FUJITA, Masakatsu; KRUMMEL, John Wesley Megumu. The philosophy of the Kyoto School. Singapore: Springer, 2018
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A relação entre filosofia e Zen no pensamento de Nishitani Keiji
- Gênese do interesse de Nishitani Keiji pelo Zen a partir de suas leituras de Natsume Soseki e Suzuki Daisetsu
- A percepção de um vazio interior durante seus estudos de filosofia ocidental
- O ingresso na prática Zen no Templo Shokoku, em Kyoto, aos trinta e três anos, como superação dessa crise pessoal
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A concepção de Zen como "antes da filosofia" e "depois da filosofia"
- A trajetória pessoal de Nishitani Keiji do Zen à filosofia e de volta ao Zen
- A ideia de que o Zen emerge de um lugar mais profundo na natureza humana do que a filosofia
- A filosofia como empreendimento estabelecido entre os dois flancos do Zen, com o ponto de vista do Zen sendo mediado pela filosofia
- A necessidade de refletir o Zen no ponto de vista da filosofia para comunicá-lo ao mundo contemporâneo
- A exigência de que a filosofia adote o ponto de vista do Zen como um "caminho de autodespertar filosófico" para se preservar
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O motivo do "nihilismo" como lugar de conexão entre filosofia e Zen
- A busca por uma rota que conecte filosofia e Zen, distinguindo-as claramente
- A descrição do ponto de partida de sua própria filosofia como "um niilismo que, precedendo a filosofia, contém em sua essência uma transição para a dimensão da filosofia"
- O niilismo como sofrimento humano e questão da dimensão religiosa, cuja resolução só é possível nessa dimensão
- A transição do niilismo para a filosofia, baseada no fato de que este não é uma questão de nulidade comum, mas uma na qual "a nulidade reapareceu na dimensão da religião onde a nulidade ordinária é superada"
- A inclusão, no niilismo, da dúvida sobre ética e religião, que demanda uma transição para a filosofia
- A forma do pensamento de Nishitani Keiji como um caminho que parte de um niilismo pré-filosófico em direção à filosofia e, então, faz um desvio pela filosofia em direção à religião
- As três direções fundamentais do inquérito filosófico de Nishitani Keiji
- Traçar o curso do desenvolvimento filosófico do ponto de vista do niilismo
- Investigar filosófica e criticamente várias questões de ética e religião
- Buscar um caminho para a superação do niilismo através do próprio niilismo
- O entrelaçamento dessas três linhas de investigação e a tarefa fundamental de "a superação do niilismo através do niilismo"
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A fundamentação filosófica da necessidade de adotar o Zen como ponto de vista próprio da filosofia
- A análise no ensaio "O Histórico e o A Priori" da distinção entre dois sentidos de "ser": Sosein (sōzon, ser-como) e Dasein (genzon, ser-aí)
- A diferença entre investigar a causa do Sosein e buscar a fonte do Dasein
- A busca por duas "origens" para uma atualidade histórica: a origem do Sosein (a causa na sequência causal histórica) e a origem do Dasein (a arche do ser mesmo do ente, que não está na história)
- A filosofia como campo de estudo que busca a "origem" do Dasein, seguindo o exemplo da Metafísica de Aristóteles
- A concepção da "origem" do Dasein como situada na estrutura ontológica pré-temporal do ser humano, que possui liberdade para agir espontaneamente e criar a história incessantemente
- A Konstellation (arranjo de vários momentos) dentro dos vínculos estruturais da existência humana como o a priori do ser-aí das circunstâncias históricas
- A inclusão, nessa Konstellation, de um impulso de movimento em uma direção originária e de uma Forma que abrange todas as direções potenciais para a realização dessa tendência
- A Forma como transcendental e estática (ao unificar as direções potenciais infinitas) e imanente e dinâmica (ao se manifestar apenas através desse dinamismo)
- O "apelo da fonte" como o que geralmente constitui o Índice dessa Konstellation
- O "apelo da fonte" como aquele que abre um horizonte a nossos pés que deve ser preenchido
