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id da página: 2475 Michel Henry – Mestre Eckhart Michel Henry

Michel Henry Eckhart


ZUM BRUNN, Émilie (org.). Voici maître Eckhart. Grenoble: J. Millon, 1994


  • A extensão do Logos à totalidade de suas dimensões ontológicas fundamentais e seu florescimento no conceito exaustivo de fenomenalidade como característica central do pensamento de Mestre Eckhart

    • A atribuição de uma significação radical à crítica do conhecimento na obra de Eckhart, que consiste na evidenciação de uma dimensão fenomenológica e na determinação de sua estrutura interna
    • A compreensão da impossibilidade de o conhecimento alcançar o ser a partir da estrutura interna do próprio ser
    • A elucidação da estrutura interna da revelação constitutiva do ser como tema explícito e central da problemática instituída por Eckhart
    • A vinculação da crítica do conhecimento ao conteúdo essencial da problemática, por esta se enraizar na natureza do Logos
    • A fundamentação constante das proposições da crítica do conhecimento no modo fenomenológico, revelando a unidade da estrutura do Logos originário
    • A realização da crítica do conhecimento no interior do trabalho ontológico de elucidação, explicando seu caráter sistemático
    • A compreensão das intuições fundamentais da religião numa visão interna do ser, integrando-as ao exposto teórico da crítica
  • A determinação estrutural essencial do ser evidenciada na teoria do Logos

    • A experiência do ser, idêntica ao próprio ser, como dependente da unidade que serve de seu fundamento
    • A residência da possibilidade interna do ser, sua essência, na estrutura e na manutenção da unidade
    • A exclusão principiológica dessa possibilidade do meio ontológico do conhecimento
    • O fundamento da impossibilidade de o conhecimento alcançar o ser na própria estrutura do ser
    • A expressão dessa impossibilidade como a oposição irredutível de duas essências fenomenológicas
    • A incomunicabilidade entre a fenomenalidade constitutiva da realidade do ser e a que define o meio do conhecimento
    • A implicação da efetividade de uma essência fenomenológica na não-efetividade da outra
    • A identidade entre aparição e desaparecimento no que concerne aos dados puros originários que estruturam a realidade
    • A incapacidade do conhecimento de tornar visível seu meio sem fazer evaporar da sua luz o que é irredutível a ele
    • A realização, no desenvolvimento positivo do conhecimento, da obra de se ocultar
    • A negação de que as objetividades produzidas pelo conhecimento constituam uma aproximação do essencial ou uma manifestação do absoluto
    • A citação de Eckhart sobre a imagem criada: "a menor imagem criada que se apresenta em ti de qualquer maneira que seja é tão grande quanto Deus... porque à totalidade divina ela barra o caminho que leva a ti. É justamente, acrescenta Eckhart, no momento em que a imagem entra em ti que Deus deve ceder a lugar com toda a sua divindade"
  • A significação fenomenológica da oposição entre as estruturas eidéticas da fenomenalidade pura

    • A referência às estruturas eidéticas na afirmação de Eckhart, inspirado em Boécio: "enquanto tu olhas essas coisas e elas te olham, tu não vês Deus"
    • A fuga de Deus ao conhecimento baseada na diferença entre sua fenomenalidade e a exterioridade do saber, expressa na proposição de São Paulo: "Deus habita numa luz à qual não há acesso"
    • O ocultamento de Deus quando a alma "se volta para as coisas exteriores"
    • A expressão da incompatibilidade das estruturas fenomenológicas essenciais na definição de Eckhart: "a verdade é coisa interior e não se pode encontrá-la em suas manifestações exteriores"
    • O inevitável fracasso da busca pelo absoluto no meio do conhecimento, formulado por Eckhart: "Quanto mais se te busca, menos se te encontra" e "deves buscá-lo de maneira a nunca encontrá-lo; se não o buscas, tu o encontras"
  • O fundamento do fracasso do conhecimento na estrutura do meio onde a busca se desenvolve

