Os Destinos da Humanidade
A Natureza da Humanidade e as Leis da Evolução
- A Humanidade como Elemento Normal da Evolução: Os destinos da humanidade são regidos pelas mesmas leis da Evolução que governam o Universo, sem que haja nada de surpreendente ou maravilhoso em sua modificação. A humanidade é um dos elementos normais da Evolução, uma das espirais da hélice que representa os destinos do Universo.
- A Rejeição da Vaidade Humana: A vaidade de considerar a humanidade em uma situação privilegiada ou inferior é uma concepção tola. Não se deve reivindicar um tratamento especial para a espécie, que é simplesmente como deve ser, nem feliz nem infeliz de forma particular. A ideia de que o homem é o único a ter uma alma é tão falsa quanto a de que ele é o único a ter um corpo. A singularidade humana reside em uma combinação única de elementos que, individualmente, podem ser encontrados em outras fases de modificação.
- A Hélice Cilíndrica como Metáfora: A hélice que representa a Evolução é perfeitamente regular e coordenada, sem pontos excêntricos. A humanidade se situa em um desses pontos, ou melhor, em uma das espirais, o que demonstra que não há "preferências da Divindade" para ela, e que elogios ou ameaças baseados em uma situação privilegiada são infundados e contrários aos princípios da Evolução.
As Leis que Governam o Destino Humano
- A Lei da Atividade: A humanidade, desde seu nascimento, é impulsionada sobre a espiral de sua evolução particular. Nunca se permanece imóvel sobre um ponto e nunca se retorna ao mesmo ponto. A forma humana pode se confundir no Universal, mas não pode perecer de maneira negativa por um cataclismo; o fim de sua forma é o início de outra, em um movimento contínuo e suave.
- A Lei das Renascenças (Metempsicose): A lei da Atividade faz com que a humanidade não retorne à mesma fase em que se encontra hoje. Embora a espécie humana terrestre seja um dos pontos do ciclo humano, e a humanidade seja uma das formas que o compõem, a lei das Renascenças permite a transição para outras modificações, com órgãos análogos ou aperfeiçoados, em outros locais. A essência da humanidade não reside na forma, mas em sua continuidade e evolução.
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A Lei da Harmonia: Esta lei confere ao movimento da humanidade um caráter geral e uniforme, implicando que:
- Não Existe o Acaso: A existência do acaso é impossível, pois negaria a perfeição e onisciência da Vontade Divina.
- Não Existe Diferenciação de Destinos: Os elementos que compõem a humanidade entram e saem das modificações de forma simultânea e no mesmo ritmo. Todos percorrem as mesmas modificações na mesma ordem e têm a mesma origem e o mesmo fim. O princípio de justiça, manifestação da Harmonia, garante que o destino final de todos os seres e do Universo seja comum e único.
- Não Há Choques ou Imprevistos: O movimento da evolução é metódico. Não existe "geração espontânea", e a transmissão da forma é regular: um homem não pode gerar um boi, nem um macaco pode gerar um homem. A teoria de Darwin, neste sentido, é considerada bizarra. Mesmo com a existência de formas intermediárias, a diferenciação entre elas permanece.
Liberdade Humana e a Natureza do Nirvana
- A Liberdade Total e a Vontade Divina: A liberdade humana existe, mas em um plano relativo. A liberdade das coisas, como parcelas lançadas no fluxo pela Vontade Divina, não existe. Nenhuma vontade pode se opor ou triunfar sobre a Vontade Divina, cujos desígnios não podem ser derrubados.
- A Invenção da Liberdade Total: A ideia de "liberdade total" foi uma invenção perigosa e ridícula da arrogância humana, pois, ao permitir que a humanidade se opusesse a Deus, a tornava igual a Ele. Esta invenção, que levava à "Responsabilidade Total" e à "Pena Eterna", era um meio para que certas pessoas pudessem se aproveitar da humanidade, oferecendo salvação em troca de vantagens.
- O Fim da Jornada: A Transmodificação: O fim da espiral que representa a humanidade não é a morte, mas uma transmodificação, uma passagem normal e suave para uma nova fase. O processo é uma "ablação das Formas", o "Fim do Limite", que é sempre uma melhoria e uma "chegada" mais do que uma "morte".
- O Nirvana como Retorno à Perfeição: Este retorno à perfeição total é o Nirvana, o “retorno ao seio de Deus”. A crítica ocidental que o vê como negatividade é uma incompreensão, pois ignora que o Nirvana é o lugar metafísico da Perfeição Ativa.
- A Possibilidade de um Novo Ciclo: Embora o retorno à Unidade seja o destino final, a possibilidade de uma nova emissão de seres em um novo ciclo de formas permanece, mas não por necessidade. A tradição primordial e a razão não impõem uma escolha, pois a questão não é essencial para a humanidade. O destino final, o Nirvana, é o objetivo comum e feliz para todos os seres.