Pierre Gordon: A IMAGEM DO MUNDO NA ANTIGUIDADE
A caverna iniciática deu nascimento à ideia, muito disseminada, do ovo cósmico: a analogia do ovo animal, de onde sai um organismo diferenciado, se imprimiu, com efeito, sobre a antiga visão ritual sustentando o microcosmo da gruta como idêntico ao universo; o primeiro, como assinalamos, era organizado de acordo com o segundo; a caverna era uma redução do cosmo; a parede superior do antro era idêntica à abóbada estrelada; não há nada a mais, na imensidão do espaço, senão sagrado cujo pensamento se impregnava no seio do mundo subterrâneo, e é em agindo sobre os objetos inclusos neste que se dominava o mundo da matéria opaca. Em outros termos, toda a aparente infinitude da maya, com os mecanismos sem número que desdobra aos olhos do homem, no tempo e no espaço, se reconduzia à unidade dinâmica da energia radiante, cujo espírito tomava consciência nas trevas da caverna-ovo. Apreendia-se por aí que a noção do ovo cósmico, — que se encontra nos celtas, nos gregos, nos antigos egípcios, na Indonésia, na Polinésia, na Índia, no Irã, na Sibéria, nos finlandeses, etc., etc. — é um conceito de fonte teocrática, compreensível unicamente pelos grandes ritos da iniciação.