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id da página: 856 Ibn Arabi – AS ILUMINAÇÕES DE MECA – Conhecimento e Amor Ibn Arabi

Ibn Arabi Futuhat Conhecimento Amor

Conhecimento mais excelente que amor... (SPK)


O conhecimento é mais excelente que o amor, e é por isso que Deus ordenou a Seu Profeta que O buscasse para aumentar o conhecimento. É idêntico à amizade divina pela qual Deus assume o encargo de Seus servidores e os enobrece. Através do conhecimento eles chegam a saber que Ele não pode ser conhecido.

Mas se o amante não é um gnóstico, ele cria em si mesmo uma forma pela qual ele se torna arrebatado e pela qual ele é enamorado. Logo ele adora e anseia apenas por aquilo que está sob seu próprio domínio. Nada pode o remover desta estação senão o conhecimento.

O deslumbrar do gnóstico no Lado Divino é o maior dos deslumbramentos, uma vez que ele se encontra fora de restrição e de delimitação. . . Ele possui todas as formas, no entanto nenhuma forma o delimita. É por isso que o Mensageiro de Deus costumava dizer: «Ó Deus, aumente meu deslumbrante em Ti!» Pois esta é a estação mais elevada, a visão mais clara, o nível mais próximo, o locus de manifestação mais brilhante, e o caminho mais exemplar. . . .

Nenhuma cortina e nenhum véu permanece, pois este locus de testemunho mais elevado rasga e desfaz todos eles. A cortina delimita o acortinado e o véu limita o velado, mas Ele não tem limite sobre Sua Essência e nenhuma delimitação para Sua majestade. Como pode algo O velar? «Correndo diante de Nossos olhos — uma recompensa para aquele que negou» (54:14).

Aquele que diz: «Nada é como Ele» (42:11), falou a verdade, uma vez que o único existente do qual nenhum olho está ausente e que nenhum «onde» restringe é Deus, pois todas as formas sensoriais e suprassensoriais são Seus loci de manifestação. Ele fala de cada forma, mas não em cada forma. Ele é visto por cada olho, Ele é ouvido por cada audição, mas é Ele de quem nenhuma fala é ouvida. Ele é concebido pela faculdade racional, mas nenhuma vista olha para Ele. Ele é definido, mas Ele não tem locus de manifestação no qual Se tornar delimitado. O «Ele» é inseparável d'Ele. «Não há deus senão Ele, o Inacessível, o Sábio» (3:6). «Ele oblitera», mas Ele é idêntico ao que é obliterado, «e Ele estabelece» (13:39), e Ele é idêntico ao que é estabelecido. Então «Nada é como Ele» (42:11) nesta propriedade, e através d'Ele o conhecimento são concedido por Ele testemunha d'Ele.

O conhecimento de provas nega esta visão, uma vez que ele não tem nada d'Ele em suas mãos e uma vez que esta visão não tem conexão com a negação e a declaração de incomparabilidade. Mas o conhecimento de desvelamento a afirma e a preserva. Nenhum locus de manifestação lhe aparece sem que ele O veja dentro dele. E ambos os conhecimentos estão corretos.

Ele pertence a cada faculdade de percepção de acordo com a faculdade a fim de lhe ensinar que ela nunca deixará seu próprio ofício e não apreenderá com sua mão nada do conhecimento de Deus exceto aquilo que ela é em si mesma. Então ela conhece sua própria essência e se descreve. Ela emerge de delimitações e de limites por Sua manifestação dentro dela, para que Ele possa ser o objeto de adoração. Pois «Ele decretou que» ninguém seja «adorado senão Ele» (17:23). Logo os descrentes supõem que os ídolos e as estátuas são Seus loci de manifestação, então eles aplicam o nome «Deus» a eles e adoram apenas Deus, que é o que é denotado por aquele locus de manifestação. Logo Deus cuida de suas necessidades e lhes dá de beber, e Ele os pune se eles não honram o Lado Divino nesta forma inanimada, então eles entram entre os miseráveis. . . . Então olhe para a impregnação do Ser destes loci de manifestação. Olhe como um grupo alcança a felicidade, e outros se tornam miseráveis!

Um dos Sufis disse: «Qualquer coisa que se imagine em si mesmo ou se dê forma em sua imaginação—Deus é diferente disso.» Ele está ao mesmo tempo certo e errado. Ele manifesta e ele vela.

Um outro disse: «Deus não é provado por nenhuma prova, nem concebido por nenhuma faculdade racional. As faculdades racionais não O alcançam com seus poderes reflexivos, e as ciências gnósticas falham em invocá-lo com suas invocações.» Pois quando Ele é invocado, Ele é invocado através d'Ele. E através d'Ele Ele é refletido sobre e concebido. Ele é a faculdade racional dos pensadores racionais, a reflexão dos refletores, a invocação dos invocadores, a prova dos provadores. Se Ele viesse a sair de uma coisa, ela deixaria de ser. E se Ele estivesse dentro de uma coisa, ela deixaria de ser. (II 661.10)