- O "apelo da fonte" como a centelha onde ideias e circunstâncias reais se intersectam, sendo o ponto de partida da experiência e da prática, análogo ao "hotsubodaishin" ("decisão de buscar a iluminação")
- O "apelo da fonte" como o ponto em que as ideias tocam o mundo real e o ponto central na dialética da prática entre ideias e atualidade
- O estado da filosofia que tenta chegar à fonte do ser mesmo, tomando como pista o "apelo da fonte" que opera dentro de nós, investigando o horizonte que ele abre a nossos pés
- A incorporação de uma crítica fundamental à filosofia da contemplação e à atitude acadêmica que olha para seu objeto da posição de um terceiro
- A Idealidade das ideias, quando relacionada à presença da prática real, é apreendida como algo absoluto
- O papel importante desempenhado pelo estudo de Aristóteles na explicitação desse ponto de vista filosófico
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A sobreposição entre filosofia e religião no "apelo da fonte"
- A diferença entre filosofia e religião formada pelo modo como confrontam o espaço vazio que se expande abaixo desse apelo
- A produção de uma relação na qual as atitudes de filosofia e religião podem se deslocar reciprocamente e livremente
- A adoção do "apelo religioso" como modelo para investigar o "apelo da fonte"
- O apelo religioso como um fato conspicuamente concreto entre os apelos da fonte, e a religião como uma circunstância histórica conspícua
- O tema do niilismo como uma circunstância histórica do "apelo da fonte"
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A caracterização da filosofia de Nishitani por uma profunda afinidade interna com a religião e uma relação tensa que a impede de deslizar para essa afinidade
- O ponto de vista da "subjetividade originária" como aquele em que a razão autônoma (ponto de vista moderno) e a fé (ponto de vista medieval) são dialeticamente unificadas
- A "subjetividade originária" como "um ponto de vista que começou dentro da modernidade, mas pertence à próxima geração"
- A filosofia de Nishitani como o traço de um inquérito sincero perseguido a partir desse ponto de vista, sem formar um sistema ou ser completada por uma única lógica
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O que é Religião? como a obra em que Nishitani aborda diretamente o ponto de vista da filosofia descrito
- A postura de "examinar subjetivamente, na pessoa do meu eu presente, a 'origem' nos seres humanos da qual emerge o que chamamos de religião"
- A intenção de "escavar as raízes da existência humana através de questões pensadas como enterradas nas raízes do domínio histórico referido como 'modernidade', e ao mesmo tempo buscar mais uma vez a nascente da 'realidade'"
- A consciência de Nishitani de que a questão da religião existe dentro das circunstâncias históricas da "modernidade"
- As reflexões no livro como "reflexões de alguém colocado sobre uma zona de negociação instável e móvel, transpondo religião e anti-religião ou não-religião"
- A zona de negociação instável como o lugar onde reside a "filosofia da religião"
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A filosofia da religião de Nishitani Keiji
- O estabelecimento da "filosofia da religião" no período moderno, onde o conceito universal de "religião" passou a ter significado real
- A conclusão de que os pontos de vista anteriores da filosofia da religião, baseados em elementos "imanentes" (razão, intuição, emoção), tornaram-se impossíveis com o surgimento do ponto de vista do niilismo de Nietzsche
- O desenvolvimento de sua postura no terreno onde os pontos de vista anteriores da filosofia da religião foram rompidos ou superados
- A superação, pela filosofia da religião de Nishitani, do caráter de ser um ramo da filosofia, pertencente às abordagens anteriores
- A filosofia de Nishitani, que em sua essência entra em contato com a religião, como algo que poderia ser descrito como uma "filosofia da religião"
- A orientação da filosofia de Nishitani por uma busca inabalável pela questão "O que é o sujeito da filosofia?"
