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Em 1922, A. R. Orage, então com cinquenta anos e no auge de sua carreira como editor do mais influente jornal literário de Londres, o New Age, subitamente depôs o lápis, despediu-se de seus atônitos colegas e desapareceu na floresta de Fontainebleau. Seu destino era o Prieuré, um château do século XVII situado próximo à aldeia de Avon, onde G. I. Gurdjieff havia fundado o seu Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem. Orage soubera a respeito através de P. D. Ouspensky, cujos grupos frequentava havia mais de um ano. Naquele momento, Orage não tinha como saber que, catorze meses mais tarde, estaria nos Estados Unidos preparando o Novo Mundo para a visita de Gurdjieff.
Pouca simpatia havia então por uma crise do espírito no clima intelectual dogmático dos anos vinte. Raros eram os que se mostravam receptivos a um ensinamento espiritual desconhecido, enraizado em ideias esotéricas intemporais; seria necessário apresentá-lo em uma forma adequada à mentalidade ocidental.
Tampouco contribuía para tanto a aparência de seu fundador, G. I. Gurdjieff — homem baixo, robusto, de pele escura, cabeça raspada e grande bigode, georgiano, belo a seu modo, mas decididamente não ocidental. Seu comportamento também parecia incompreensível, pois logo se tornava evidente que era indiferente ao que os outros pensavam dele. Ele viera para nos despertar mediante o choque — e de fato nos chocou.
Agora, meio século mais tarde, o homem e seu ensinamento são reverenciados por muitos que buscam sentido e método. São gratos à inteligência singular que os conduziu a um novo estado denominado “o terror da situação”.
Nada disso, contudo, era o caso em 1924, quando Gurdjieff veio pela primeira vez à América, onde Orage já se tornara seu porta-voz. Hoje, em grande parte graças à luminosa exposição de Orage sobre o pensamento sutil de Gurdjieff, há mais pessoas nos Estados Unidos dedicadas ao estudo de seu ensinamento do que em qualquer outro país.
Desde aqueles primórdios, milhares de pessoas entraram em contato com a visão de mundo de Gurdjieff, e muitos intérpretes surgiram. Mas há também inúmeros que desconhecem o papel desempenhado por Orage, o talentoso editor e escritor.
Seu impacto foi profundo, e ele contentou-se em deixar que as evidências se manifestassem na compreensão mais ampla daqueles que com ele estudaram e no enriquecimento de suas vidas. Uma vez que foi principalmente responsável pela acolhida que o ensinamento de Gurdjieff recebeu entre os espíritos mais discernentes, aqueles de nós que guardam vivas lembranças dos dias orageanos sentem que sua qualidade singular não deve perder-se para a posteridade.
Na Inglaterra, onde Orage era amado e admirado, muito se escreveu a seu respeito como escritor, editor, mestre e amigo. Muito pouco se disse, entretanto, acerca de sua vida e influência na América, onde Orage afirmou ter encontrado a coisa mais próxima da fraternidade que jamais conhecera. Espera-se que as páginas seguintes sirvam, em alguma medida, para preencher essa lacuna.
DESTAQUES
- Gurdjieff International Review
- GURDJIEFF INTERNATIONAL REVIEW — NÚMERO ESPECIAL SOBRE ORAGE — VOL. I NO. 3
- INTERNET ARCHIVE
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- DO AMOR
- COMENTÁRIOS AOS «RELATOS DE BELZEBU»