Teosofia Oriental – Liberdade Christian Jambet
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O núcleo da obra de Sohravardi e a tensão filosófica fundamental
- A importância central do esquema de uma filosofia gnóstica voltada para a salvação da alma pelo conhecimento das Luzes puras.
- Sohravardi como pensador submetido a duas exigências extremas no universo das religiões do Livro.
- A exigência de uma ontologia fundamentada no princípio da "possibilidade preeminente" ou "possibilidade preeminente" aviceniana.
- A fidelidade ao princípio de que nada pode provir do real sem a existência de um ser de grau imediatamente superior.
- A função do princípio como sutura da cadeia do ser, evitando soluções de continuidade do Uno ao múltiplo.
- O compromisso igualmente firme com a manutenção de uma cisão ou ruptura no seio das coisas.
- O despertar da metafísica helenizante de seu "sono dogmático" ou "sono peripatético".
- A problematização do ser, que deixa de ser o fundamento óbvio, exigindo que o Ser necessário justifique o que lhe é mais estranho e contrário.
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A liberdade como problema central e sua natureza específica em Sohravardi
- A tensão ontológica como origem de uma forma transistórica de liberdade.
- O sentido específico da liberdade em Sohravardi, distinto das concepções pós-renascentistas.
- A ausência dos significados modernos de liberdade civil, natural ou política.
- O uso de conceitos como "autarcia" e "causalidade por si" em vez de "autonomia".
- A centralidade do tema do salvação.
- A definição da filosofia de Sohravardi como uma filosofia "saisa pela liberdade" e não uma "filosofia da liberdade".
- A contribuição para salvar o real e Deus de um determinismo integral no pensamento islâmico.
- A superação do chamado fatum mahometanum.
- A construção de uma imagem do universo que impede qualquer fatum de eximir Deus ou o homem do dever de ser livre.
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A liberdade como crise do Princípio e a arquitetura dos mundos de Luz
- A liberdade como faculdade interior ao Próprio Princípio fundante.
- A Luz das Luzes não é apenas princípio de liberdade, mas é afetada por sua própria infinitude.
- A incapacidade da Luz das Luzes de se fixar no ser e o excesso em relação às suas determinações.
- A meditação de um mundo onde o infinito transparece sob a aparência dos astros e corpos terrestres.
- A intuição do movimento onde o existente experimenta coincidentemente a autonomia e o vínculo amoroso.
- A arquitetura dos mundos de Luz construída em torno de duas intuições fundamentais.
- A inerência do querer livre em toda vida que procede da Luz e tem autoconhecimento.
- A identidade entre o princípio de liberdade e as figuras do Outro.
- A função do Outro como libertador, e não como opressor.
- A superação da identidade aparente pelo Outro.
- A instabilidade conferida a toda Luz singular, liberta de si mesma para encontrar seu verdadeiro ser.
- A arquitetura dos mundos de Luz construída em torno de duas intuições fundamentais.
- A presença de um gênio dialético na obra de Sohravardi.
- A liberdade como faculdade interior ao Próprio Princípio fundante.
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A liberdade em Deus e a dialética da incompatibilidade
- A liberdade originária para o bem e para o mal como atributo da própria Luz das Luzes.
- A introdução do problema da liberdade em Deus, antecipando Schelling ou Hegel.
- O surgimento de determinações contrárias do existente a partir do fundo infinito, manifestando a liberdade primeira insondável.
- A natureza de uma dialética corrigida por teses estoicas e transposta em um espírito platônico.
- A recusa de uma reconciliação final dos contrários.
- Deus como o lugar do enfrentamento da incompatibilidade entre noite e Luz, e não de sua troca de sinais.
- A liberdade originária para o bem e para o mal como atributo da própria Luz das Luzes.
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A contemporaneidade de Sohravardi e a objeção da ilegibilidade
- A refutação da objeção que considera Sohravardi um documento da história morta do espírito.
- A rejeição da ideia de um "retorno" a Sohravardi como tarefa vã e absurda.
- A compreensão da presença ativa de Sohravardi na cultura filosófica do Oriente.
- A manutenção de um modo de abordagem do real que molda sua própria história.
- A investigação sobre a verdade de sua permanência secreta.
- A liberdade como forma capaz de inclinar o curso do tempo e fundamento de sua dignidade filosófica.
- A refutação da objeção que considera Sohravardi um documento da história morta do espírito.
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A relação com a revolução científica moderna e a imagem galilaica do verdadeiro
- O reconhecimento do caráter fundante da ruptura galilaica e da teoria cartesiana do sujeito da ciência.
