WOLFGANG BEINERT: Excertos de "DEL PURGATORIO Y OTROS LUGARES TENEBROSOS DEL MÁS ALLÁ"
Cinco lugares do Além. Pelo menos, pois, impunha-se pressupor um terceiro lugar no além. Todavia, foi só no século XII que o problema obrigou à tomada de medidas de reurbanização ou reconstrução do mundo do além. Havia que se erigir novos acantonamentos. Pois não só as crianças falecidas sem batismo reclamavam um domicílio. Pensava-se também nos justos do Antigo Testamento e nos santos gentios falecidos antes da Sexta-Feira Santa. Sabe-se da topografia acabada do além pelo livro do dominicano Hugo Ripelius (1268) Compendium theologicae veritatis. Existem cinco lugares no além: um, o paraíso, destina-se aos santos.
Os quatro restantes são lugares de castigo. Enquanto a terra foi considerada como um disco, estes estavam debaixo, e quando se aceitou a forma de esfera, dentro da mesma. De baixo para cima, existem:
1. O inferno dos condenados consiste na privação da visão de Deus (poena damni) e em castigos corporais (poena sensus). Tal qual o céu, possui apenas porta de entrada, não de saída. É eterno, como o céu.
2. O limbus puerorum (infantium, parvulorum) destina-se às crianças que faleceram sem ser batizadas; ali reina a treva exterior e interior (poena damni) mas sem poena sensus. É igualmente eterno e tampouco possui saída.
3. O Locus purgatorius (purgatório) é o lugar de permanência dos batizados que não são de todo maus. Hão de permanecer ali até serem purificados (purgari). Como os condenados, devem sofrer a poena dupla, mas apenas temporariamente. Por isto, aqui há treva exterior mas não interior. O purgatório possui uma entrada a partir da terra e uma saída em direção ao céu.
4. O Limbus patrum destinava-se aos justos pré-cristãos que tinham de suportar ali a poena damni, mas não a poena sensus. Isto é, em princípio, encontravam-se na mesma situação que as crianças falecidas sem receber o batismo. Também este sítio possui apenas uma entrada e nenhuma saída. Cumpre falar dele no passado, já que Cristo, entre a sua morte e a sua ressurreição, destruiu as suas portas e libertou os que ali estavam. É o conteúdo daquela frase do Credo que trata da descida do Senhor ao “reino da morte” (descensus ad inferna ou ad inferos). Desde então, este lugar de castigo do além está desabitado.