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id da página: 3684 Philokalia-Suplementos

Philokalia-Suplementos

Philokalia — Suplementos

DESEILLE, Placide. La spiritualité orthodoxe et la Philocalie. Paris: A. Michel, 2003

  • A Filocalia e o Ocidente

    • Convergências e divergências entre a espiritualidade oriental e ocidental
    • Reconhecimento recente da Filocalia no Ocidente, anteriormente restrita a especialistas
    • Presença do corrente hesicástico na tradição espiritual ocidental através de São Cassiano de Marselha
    • Transmissão ao mundo latino da doutrina dos Padres do Deserto e de Evágrio do Ponto por São Cassiano
  • A herança monástica latina medieval

    • Recepção parcial da futura tradição hesicástica pelos monges latinos
    • Valorização da oração pessoal ao lado da celebração do ofício divino
    • Predomínio da lectio divina como forma de oração pessoal
    • Definição da lectio divina como leitura orante e contemplativa das Escrituras
    • Fidelidade à interpretação de Cassiano do primeiro estágio da theoria segundo Evágrio do Ponto
    • Conceito cassianico de "contemplação da Escritura" como grau inicial
    • Manutenção da "oração pura" ou "oração de fogo" como grau supremo
    • Ausência de uso generalizado da oração monológica, mesmo na forma recomendada por Cassiano
  • O desenvolvimento da teologia espiritual monástica nos séculos XI e XII

    • Itinerário espiritual que conduz da lectio divina à contemplatio
    • Renovação da lectio pela descoberta dos comentários bíblicos de Orígenes
    • Bernardo de Claraval e a invocação do nome de Jesus
      • Desenvolvimentos no Sermão XV sobre o Cântico dos Cânticos
      • Comentário do versículo "Teu Nome é um óleo derramado" (Ct 1,3)
      • Citação: "Jesus: mel na boca, melodia no ouvido, jubilo no coração. Mas este nome é também um remédio. ..."
      • O nome de Jesus como antídoto para as doenças da alma
      • Representação de Cristo como homem virtuoso e Deus Todo-Poderoso ao pronunciar o nome
      • Conclusão: "Assim, do homem eu recebo exemplos, e do poderoso um socorro."
      • Ausência de utilização metodológica do nome de Jesus, como entre os hesicastas
  • Influência dos Padres Gregos e a mística renano-flamenga

    • Conhecimento de escritos de Gregório de Nissa e Máximo, o Confessor por Bernardo de Claraval e sua escola
    • Elaboração de uma teologia mística que alia o legado agostiniano ao dos Padres Gregos
    • Florescimento da escola mística renano-flamenga no século XIV
    • Variedade de tonalidades doutrinárias: intelectualista em Eckhart e Tauler, afetiva em Henrique Suso
    • Possibilidade de aproximações entre a doutrina eckhartiana da divinização e a teologia dos Padres Gregos
    • Reconhecimento da diferença dos climas intelectual e espiritual entre as tradições
  • A mística ocidental e a reforma do Carmelo Espanhol

    • Culminância dos diversos correntes da mística ocidental nos reformadores do Carmelo
    • Destaque para João da Cruz como autor místico mais representativo do catolicismo romano
    • Prática da "meditação discursiva" para os principiantes na vida espiritual
    • Caracterização da meditação como reflexão sobre tema espiritual para formar convicções e excitar sentimentos
    • Estranheza desses métodos em relação à tradição hesicástica
    • Crítica hesicástica ao excesso de imaginação, afetividade sensível, raciocínio e voluntarismo
  • A doutrina de João da Cruz sobre a imaginação e a meditação

    • Distinção entre imaginação e fantasia como formas que se representam aos sentidos
    • Divisão entre formas sobrenaturais (visões imaginárias) e formas naturais
    • Necessidade de a alma rejeitar todas as imaginações para atingir a união divina
    • Citação: "Sem dúvida os principiantes precisam dessas considerações, dessas representações para inflamar pouco a pouco seu amor ..."
    • Comparação dos meios com os degraus de uma escada que devem ser deixados para trás
    • Conclusão: "... a alma que, desde esta vida, quer chegar à união com aquele que é nosso repouso soberano e nosso Bem supremo, deve passar por todos os graus das considerações, das representações e dos conhecimentos, e deles se desfazer ..."
  • A transcendência de Deus e o papel da fé em João da Cruz