    • A interpretação do episódio bíblico de Moisés e os Judeus: "eles se mantinham à distância, e é justamente por isso que não podiam ouvir Deus"
    • A residência da impossibilidade de alcançar Deus na estrutura do meio aberto pela distância fenomenológica, a objetividade
    • A significação da objetividade como obstáculo, e não como via, para unir-se à essência
    • A interpretação da palavra de Cristo aos discípulos — "é bom para vós que eu me vá" — para além do evento histórico, enraizada na estrutura ontológica do Verbo
    • A impossibilidade principiológica de Deus manifestar-se no mundo, enraizada na essência originária de sua Deidade
    • A preservação da essência divina na recomendação de Cristo para que os discípulos não se apegassem à "sua forma humana", ou seja, à sua aparência objetiva
  • A crítica ao conceito de Deus fundamentada na incompatibilidade eidética entre a essência do Logos e a fenomenalidade do conhecimento

    • A revelação de que tudo o que se fenomenaliza no conhecimento, incluindo o próprio Deus conhecido, não tem relação com a Deidade
    • A afirmação de que "o desígnio bem resolvido de Deus é que a alma perca Deus", pois "enquanto a alma ainda tem um Deus, conhece um Deus, tem a noção de um Deus, ela ainda está longe de Deus"
    • O surgimento da prescrição: "devemos nos libertar do próprio Deus"
    • A insuficiência da razão, "nem mesmo Deus em pessoa", pois o modo de sua fenomenalização no conhecimento deixa escapar a essência originária da Deidade
    • A identidade entre a essência da Deidade e a essência da alma, fundamentando a prece: "por isso rogo a Deus que me liberte de Deus; pois meu ser essencial está acima de Deus"
    • O enraizamento dessas prescrições nas estruturas eidéticas da fenomenalidade pura, expresso como rejeição do Deus transcendente
    • A determinação de que "não devemos de modo algum apreender Deus fora de nós mesmos nem supo-lo fora de nós, devemos, ao contrário, considerá-lo como nosso bem próprio, como uma realidade que nos pertence"
    • A orientação para que "não devemos... trabalhar... para Deus... nem para nenhum bem exterior a nós, mas unicamente pelo amor daquilo que é nossa essência própria e nossa própria vida e que reside em nós"
    • A presença do conteúdo filosófico do ateísmo em Eckhart, compreendido a partir da heterogeneidade estrutural das dimensões fenomenológicas fundamentais
  • A formulação rigorosa da impossibilidade eidética na teoria do arquétipo eterno

    • A oposição radical entre a essência e seu arquétipo, como primeira manifestação de Deus no meio da alteridade
    • A necessidade de supressão e aniquilamento do arquétipo para a revelação da essência da essência
    • A proposição de São Dionísio citada por Eckhart: "o maior prazer do espírito reside no nada de seu arquétipo"
    • O retorno da essência à sua unidade e seu acabamento no nada do arquétipo, onde cessa toda transcendência
    • A afirmação de que "Deus é alguém de quem o nada enche o mundo inteiro e o seu algo não está em parte alguma"
    • A conclusão de que "é aí que Deus desaparece", no acabamento da essência, no nada de todo conhecimento
    • A simultaneidade do desaparecimento de Deus e do arquétipo eterno para o espírito
  • A compreensão das prescrições práticas à luz das proposições fundamentais sobre a estrutura do ser

    • A negação de que se trate de "pensar em Deus de modo constante e regular" não por dificuldade, mas porque a realidade de Deus não pode ser alcançada pelo pensamento
    • A necessidade de ter "um Deus em substância que esteja acima do pensamento"
    • A caracterização de dependência da manifestação transcendente de Deus, subordinada a um ato específico do espírito: "quando o pensamento desaparece, diz Eckhart, Deus desaparece igualmente"
    • A oposição entre a contingência dessa manifestação e a independência radical do ser originário de Deus, o acabamento incessante de sua essência na obra primeira do Logos
    • A expressão da permanência da essência originária de Deus e sua indiferença ontológica ao processo do conhecimento em temas existenciais: "o homem pode se afastar de Deus; por mais longe que o homem vá, Deus permanece lá e o espera" e "que o homem esteja perto ou longe, Deus, ele, nunca se afasta. Permanece sempre na proximidade"
    • A crítica à crença e à fé como modos de conhecimento que representam um Deus distante: "pois é um grave inconveniente para o homem crer que Deus está longe dele"
    • A negação de sentido a uma relação extrínseca, pois Deus "nunca se separa do homem" e constitui nele sua realidade essencial
    • A descrição do estado da alma que atingiu a Verdade: "ela não é mais reduzida à aparência, à conjetura, à fé...", não tendo mais necessidade do que lhe era representado sob forma de símbolo
  • A significação ontológica da crítica do conhecimento e a determinação da realidade da alma como "verdade"

    • A identidade entre a realidade da alma e a do absoluto, determinada como "verdade"
    • A caracterização do ser que se opõe ao conhecimento não como obscuro, mas como Razão e Revelação, e o acabamento originário desta
    • A ideia de uma manifestação cuja essência é o próprio ser, e não a exterioridade, salvaguardando o conceito de ser
    • A identidade entre a manifestação do ser e sua realidade, fazendo com que esta esteja presente onde tal manifestação ocorre
    • A consequência decisiva da identidade entre o ser e a fenomenalidade: a relação da alma com Deus só pode se realizar na realidade do ser
    • A identidade ontológica entre a alma e Deus como expressão da identidade entre a realidade do ser e sua fenomenalidade
    • A manifestação de Deus à alma como ocorrendo somente na própria realidade de Deus, conforme a proposição bíblica: "Senhor, na tua luz se conhecerá a luz"
    • A afirmação de Eckhart: "Jamais eu poderia ver Deus, a não ser lá onde Deus se vê a si mesmo"
    • A exigência de que a alma seja "celeste" para conhecer Deus
    • A fenomenalidade dessa manifestação constituída não por uma imagem, mas pela realidade mesma de Deus, seu ser em si, sua Bondade
    • A necessidade de conhecer o ser "lá onde ele é o Ser em si, isto é, em Deus", e o Bem "lá onde esse Bem é bom em si"
    • A recepção pelo homem bom de tudo o que possui "da Bondade e na Bondade", local onde "ele vive e permanece, e é lá que ele se conhece a si mesmo"
    • O autoconhecimento da alma na realidade do ser, na manifestação originária de si: "na essência, diz Eckhart, eu me conhecia a mim mesmo"
    • O conhecimento da realidade do ser absoluto pelo autoconhecimento da alma nessa realidade comum
    • A consecução de Deus pela alma através da realidade que constitui sua essência e sua "nobreza": "por ela o homem chega maravilhosamente a Deus"
    • A síntese na proposição: "em Deus... a alma conhece segundo o ser"
  • A ambiguidade e resolução do conceito de conhecimento na problemática de Eckhart

    • A extensão do conceito de conhecimento à realidade do ser em si, dada a identidade entre esta e sua fenomenalidade
    • A aparente contradição entre proposições que opõem o autoconhecimento ao conhecimento de Deus e as que os identificam
    • A antinomia entre afirmações sobre a visão de Deus e a visão humana, e sobre o papel do conhecimento na beatitude
    • A compreensão dessas contradições como aparentes e como confirmação das evidências fundamentais da problemática
    • A clarificação da ambiguidade: a rejeição incide sobre o conhecimento que se desenvolve na exterioridade, cuja fenomenalidade é constituída por ela
    • A identificação da "visão do homem" como dissimilável da "visão de Deus", de sua realidade
    • A interpretação de que a alma não conhece Deus quando se conhece na exterioridade, mas apenas um si mesmo transcendente
    • A negação de que a beatitude tenha seu fundamento no conhecimento de um conceito de Deus, residindo antes na realidade mesma de Deus
  • O sentido libertador do rejeição do conhecimento e a verdadeira conhecimento na realidade do ser

