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Jambet Alma Luz

FAIVRE, Antoine (org.). Sophia et l’âme du monde. Paris: Albin Michel, 1983

Alma e Luz

  • A Metafísica da Luz no Livro dos Templos da Luz de Sohravardi

    • A distinção entre as representações sensíveis da luz (o sol, o clarão) e a Luz verdadeira, que é uma luz refletida e diminuída pela distância da fonte.
    • A concepção da luz como um acidente nos corpos, sendo a luminosidade dos corpos a sua manifestação, tornando-os visíveis por uma luz que lhes confere existência em um determinado grau de ser.
    • A identificação do ser com o ser manifesto e, portanto, luminoso, e a capacidade do corpo luminoso de ser tanto uma realidade revelada quanto reveladora.
    • A existência de manifestações luminosas interiores à alma, que povoam o Mundo da Alma ou Mundo da Imaginação Ativa (Mundus Imaginalis).
    • A transmutação da hierarquia neoplatônica das hipóstases em uma metafísica iluminativa, harmonizando temas zoroástricos e platônicos através do horizonte comum da Luz.
    • A identificação do Uno com a Luz das Luzes, que está além da própria luminosidade e do ser, não admitindo sequer o predicado do ser para evitar a dualidade.
  • A Processão das Luzes e a Emanação como Imaginação Divina

    • A distinção entre as Luzes "separadas" imateriais e as Luzes materiais, e, no âmbito das primeiras, entre o Ser Necessário por Si (a Luz que não é efeito de nenhuma iluminação) e o Ser Possível (a Luz que manifesta outra Luz da qual depende).
    • A transformação da oposição aristotélico-aviceniana entre necessário por si e necessário por outro na oposição entre o Eterno, o Vivente (Luz Primeira) e a série de suas manifestações.
    • A definição do Eterno subsistente como aquele que é essencialmente manifesto por si mesmo a si mesmo, com tal intensidade que se vela pela própria intensidade de sua manifestação.
    • A produção de véus de Luz atrás dos quais a Luz se retrai, onde cada véu simboliza o Uno, multiplicando ao mesmo tempo a Revelação e a ocultação.
    • A função da Alma de percorrer o campo das emanações e multiplicar os véus de Luz para experimentar a união com a Luz das Luzes em seu próprio retraimento.
    • A processão como uma iluminação continuada, onde a Primeira Inteligência é iluminada por uma luz levante (ishraq), multiplicando-se as inteligências pela multiplicação desses orientes de Luz.
    • A processão como multiplicação das Luzes, tornando o Primeiro Ser ao mesmo tempo o mais próximo e o mais distante.
  • A Alma como Movimento, Desejo e Imaginação Criadora

    • A concepção da Alma como o motor cosmológico que, por sua liberdade, imprime movimento ao corpo celeste, sendo a Esfera um vivente animado por um desejo.
    • A interpretação sofiológica do movimento dos planetas como o canto de amor das Almas, transformando a cosmologia no símbolo do drama inerente ao desejo.
    • A elevação da cosmologia ao nível de uma revelação que rompe o Cosmos pelo sopro do amor das emanações luminosas por sua fonte ocultada.
    • A essência da Alma repousando em seu poder de purificação e arrancamento da prisão que a Treva do corpo material tipifica.
    • A transmutação da Alma em Imaginação Criadora, tornando-se o espaço e o tempo espirituais onde as Luzes Inteligíveis se dão.
    • A definição da emanação como Imaginação divina, sendo o ato produtor de Imagens espirituais na Alma correlato ao ato produtor das Luzes nos Universos Inteligíveis.
  • O Mundo Imaginal e a Ontologia dos Ishraqiyun

    • A articulação da Alma como a Imaginação onde a divindade se revela, sendo a matéria espiritual do divino, a Icône luminosa onde a Luz emanada se reflete.
    • A designação deste mundo como Mundus Imaginalis ('alam al-mithal), fundamentando a tese ontológica de que o Ser, que é Luz e desejo, só se dá um Mundo enquanto realidade da Imaginação.
    • A identificação do Sujeto transcendental como a própria Luz das Luzes, que é o fundo sem fundo da Imaginação transcendental.
    • A inexistência de diferença ontológica entre a Alma "cósmica" e a Alma "individual", sendo ambas o avesso e o reverso da mesma realidade que se reflete na visão imaginativa.
    • A singularização e personificação, no Mundo da Alma, dos graus de iluminação e de ser em Pessoas Arcanjas, que povoam uma Terra específica, a das Cidades de Esmeralda.
    • A consequência da supressão da percepção imaginal e do Mundo Angélico (Malakût): a privação das Almas de um lugar próprio e a perda, pelas Inteligências, do lugar onde experimentam a nostalgia de Amor pelo Uno.
    • A definição do evento visionário como aquele que arranca a Alma da temporalidade do mundo dos corpos, sendo ao mesmo tempo um acontecimento na Alma e o advento da Alma, seu verdadeiro nascimento.
    • A compreensão do Ser inteiro como uma tensão entre a Alma e o Uno, tensão da qual o Mundus Imaginalis é o lugar, despertando a Alma para o Ser e preservando a liberdade retraída do Uno.