- A ideia de que em Nishitani a filosofia da religião é a filosofia em seu sentido essencial
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A tarefa central de "O que é Religião?": superar o niilismo a partir do ponto de vista do "vazio"
- A pergunta "O que é religião?" na época histórica da "modernidade" como sinônimo de ascender a fonte da ocorrência do niilismo e buscar um caminho para superá-lo
- O alcance do ponto de vista do "vazio" por Nishitani Keiji em sua tentativa de assumir a tarefa de superar o niilismo "a partir do local mais abrangente e originário"
- "O que é Religião?" como a obra em que Nishitani, através do ponto de vista do "vazio", assume vigorosamente o tema da superação do niilismo, sendo considerada sua obra mais importante
- A estrutura do livro em seis capítulos
- O posicionamento do ensaio "Nulidade e Vazio" como o pivô do livro, onde seu assunto principal é lançado à vista
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A gênese do niilismo a partir do ponto de vista científico, segundo "Nulidade e Vazio"
- A emergência do ponto de vista do niilismo ao dar um salto a partir da extremidade do ponto de vista científico que reduz tudo a relações materiais
- A base para considerar o ponto de vista da ciência como verdade absoluta na completa objetividade das leis naturais
- A manifestação das leis naturais, no caso dos seres humanos, na ação e refratadas no conhecimento, constituindo a tecnologia
- A tecnologia mecânica como o estágio em que o poder governante das leis naturais atinge sua maior profundidade, mas onde o poder das "coisas" que faz uso dessas leis também se manifesta mais profundamente
- A reversão na relação entre as leis naturais e as "coisas": os seres humanos que governam as leis naturais são, por sua vez, governados por elas em um nível mais fundamental
- A situação descrita como a tendência à mecanização da vida interna e das relações sociais dos seres humanos, ou a tendência à perda da humanidade
- A abertura, na extremidade profunda do governo das leis naturais dentro dos seres humanos, de um modo de ser no qual é como se eles estivessem completamente fora das leis naturais
- O modo de ser humano onde, em sua raiz, a nulidade se abre: o modo de ser de um sujeito que, plantando-se sobre a nulidade, persegue seus desejos sem restrição, chamado de "niilismo sem autoconsciência"
- A entrada da nulidade na consciência humana quando se confronta com a própria existência sem engano
- O niilismo afirmativo do existencialismo como um esforço para escapar dessa armadilha de inversão, mas que não pode realmente escapar dela enquanto se planta sobre a nulidade
- O niilismo, com sua consciência da nulidade, como um ponto de vista que contém esse dilema
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A originalidade da compreensão do niilismo por Nishitani Keiji
- A compreensão do niilismo não simplesmente como um humor, emoção ou tendência intelectual, mas como um fenômeno fundamental enraizado profundamente na cultura europeia
- A base dessa compreensão em uma crítica superior à ciência
- A convicção de que se pode discernir o verdadeiro estado do niilismo traçando sua origem histórica
- A crença de que por esse método pode-se afirmar a essência da ciência moderna, um fator fundamental que deu origem a várias questões contemporâneas, e as consequências que trouxe para a sociedade contemporânea
- O reconhecimento de que as transformações do mundo na segunda metade do século XX causadas pela tecnologia contemporânea moveram-se bem além do entendimento da ciência tal como apreendido por Nishitani
- A constatação de que o conhecimento científico e a tecnologia não apenas nos controlam, mas também levaram ao nosso desmantelamento como entes governantes e governados
- A revelação, pelo niilismo, da inquietante estranheza de a nulidade não ser superada pelo desvendamento de sua origem
- A força de comportamento com as "coisas" no pensamento de Nishitani, desenvolvido por ter vivido através do niilismo, como o que torna sua compreensão original
- A indicação, pela compreensão do niilismo de Nishitani, do que foi perdido quando se abandonou a apreensão de sua verdadeira forma esclarecendo suas origens históricas
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A força de comportamento com as "coisas" no pensamento de Nishitani e sua conexão com a tradição do Leste
- A força de comportamento com as "coisas" como proveniente da tradição religiosa e cultural do Leste, com o Budismo em seu núcleo
- A tradição do Leste como um estabelecer intelectual que possibilitou considerar a tradição intelectual europeia como um todo, fornecendo uma posição fora da Europa
- A compreensão do "nada" que, com base em uma profunda internalização do pensamento budista, vai além da trajetória da filosofia anterior
- A ligação disso com o ponto de vista do "vazio"