    • Concordância com Máximo, o Confessor e Gregório Palamas sobre Deus estar além do sensível e do inteligível
    • Impossibilidade de conhecer Deus verdadeiramente pelo raciocínio
    • A fé e a contemplação como único meio proporcionado à união com Deus
    • A contemplação definida como a fé iluminada pelo dom perfeito do Espírito Santo
    • Cessação das operações do entendimento para se aproximar de Deus
    • Citação: "... quando o entendimento age, ele não se aproxima de Deus; ele antes se afasta. Deve, portanto, cessar suas operações para se aproximar de Deus, seguir o caminho da fé e crer, mas sem compreender."
    • Perfeição do entendimento alcançada pela união com Deus através da fé
  • O caráter "noturno" do itinerário espiritual em João da Cruz

    • Presença marcante da experiência das "noites" e "trevas" espirituais
    • Reação geralmente negativa dos ortodoxos, segundo Vladimir Lossky
    • Citação de Lossky: "... a atitude heroica dos grandes santos da cristandade ocidental, em presa à dor de uma separação trágica com Deus — a noite mística como via, como necessidade espiritual —, é desconhecida à espiritualidade da Igreja do Oriente."
    • Reconhecimento do bem-fundado global da apreciação, mas busca de convergências
  • As quatro "noites" no itinerário de João da Cruz

    • Noite ativa dos sentidos como ascese e luta ativa contra as paixões
    • Exigência equivalente na tradição ortodoxa e na tradição católica
    • Noite passiva dos sentidos como "desolação educativa" ou "aridez pedagógica"
    • Purificação da gula e da sensualidade espirituais nos principiantes
    • Comparação: "... Deus, para os fortificar e os tirar de suas fraldas, os desmama do leite de suas consolações, os põe no chão e lhes ensina a andar por si mesmos."
    • Diferença em relação à acídia e à insensibilidade espiritual
    • Presença na tradição ortodoxa da "desolação educativa"
    • Citação de Amonas, discípulo de Santo Antão: "... no início o Espírito santo dá alegria na obra espiritual ... E quando o Espírito lhes deu a alegria e a doçura, então ele foge e os abandona: é seu sinal."
  • A noite ativa do espírito e as manifestações sensíveis

    • Consiste em não receber com segurança e fugir das manifestações sensíveis do sobrenatural
    • Perigo de abrir a porta ao demônio, que pode simular tais comunicações
    • Referência à capacidade do demônio transfigurar-se em anjo de luz, segundo o Apóstolo
    • Distinção das manifestações que vêm de Deus, as quais penetram intimamente a alma
    • Citação: "... elas inclinam a vontade a amar, elas produzem seu efeito; e mesmo que ela a alma quisesse resistir-lhes, não o poderia ..."
    • Concordância exata com os conselhos dos santos Padres da tradição ortodoxa
    • Citação de Diadoco de Fotice: "... se aparece a alguém dos atletas espirituais uma luz ou uma figura de fogo, que se guarde de acolher semelhante visão. ..."
  • A crítica à passividade voluntária e o conselho de São João Clímaco

    • Rejeição da cessação voluntária da atividade da alma para favorecer a ação divina
    • Denúncia da ilusão de "não pensar em nada" para chegar à contemplação, contra os Alumbrados
    • O dom do Espírito Santo como agente que faz cessar a atividade discursiva "em seu tempo"
    • Tradução do conselho de São João Clímaco no contexto ocidental
    • Citação de São João Clímaco: "Não corras atrás da contemplação quando não é tempo de contemplação, para que ela possa perseguir e capturar a beleza de tua humildade ..."
  • A noite passiva do espírito e a experiência de Deus

