O Encontro dos Olhos
- O fenômeno observado em certos retratos, nos quais os olhos do sujeito parecem fitar diretamente o espectador, independentemente da sua posição perante a imagem, exemplificado em numerosas representações de Cristo, como a Cabeça de Cristo de Quentin Matsys.
- A explicação de W. H. Wollaston sobre as condições subtis que produzem este efeito, as quais não dependem apenas do desenho dos olhos, mas também e sobretudo do desenho do nariz e de outros traços fisionômicos.
- A analogia estabelecida por Wollaston com a agulha de uma bússola, que, vista a certa distância e desenhada na vertical em perspectiva, parece manter a sua posição aparentemente vertical, movendo-se para acompanhar o observador.
- Os requisitos essenciais para o efeito: que o sujeito tenha sido originalmente representado como se olhasse diretamente para o artista, e que nada no restante desenho contradiga esta aparência.
- A referência de Nicolau de Cusa a ícones deste tipo na sua obra De visione Dei, ou De icona, enviando tal imagem ao Abade e aos Irmãos de Tegernsee.
- A descrição de Nicolau de Cusa de como a imagem parece olhar para cada observador individualmente, independentemente da sua posição ou movimento, causando admiração pelo seu movimento sem locomoção aparente.
- A concepção do ícone como ponto de partida para uma Contemplatio in Caligine, ou Visão de Deus nas trevas, para além do "muro da coincidência dos contrários".
- A incerteza sobre se o efeito foi deliberadamente procurado pelo artista através de uma arte ou regra consciente, reconhecendo-se, porém, que resulta da causa formal, ou seja, da imagem mental na mente do artista, refletindo a sua intenção implícita.
- A afirmação de que, para que os olhos de um Deus onividente sejam iconostasiados de forma verdadeira e correta, devem parecer onividentes, sendo o efeito uma necessidade da iconografia e não um acidente.
- O paralelo notável entre a descrição de Nicolau de Cusa e a passagem da Dhammapada Atthakatha, onde, durante um sermão de Buda, cada membro da audiência sente que "O Mestre está a olhar só para mim; está a pregar a Norma só para mim".
- A caracterização do efeito no ícone como um exemplo de integritas sive perfectio que São Tomás de Aquino considera uma condição da beleza, e da orthotes, aletheia, e isotes (correção, verdade e adequação) que Platão exige em relação ao hoion, idea, e dynamis (a natureza, a forma e o poder) do arquétipo.
- A condição platônica de que o artista deve ele próprio ter visto a realidade que pretende retratar para a alcançar em toda a iconografia.
- A finalidade do ícone como suporte de uma contemplação, podendo ou não proporcionar prazeres estéticos, os quais não são maus em si, a menos que sejam considerados o fim único da obra, convertendo o espectador num mero sibarita.
- A adaptação das palavras de Guido d'Arezzo, Non verum facit ars artificem, sed documentum, para sublinhar que não é a arte sozinha, mas a doutrina que faz o verdadeiro artista.