René Guénon
O lótus tem um simbolismo com múltiplos aspectos, alguns dos quais já indicamos em outras oportunidades;1
num desses aspectos, que aparece no texto que citamos há pouco, é empregado para representar os diversos centros, mesmo secundários, do ser humano, tanto os centros fisiológicos (plexos nervosos, em especial), como sobretudo os centros psíquicos (que correspondem a esses mesmos plexos em virtude da ligação existente entre o estado corporal e o estado sutil no composto que constitui propriamente a individualidade humana). Tais centros, na tradição hindu, são habitualmente denominados "lótus" (padmas ou kamalas), e aparecem figurados com diferentes números de pétalas, tendo cada número uma significação simbólica, do mesmo modo que as cores que lhe são atribuídas (sem falar de certos sons que também correspondem a cada um, ou seja, as mantras que se referem a diversas modalidades vibratórias, em harmonia com as faculdades especiais regidas respectivamente pelos centros em questão e que procedem, de certo modo, de sua irradiação, representada pelo desabrochar das pétalas do lótus.2
Os centros são também denominados "rodas" (chakras), o que, como podemos indicar de passagem, confirma ainda a estreita relação, já apontada em outra parte, que existe de um modo geral entre o simbolismo da roda e o das flores tais como o lótus e a rosa.
NOTAS
1
Ver em especial (Cap. 9) As Flores Simbólicas.
2
Sobre isso tudo, ver Kundalini-Yoga (Études Traditionnelles, out.-nov. 1933).