- A impossibilidade de leitura de Sohravardi como rival da descrição científica dos fenômenos.
- A ausência de um território comum entre a gnose de Sohravardi e as ciências modernas.
- A diferença radical de problemas, conceitos e objetos, impossibilitando qualquer concorrência.
- A localização do objeto de Sohravardi no mundo numênico, e não no mundo fenomênico.
- A exploração da realidade numênica como condição para pensar a cisão interna do ser do ente.
- A descrição da realidade numênica, e não sua mera postulação.
- A cosmologia, a botânica e a psicologia como aproximações da liberdade do Princípio, e não como uma física da natureza.
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Os efeitos da obra de Sohravardi na compreensão da história da ciência
- A capacidade do pensamento de Sohravardi de agir sobre a cultura que o abandonou.
- A definição do mesmo pelo seu afastamento do outro.
- O contraste entre o sujeito da ciência moderna e o universo de Sohravardi.
- O mundo correlato à ciência moderna como aquele onde desapareceram os anjos, as Almas celestes e a corporalidade espiritual.
- A exclusão do poder formativo e criador da Imaginação divina pelos modos de conhecimento modernos.
- O questionamento sobre o lugar de Sohravardi na história dessa ruptura.
- A capacidade do pensamento de Sohravardi de agir sobre a cultura que o abandonou.
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A hipótese arqueológica de Henry Corbin sobre as rupturas fundadoras
- A análise de Henry Corbin como ferramenta para situar a questão.
- A constatação da ruptura radical operada por Galileu e Descartes, conforme demonstrado por Alexandre Koyré.
- A distribuição da realidade entre substância extensa, pensamento e Deus garantidor da necessidade.
- O questionamento sobre o caráter da revolução científica.
- A primeira hipótese: uma revolução sem precedentes e sem resto, defendida por Koyré e Jean Cavaillès.
- A primazia do formalismo e a ausência de uma pré-história significativa na ciência axiomática.
- A segunda hipótese: uma revolução precedida por uma mutação decisiva, explorada por Pierre Duhem e Henry Corbin.
- A primeira hipótese: uma revolução sem precedentes e sem resto, defendida por Koyré e Jean Cavaillès.
- A hipótese de Corbin sobre uma ruptura anterior: o triunfo do averroísmo.
- O papel de Averróis ao tornar supérfluas as Almas celestes, o destino singular das almas terrestres e o mundo intermediário da Imaginação.
- A preparação de um mundo puramente material e fenomênico, relegando o numênico ao suprassensível inconhecível.
- A leitura averroísta de Aristóteles, sua refutação de Avicena e a caricatura da "dupla verdade" como condições para a aventura da ciência moderna.
- O avicenismo iraniano de Sohravardi como o "grande Outro" da cultura moderna de fundação.
- A dignidade da linhagem de pensamento da qual o averroísmo nos afastou.
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A inscrição do programa corbiniano na fenomenologia e a unidade do ser do ente
- A vinculação da hipótese arqueológica de Corbin ao programa husserliano da Krisis.
- O objetivo de reavivar a cadeia de pensadores e exercer uma crítica responsável.
- A reunião dos interesses da razão pelo estudo de Sohravardi.
- A relevância arqueológica de Sohravardi para a questão da unidade ou dualidade do ser do ente.
- A existência de uma história original das filosofias dedicadas às realidades numênicas.
- A manutenção do interesse pelas realidades numênicas paralelamente ao progresso do conhecimento fenomênico.
- O apelo final do Livro cinco como expressão da essência do mundo.
- A prece de Sohravardi aos anjos para intercederem junto a Deus pela humanidade em desordem.
- A citação: «Há gente que chama... há gente que chama no segredo dos Teus santuários...».
- A fundação da percepção messiânica do mundo e a expressão de uma essência inacessível ao conhecimento fenomênico.
- A presença constante dessa essência em todo presente, colorindo toda a história e assegurando ou ameaçando toda liberdade.
- A prece de Sohravardi aos anjos para intercederem junto a Deus pela humanidade em desordem.
- A definição das obras de Sohravardi como momentos da história da liberdade.
- A liberdade como "vontade de revelação" anterior ao direito ou à moral.
- A citação que descreve a liberdade como "força eternamente em luta, mas nunca vencida, sempre inexpugnável, e que ela mesma não cessa de devorar cada forma na qual está encerrada, surgindo renovada de cada uma delas, transfigurando-se como a Fênix nas chamas da pira".
- A vinculação da hipótese arqueológica de Corbin ao programa husserliano da Krisis.