    • Consiste na angústia e no tormento da alma que experimenta a proximidade divina e sua própria impureza
    • Sofrimento como primeiro efeito da experiência de Deus no psiquismo humano ainda não totalmente purificado
    • Comparação com o olho doente que sofre ao ser atingido por uma luz brilhante
    • Citação: "Ora, esse sofrimento da alma que provém de sua impureza é imenso quando ela é verdadeiramente investida por essa luz divina."
    • Diferença sensível em relação à experiência dos contemplativos ortodoxos, para quem a experiência de Deus é só luz e calor
    • Possível influência da prática da meditação discursiva, que utiliza a sensibilidade e o raciocínio, na experiência ocidental
    • Analogia com a diferença entre a oração vocal na ortodoxia e a meditação ocidental, e entre o ícone e a arte religiosa nos carmelos espanhóis
  • A oração de quietude na tradição católica

    • Denominação "oração de quietude" para a oração contemplativa em sua forma mais simples
    • Descrição por São Francisco de Sales
    • Distinção entre o recolhimento feito pelo próprio homem e o recolhimento feito por Deus
    • Citação: "... não o fazemos nós mesmos por eleição, dado que não está em nosso poder tê-lo quando queremos ... mas Deus o faz em nós, quando lhe apraz, por sua santíssima graça."
    • Processo de atração da alma para o que ama, orientando-se para o "Esposo" amável no fundo do coração
    • Menção à "certa doce suavidade" que testemunha a presença divina
  • A "calor do coração" nos espirituais orientais

    • Evocação da "certa doce suavidade" de Francisco de Sales com o que os orientais chamam de "calor do coração"
    • Citação de Diadoco de Fotice: "Quando o Espírito Santo age na alma, ela salmodia e reza em total abandono e doçura, no segredo do coração. ..."
  • A "Escola Francesa" e a doutrina da deificação

    • Constituição da "Escola Francesa" em torno do cardeal Pierre de Bérulle no século XVII
    • Introdução do Carmelo reformado na França por Bérulle
    • Elaboração de uma concepção da deificação do cristão além das interpretações redutoras da teologia escolástica
    • Definição da graça como a própria vida de Deus comunicada realmente à alma
    • Citação: "Pela graça, somos penetrados por Deus, impregnados por Deus, vivemos nele e dele, participamos de sua natureza ..."
    • Expressões "filhos de Deus", "membros de Jesus Cristo" e "deuses nós mesmos" como realidades maravilhosas
    • Conclusão: "Tal é o mistério da santificação: pela graça somos deificados."
  • A "escola da oração cordial" na França do século XVII

    • Desenvolvimento no seio de um grupo ligado às missões na Bretanha dos padres Michel Le Nobletz e Julien Maunoir
    • Retomada de certos acentos familiares à tradição hesiástica
    • Definição do coração como sede e órgão central da vontade, em contraste com a memória e o entendimento na cabeça
    • Crítica à "oração da cabeça" como esforço multiplicado do espírito e ordem de Deus invertida
    • Citação: "... a alma quer tirar Deus a si do exterior, com a indústria e a força natural de seu próprio espírito ... em vez de procurá-lo no fundo de seu coração e se deixar transformar nele pelo movimento sobrenatural."
  • A invocação do nome de Jesus como respiração da alma

    • Síntese de toda a vida espiritual na invocação do nome de Jesus por J.-B. de Saint-Juré
    • Comparação de Jesus Cristo com o ar que a alma deve respirar
    • Necessidade absoluta do "ar espiritual" para a vida sobrenatural das almas
    • Definição da ocupação contínua como "uma respiração perpétua de Jesus Cristo"
    • Citação: "Vejam, pois, qual deve ser nossa ocupação contínua e nosso mais caro exercício: é uma respiração perpétua de Jesus Cristo, como nosso ar espiritual ..."
  • O Rosário como hesicasmo popular

    • A simples recitação do Rosário como uma espécie de hesicasmo popular
    • Testemunho de Joseph Maréchal sobre a oração da "boa velha"
    • Descrição do ambiente de paz e recolhimento proporcionado pela repetição monótona das Ave Marias
    • Citação: "... sua alma já orientada para o alto, quase mecanicamente, pelo gesto habitual de pegar o terço, se abre agora, em uma serenidade crescente, a perspectivas ilimitadas ... cuja convergência está em Deus."
  • O reencontro moderno do Ocidente com a Filocalia

