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id da página: 8848 Metempsicose

Metempsicose

ALMAMORTE — METEMPSICOSE


VIDE: Transmigração

Frithjof Schuon:

La «transmigración» no hay que confundir con la metempsicosis, en la que elementos psíquicos, en principio perecederos, de un muerto se incorporan al alma de un vivo, lo que puede dar la ilusión de una «reencarnación». El fenómeno es benéfico o maléfico, según se trate de un psiquismo bueno o malo; de un santo o de un pecador.

René Guénon: A REENCARNAÇÃO

Como o veremos depois, alguns feitos que os reencarnacionistas acreditam poder invocar em apoio de sua hipótese se explicam perfeitamente por um ou outro dos dois casos que acabamos de considerar, quer dizer, por uma parte, pela transmissão hereditária de alguns elementos psíquicos, e, por outra, pela assimilação a uma individualidade humana de outros elementos psíquicos provenientes da desintegração de individualidades humanas anteriores, que não têm por isso a menor relação espiritual com aquela. Em tudo isto, há correspondência e analogia entre a ordem psíquica e a ordem corporal; e isso se compreende, posto que um e outro, repetimo-lo, referem-se exclusivamente ao que se pode chamar os elementos mortais do ser humano. É mister adicionar ainda que, na ordem psíquica, pode ocorrer, mais ou menos excepcionalmente, que um conjunto bastante considerável de elementos se conserve sem dissociar-se e seja transferido tal qual a uma nova individualidade; os fatos deste gênero são, naturalmente, os que apresentam o caráter mais surpreendente aos olhos dos partidários da reencarnação, e entretanto estes casos não são menos ilusórios que todos outros1 . Tudo isso, já dissemos, não concerne nem afeta de maneira nenhuma ao ser real; é verdade que alguém poderia perguntar-se por que, se isso for assim, os antigos parecem ter dado uma importância tão grande à sorte póstuma dos elementos em questão. Poderíamos responder fazendo observar simplesmente que há muita gente que se preocupa com o tratamento que seu corpo poderá sofrer depois da morte, sem pensar por isso que seu espírito deva sentir a contrapartida disso; mas acrescentaremos que efetivamente, como regra geral, estas coisas não são absolutamente indiferentes; se fossem, ademais, os ritos funerários não teriam nenhuma razão de ser, enquanto que, ao contrário, têm uma razão muito profunda. Sem poder insistir sobre tudo isto, diremos que a ação destes ritos se exerce precisamente sobre os elementos psíquicos do defunto; mencionamos o que pensavam os antigos da relação que existe entre seu não cumprimento e alguns fenômenos de «obsessão», e esta opinião estava perfeitamente fundamentada. Certamente, se não se considerasse mais que o ser em tanto que passou a outro estado de existência, não terei que ter em conta o que podem vir a ser esses elementos (salvo possivelmente para assegurar a tranquilidade dos vivos); mas a coisa é muito diferente se se considerar o que chamamos os prolongamentos da individualidade humana. Este tema poderia dar lugar a considerações cuja complexidade e cuja estranheza mesma nos impedem de abordar aqui; ademais, estimamos que é daqueles que não seria nem útil nem vantajoso tratar publicamente de uma maneira detalhada.


NOTAS:
1 Alguns pensam que uma transferência análoga pode operar-se para elementos corporais mais ou menos sutilizados, e consideram também uma «metensomatose» ao lado da «metempsicose»; se poderá estar tentado a supor, a primeira vista, que nisso há uma confusão e que atribuem equivocadamente a corporeidade aos elementos psíquicos inferiores; não obstante, pode tratar-se realmente de elementos de origem corporal, mas «psiquisados», em certo modo, por esta transposição ao «estado sutil» cuja possibilidade indicamos precedentemente; o estado corporal e o estado psíquico, simples modalidades diferentes de um mesmo estado de existência que é o da individualidade humana, não poderiam ser totalmente separados. Assinalamos à atenção dos ocultistas o que diz sobre este ponto um autor do qual eles falam de boa vontade sem lhe conhecer, Keleph Ben Nathan (Dutoit-Membrini), na Philosofia Divine, t I, pp. 62 e 292-293; a muitas declamações místicas bastante ocas, este autor mescla às vezes percepções muito interessantes. Aproveitaremos esta ocasião para expor um engano dos ocultistas, que apresentam ao Dutoit-Membrini como um discípulo do Louis-Claude de Saint-Martin (é M. Joanny Bricaud quem fez esta descoberta), enquanto que, ao contrário, este se expressou sobre ele em termos bem desfavoráveis (idem, t, I, pp. 245 e 345); teria que fazer todo um livro, que seria muito divertido, sobre a erudição dos ocultistas e sua maneira de escrever a historia.