, expressando o Desejo de Deus, é também o repositório de uma sabedoria interior que expressa insights mais esotéricos e paradoxais.