    • Contexto histórico do afastamento progressivo entre as cristandades latina e oriental a partir do século V
    • Schisma do século XI e cessação das relações orgânicas com os mundos grego e eslavo
    • Manutenção de contato apenas através das edições das obras dos Padres da Igreja após a invenção da imprensa
    • Modificação profunda da situação após a Revolução Soviética de 1917 e o êxodo dos Gregos da Ásia Menor em 1922
    • Fixação de refugiados eslavos e gregos no Ocidente e organização de suas estruturas eclesiais
    • Destaque para a emigração russa, ilustrada por teólogos e pensadores religiosos de primeira ordem
    • Publicação de suas obras em francês e difusão além de seu meio de origem
    • Descoberta por muitos ocidentais da liturgia ortodoxa, do ícone e da espiritualidade hesicástica
  • A diversidade e a coerência da ortodoxia

    • Contraste aparente entre a "sobriedade espiritual" hesicástica e o esplendor litúrgico e iconográfico
    • Reconhecimento da não monolítica natureza da ortodoxia
    • Coerência profunda subjacente à diversidade de aspectos
    • A liturgia como iniciação ao sentido do mistério e ao encontro com Deus para além do discurso racional
      • Importância da participação do corpo, dos ritmos, das repetições e da visão simbólica do cosmos
    • O ícone como testemunho da capacidade da matéria de ser transfigurada pelas energias divinas
  • A divulgação da Filocalia no Ocidente

    • Papel de Relatos de um Peregrino Russo na revelação da Filocalia ao grande público a partir de 1943
    • Publicação da Pequena Filocalia da Oração do Coração por Jean Gouillard em 1953
      • Excelente seleção de textos como boa iniciação ao hesicasmo
      • Advertência sobre não isolar o ensino da Filocalia do conjunto da literatura patrística e do quadro eclesial e sacramental
    • Publicação de Writings from the Philokalia on Prayer of the Heart (1951) e Early Fathers from the Philokalia (1954) em Londres
    • Publicação da síntese teológica de Vladimir Lossky, Ensaio sobre a Teologia Mística da Igreja do Oriente (1944)
    • Reconhecimento tardio do palamismo como expressão legítima da fé por alguns teólogos católicos
    • Inclusão do ofício de São Gregório Palamas no Anthologion para católicos de rito bizantino (1974)
  • A multiplicação de estudos e traduções na segunda metade do século XX

    • Inserção no vasto movimento de ressourcement à tradição patrística na Igreja Católica
    • Destaque para os jesuítas Victor Fontoynont, Henri de Lubac, Jean Daniélou e Claude Mondésert como principais artífices
    • Criação da coleção "Sources Chrétiennes" em 1943
      • Publicação de mais de quatrocentos volumes em cinquenta anos
      • Inclusão de vários textos filocálicos importantes
  • A contribuição da Abadia Cisterciense de Bellefontaine

    • Publicação de textos monásticos antigos e estudos na coleção "Espiritualidade Oriental" desde 1966
    • Realização de uma tradução integral da Filocalia grega sob a direção do Pe. Boris Bobrinskoy
    • Ampla difusão das publicações de Bellefontaine nos meios católicos e ortodoxos francófonos
    • Iniciativas análogas de menor amplitude na Itália, países anglófonos e América do Sul
  • O retorno às fontes e a reunificação espiritual do mundo cristão

    • Potencial do retorno às fontes vivas do cristianismo para favorecer a reunificação espiritual
    • Capacidade de reconduzir ao cristianismo homens tentados por outras tradições religiosas
    • Transmissão, pela Filocalia e textos aparentados, do ensino dos Padres da Igreja sobre a vida espiritual e a oração
    • Citação de Fénelon: "... é o espírito de oração que é a alma de todo o corpo dos fiéis; é esse espírito único e comum que reconduziria brevemente à Igreja mãe todas as seitas, se cada um, em vez de disputar, se entregasse ao recolhimento. ... O espírito de oração e o espírito de unidade são a mesma coisa."

Reunimos aqui alguns livros significativos da imensa bibliografia existente sobre a Philokalia, suas proposições, os Padres coligidos nesta obra e seus compiladores e comentaristas. Infelizmente quase nada se encontra em português.