Karl Renz. Undecided: Neti-Neti. Mumbai: Zen Publications, 2015
P: Qual é a essência da mensagem que transmites e que Nisargadatta transmitiu?
R: A essência é que não há nada a ganhar ou a perder aqui. A sua natureza não se perdeu a si mesma e não pode ganhar a si mesma em qualquer coisa que se imagine. A sua natureza Absoluta nunca foi perdida, sempre foi realizada e não pode obter mais do que já é. Essa é a mensagem de todos os tempos. A mensagem foi sempre a mesma de todos. Palavras diferentes, indicadores diferentes, mas a mensagem é: és o próprio Ser, portanto, seja Isso e desfrute de si. E nada o tornará Isso, assim como nada o desfaz de Si. É um sonho de esquecimento. É um evento onírico e pelo evento onírico não se tornou aquilo que agora acredita ser.
P: Como sair dessa crença?
R: Não, não há saída. Cada vez que se tenta sair dessa crença, torna-se a crença mais forte e mais real. Qualquer intenção que se tenha faz com que aquele que tem essa intenção se torne maior. Até mesmo ter sucesso em se livrar dessa intenção faz com que o otário fique maior. Nasce-se otário e morre-se otário; mas não se é o otário. Mas um otário nasce e um otário morre.
O buscador já está aí quando há algo crescendo no ventre da mãe – um ser dependente, sempre precisando de algo. Talvez no encontro dos dois líquidos já exista uma necessidade e agora este seja o resultado disso. Agora, buscando a verdade superior, quer-se ter o seio universal. Quer-se mamar no seio de Deus porque o seio da mãe não é suficientemente bom; sempre mais e mais e mais.
Sempre vou a Tiruvannamalai em um ashram a-titty (sânscrito: atithi). Mas isso significa apenas uma casa de hóspedes. Isto é apenas uma casa de hóspedes e acredita-se ser um hóspede na sua própria casa de hóspedes. Acredita-se que precisa pagar para obter algo. Fantástico! Pensa-se que tem de limpar a cozinha; tem de limpar toda a bagunça que não fez. Pelo menos tenta-se remover a bagunça que o hóspede anterior fez, o que os pais fizeram. Assume-se uma constelação familiar.