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id da página: 2389 Michel Conge Duas Naturezas

Michel Conge Duas Naturezas

Michel Conge — Atenção e as duas naturezas do homem

Excerto da tradução em inglês de registro em espanhol de palestra feita no Chile em 1966

Meu desejo esta noite é que possamos sentir que é necessária uma visão ampla da natureza humana para começarmos um trabalho real sobre nós mesmos.

Quando falamos de liberação, logo surgem perguntas sobre o "porquê" da minha escravidão e o "como" da minha liberação.

Para nos ajudar a chegar a uma visão ampla, todos os ensinamentos oferecem a ideia da escada, embora ela nem sempre seja facilmente reconhecida nos textos antigos, que muitas vezes são incompletos ou distorcidos por copistas. A constituição dos entes humanos não é plana, mas consiste em níveis, andares. O homem não corresponde a apenas um nível do universo, mas a muitos. Às vezes é dito neste ensinamento que um ser humano completo, desenvolvido e real tem a cabeça no nível das estrelas e os pés na terra, e isso sugere não apenas um símbolo, mas uma escada real, indicando um caminho íngreme e direto.

Precisamos entender que as duas naturezas do homem estão inscritas nessa escada: na parte superior da escada, a natureza superior; na parte inferior, a natureza comum, onde vivemos o tempo todo e onde se encontra o centro de gravidade de toda a nossa existência.

Entre os dois níveis há um intervalo, uma lacuna intransponível. Muitos textos antigos falam desse intervalo - por exemplo, no Antigo Testamento, a luta entre Jacó e o Anjo ocorre exatamente no meio de um riacho, em um vau. Vale a pena considerar todos os elementos da história: na margem mais alta, o irmão mais velho, e na margem mais baixa, o irmão mais novo que vem com toda a sua família, seus entes queridos, sua riqueza, e que vem com medo. E a luta, na qual uma nova força aparece na forma de um anjo, um mensageiro de Deus - a terceira força.

A consciência e a vontade, que são realidades preexistentes, pertencem à natureza superior. Todas as manifestações ilusórias - mentira, imaginação, mecanicidade - correspondem à natureza inferior, que recebe apenas raios tênues de consciência filtrados através do intervalo.

Encontramos nos Evangelhos, na parábola de Cristo junto ao poço onde a mulher samaritana vem tirar água, essa ideia de que a fonte da vida reside em uma natureza mais profunda. Intervalo, poço, riacho - todas imagens simbólicas para nos fazer entender que a água da vida deve ser buscada além do lugar onde esperamos encontrá-la.