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O ponto de vista do "vazio" como aquele que pode verdadeiramente superar o niilismo
- A análise da relação entre religião e ciência evidenciando a necessidade do "advento" do niilismo dentro da tradição intelectual que criou o framework da civilização moderna
- O impulso para o curso reverso contra a dominância da ciência encontrado majoritariamente no domínio da religião
- A fundação do ponto de vista da religião até então na relação pessoal entre seres humanos e Deus, concebendo ambos em termos de pessoalidade
- A transição, pela ciência natural, da imagem do mundo natural para um mundo completamente insensível e indiferente às preocupações humanas, que atravessa a relação pessoal entre Deus e seres humanos
- A emergência de algo que não pode ser resolvido a partir do ponto de vista da pessoa, do espírito ou da relação pessoal entre Deus e seres humanos
- A necessidade de abrir-se um local de transpersonalidade que transcende tais pontos de vista, onde a pessoalidade e o espírito podem se manifestar como tal
- A emergência mais clara, nesse local, do ponto de vista do que o Budismo refere como "vazio"
- O "vazio" como constantemente clarificado em contraste com o ponto de vista do niilismo que emergiu como um salto a partir dos pontos de vista anteriores da religião e da ciência
- A caracterização do ponto de vista do vazio como o local onde a relação pessoal entre Deus e seres humanos é negada e transcendida, e onde se está livre dos traços remanescentes do niilismo que subjetivou o abismo da nulidade
- Os traços do niilismo como vestígios de um modo de pensar que simplesmente contrasta o nada com o ser como um conceito negativo oposto a ele
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A universalidade do ponto de vista do "vazio" e seu lugar no pensamento de Nishitani
- O reconhecimento de algo em comum com esse ponto de vista no termo "desapego" de Eckhart
- A ideia de que o ponto de vista do vazio não é encontrado apenas dentro do Budismo, mas pode ser obtido dentro da história de outras religiões também
- "O eu retornar ao seu eu original tal como é" como algo universal a toda existência humana
- A abertura do local onde "o eu retorna ao seu eu original tal como é" não na direção do "lado absolutamente transcendente", mas sim ainda mais no "lado próximo" do que o ordinariamente pensado como "eu"
- A segurança, por Nishitani, desse lugar de pensamento que é a filosofia da religião, permitindo-lhe lidar livremente com a linguagem do Budismo
- A caracterização de sua contemplação, mesmo quando discute escrituras budistas, nem como pensamento budista nem como filosofia budista, mas como filosofia da religião
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A elucidação do ponto de vista do "vazio" por Nishitani
- A explicação usando extensivamente conceitos da filosofia ocidental
- A expressão direta através de palavras de figuras budistas, como "separados por uma eternidade, ainda que não apartados nem por uma ínfima duração; sempre face a face, ainda que não sendo face a face nem por um instante"
- O ápice do pensamento de Nishitani em narrativas simples, como a descrição do abismo da nulidade que está por trás de todas as coisas do mundo, separando os seres mesmo em uma conversa alegre, e onde galáxias se expandem
- A descrição do abismo do vazio como sendo um abismo mesmo para esse abismo da nulidade, onde a ruptura absoluta significa também o encontro mais íntimo com tudo que existe
- O vazio como o local onde tanto o que está mais distante quanto o que é mais íntimo podem ser igualmente encontrados em sua essência
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A contribuição de Nishitani Keiji: abrir uma nova linha de desenvolvimento no pensamento do vazio e apresentá-lo de modo compreensível globalmente
- A introdução do conceito moderno de "história" no contexto intelectual do vazio ou do nada do Mahayana através da tarefa de superar o niilismo
- A abertura de uma nova linha de desenvolvimento dentro do próprio pensamento do vazio
- A apresentação do vazio do Mahayana de uma maneira mais facilmente compreensível para as pessoas ao redor do mundo
- A abertura, pela filosofia de Nishitani, de um relacionamento mais flexível e elástico entre Budismo e filosofia
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A natureza da filosofia de Nishitani que urge o confronto com novos desafios
- A abordagem especulativa de Nishitani, que tenta constantemente olhar e romper a raiz das épocas históricas, não permitindo que se fique satisfeito e contente com seu pensamento
- A dúvida sobre se o ponto de vista do vazio constitui um modo de pensar que supera o niilismo da mesma forma frente ao niilismo avançado hoje
- O aspecto do niilismo contemporâneo que resiste a qualquer atitude de "superação"
- O incentivo, pela própria natureza da filosofia de Nishitani, a confrontar esses novos desafios