Margarida Porete será designada como a "beguina" nos atos de seu processo e seu parentesco espiritual com a mais famosa dentre elas, Santa Edwiges ou Beatriz de Nazaré por exemplo, decorre evidentemente de sua vizinhança literária como do pouco que sabemos de sua vida. Nos anos 1280, a palavra "beguina" podia designar os membros das comunidades com este título, o que parece ser o uso na obra maior de Margarida, o "Espelho das Almas Simples e Nadificadas". Beguina podia também designar, por sua desvalorização ao longo do século XIII, toda pessoa levando uma vida espiritual de alguma intensidade na prática dos conselhos evangélicos. Seja uma ou outra designação há em comum certa fuga das formas canônicas tradicionais da vida religiosa e de se estar regularmente confinados pela opinião, como pelas autoridades eclesiais, aos limites heréticos da liberdade espiritual, senão formalmente aos Irmãos do Livre Espírito, em dependência mais ou menos próxima dos movimentos cátaros.
Segundo contribuição de meu amigo Antonio Carneiro:
Excertos: