Gen 2,19 E Deus concebeu, destacados do solo (adama), todas as bestas dos campos e todos os pássaros dos céus e (os) conduziu ao Homem para ver como os chamaria para ele, e qualquer que seja a maneira pela qual o Homem chamaria para ele os animais este seria seu nome.
Assim como as árvores do jardim não são árvores ordinárias, os animais do jardim não são aqueles que conhecemos na condição humana. Saíram da adama («min haadama») quer dizer subtraídos ao pesadume, mas de maneria «orgânica» se ouso dizer, não por natureza como o Homem que ele unicamente é concebido «afar min haadama» comparado ao pó que, destacado do solo, pode voar no ar em permanência, por pouco que o «vento» o porte, e que mesmo caído sobre o solo pode sempre ser aspirado ao menor sopro que o levante. Os animais do jardim, assim como suas árvores, não têm esta qualidade que permanece adquirida pelo homem em permanência, mesmo fora do jardim, mas nada entrando no jardim que não seja «min haadama» é aqui indicado que é assim que foram concebidos os animais que Deus leva para o Homem (e que não contam entre eles nem os peixes, nem os répteis!).
Deus os conduz ao Homem «para ver como ele os chamaria» o que nos ensina que Deus não sabe de antemão e não é portanto «omnisciente», e que o Homem é o inventor da linguagem. Tanto mais que é adicionado duas vezes no texto depois de «ele os chamaria», que é «para ele» que ele os chamaria de tal ou tal maneira, e qualquer que seja esta maneira este seria «seu nome». Não o nome do animal mas o nome do Homem para o animal. Com efeito a palavra animal do texto «nefesh haya» é feminina e o sufixo pessoal da palavra nome é masculino (shmo). Os animais, como as coisas, não têm nome senão para o Homem, não têm consciência de existir. Não existem literalmente senão para o Homem.