Jean Gouillard assim o apresenta sumariamente:
Em adição a suas obras polêmicas contra os Latinos e sua biografia de São Simeão, Nicetas escreveu tratados teológicos sobre a alma, sobre o paraíso e sobre a correlação entre hierarquias angélicas e eclesiásticas. As três Centúrias de textos incluídas na Philokalia lidam respectivamente, assim os títulos indicam, com os três principais estágios no caminho espiritual: a prática dos mandamentos (praktike), a contemplação das essências interiores das coisas criadas (physike), e a 'teologia' ou conhecimento de Deus (gnosis). Aqui Nicetas segue o padrão triádico clássico arquitetado por Evagrio e usado por, entre outros, Máximo o Confessor . Mas de fato o conteúdo das Centúrias não correspondem exatamente a estes títulos, e Nicetas inclui em cada Centúria material relacionado a todos os três estágios da jornada espiritual. Enquanto empregando frequentemente o esquema Evágrio-Máximo, Nicetas ocasionalmente combina isto com uma sequência de certo modo diferente proposta por Dionáisio o Areopagita, na qual os três estágios são descritos como purgativo, iluminativo e místico. Em outras partes ele adota a classificação tríplice encontrada em São Isaac o Sírio: carnal, psíquico e espiritual.
Embora seu estilo é mais complexo e sua abordagem mais abstrata do que aqueles de São Simeão, Nicetas compartilha em comum com seu mestre muitos temas dominantes. Há frequentes referências à luz divina, mas ao mesmo tempo Nicetas dá maior ênfase que seu mestre ao simbolismo da divina escuridão de Dionísio o Areopagita. Como São Simeão, Nicetas destaca o papel do pai espiritual e mantém que a vida de santidade é sempre possível, qualquer que seja a situação externa de uma pessoa; não é necessário retirar-se fisicamente para o deserto, pois a verdadeira "fuga do mundo" é a renúncia interior de nossa auto-vontade. Fiel ao exemplo estabelecido pelo Novo Teólogo, Nicetas insiste que aqueles iniciados nos divinos mistérios devem agir como "missionários", dizendo aos outros sobre os dons de graça que receberam; e concorda com Simeão o Estudita que o amor pelos outros é superior à oração.
Um tema em particular que Nicetas deriva de Simeão é a vital significância das lágrimas e compunção (katanyxis) dentro da vida espiritual. As duas são mencionadas juntas, embora a distinção seja também traçada entre elas. Um leitor moderno pode facilmente assumir que ambas estas coisas são primariamente negativas e penitenciais em caráter, mas isto é uma incompreensão do ponto de vista de Nicetas. Seguindo João Clímaco, ele é cuidadoso em distinguir dois tipos de lágrimas: aquelas que produzem "um sentimento ácido e doloroso", e as "alegres lágrimas" que são cheias de "deleite e um sentido de júbilo". As primeiras são causadas pelo arrependimento e desgosto interior, as segundas pela compunção. Do mesmo modo a compunção tem também um caráter amargo-doce: está ligada ao arrependimento, mas ao mesmo tempo traz doçura, alegria e leveza, assim Nicetas fala da "intoxicação" e do bálsamo de cura da compunção, e a descreve como brotando do Éden, uma banho de chuva do Espírito Santo. Lágrimas e compunção, então, são causadas não só por uma realização de nossa própria pecaminosidade, mas também e muito mais fundamentalmente por um grato e carinhoso reconhecimento do amor perdoante de Deus.
Em sua abordagem básica, Nicetas permanece sempre positivo, embora nunca otimista. Nossa natureza humana é essencialmente boa, e a santidade nada mais é que um retorno através da graça a nosso estado natural. O mundo material é como tal intrinsecamente bom e belo, e as formas um sacramento da presença de Deus, um meio de ascensão ao reino divino: "Reconheça a delícia do Senhor da beleza da criação... em pureza ascendendo ao Criador através da beleza de Suas criatura".