    • A libertação do ser e de sua realidade como sentido do rejeição do conhecimento transcendente
    • A manifestação da alma a si mesma e a Deus na fenomenalidade constitutiva da realidade do ser
    • A compreensão da prescrição de Eckhart — "que ele não saiba mais nada de si mesmo nem do mundo inteiro e não conheça senão somente a Deus" — como rejeição às determinações do ser propostas pelo conhecimento
    • A essência da verdadeira conhecimento de Deus residindo na pobreza, isto é, no rejeição da alteridade
    • A descrição do estado de pobreza extrema: "Para chegar a essa pobreza o homem deve viver de tal maneira que ele não saiba mesmo que não vive nem para si mesmo, nem para a verdade, nem para Deus, de qualquer maneira que seja. Mais ainda, é preciso que ele esteja de tal modo vazio de todo saber que ele não saiba nem conheça nem sinta que Deus vive nele: é preciso que ele esteja vazio de todo conhecimento que ainda pudesse se manifestar nele. Pois quando o homem se encontrava ainda no modo eterno de Deus, nada mais vivia nele; o que vivia, era ele mesmo"
    • A identidade entre conhecimento e não-conhecimento de Deus nessa pobreza
    • A descoberta pela alma de sua própria realidade como realidade absoluta quando renuncia a todo conhecimento e a si mesma: "Quando a alma se perde assim completamente... ela encontra que ela é aquilo mesmo que buscava sem alcançar... não é senão assim que, sem buscá-lo, ela encontra o Reino de Deus"
  • A revelação da realidade da alma como fundamento da Beatitude e sua relação com o saber

    • A fundamentação da beatitude na revelação da realidade absoluta à alma, não possuindo nada em comum com o saber
    • A afirmação de que a beatitude "não repousa nem sobre o conhecimento, nem sobre o amor", mas sobre a realidade secreta da alma
    • A definição do "Fundo secreto" como aquilo que "não conhece... não pode tampouco, nem um pouco, conhecer que é Deus quem age nele", mas que "é ele mesmo o que goza de si mesmo à maneira de Deus"
    • A ambiguidade resultante de essa realidade ser uma autorrevelação, podendo ser chamada de conhecimento: "o que importa para nossa beatitude é que saibamos e conheçamos o bem supremo"
    • A afirmação simultânea de que "no fundo mesmo de Deus... lá onde a alma extrai tudo o que ela é, ela não sabe nada do saber nem do amor, nem... de coisa alguma"
    • A descrição do surgimento do saber como a destruição do estado de repouso no ser e a queda no mundo da criação: "Que ela tome contudo consciência da visão de Deus, do seu amor e do seu saber, ei-la que recai imediatamente e que é rejeitada ao mais alto grau da hierarquia natural"
    • A imagem da brancura: "Quem sabe que é branco acrescenta já uma superestrutura... algo à essência da sua brancura. Saber-se branco é bem inferior e muito mais extrínseco que ser branco"
    • A determinação de que o homem nobre "toma e extrai todo o seu ser e toda a sua vida, toda a sua beatitude unicamente... em Deus somente, mas não no conhecimento, na contemplação e no amor de Deus"
  • A constituição da realidade e da união com o ser absoluto na ausência do saber

    • A formação da realidade na ausência do saber: "Deus está nesse lugar e eu não o sabia"
    • A instituição da união com o ser absoluto nessa mesma ausência, mais íntima que a mistura de uma gota d'água num tonel de vinho
    • A condição da união e da revelação ser o não-saber
    • A proposição conclusiva: "Não se pode ver Deus senão pela cegueira, conhecê-lo senão pelo não-conhecimento, compreendê-lo senão pela desrazão"