Rabino e doutor em filosofia, dirige o Centro de pesquisas e estudos judaicos ALEPH em Paris.
Um dia uma palavra o desperta, o acorda, o leva, o questiona, o seduz.
Um dia se reencontra diante do enigma de uma sonoridade exótica que dá vontade de abrir dicionários, de procurar raízes, de retomar os estudos de grego e de latim.
Um dia eis que se parte sobre as asas de algumas letras, que, não se sabe por que, convidam para a viagem, motivam, impulsionam, dinamizam, e dão o desejo da pesquisa, da leitura, e fazem entrar na dança do sentido, na sorte de uma nova compreensão do mundo.
Um dia o dia se levanta e o vento da manhã oferece uma palavra-janela, uma palavra-porta, que faz entrar o sol, o gosto da areia e do deserto, o ritmo do rio e o canto dos trigos, as profundidades de uma memória, a inquietude também.
Um dia uma letra canta diante dos olhos e conta a amizade, o sorriso, o arado, os campos, o relâmpago, a luz e a ruptura, o riso, a alegria de pensar, a vontade de atravessar uma ponte, de ir para o outro lado, à descoberta de tudo, de nada, simplesmente caminhar, escrever também.
Uma palavra que leva para um cruzeiro, surpreende, arqueologiza, congela, polariza e ziguezagueia. Torna-se filósofo, sensível e alegre, atento e mais sério.
Um dia se tem a sorte de receber uma «palavra-presente», um presente de palavra, Droshé genshenk, segundo uma bela expressão iídiche, que significa também o discurso que se faz aos noivos no dia de suas núpcias, comentários e bênçãos.
Um dia uma palavra o transforma e se tem apenas uma preocupação, compartilhar este inaudito, este inesperado, contá-lo, fazê-lo compreender, fazê-lo vibrar. (Marc-Alain Ouaknin, Zeugma)
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