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Proclus

NEOPLATONISMO — PROCLUS OU PROCLO (412-487)



WIKIPEDIA: Português; Espanhol; Francês; Inglês

FRAGMENTS OF THE LOST WRITINGS OF PROCLUS, BY THOMAS TAYLOR (1825)

Para os amantes da sabedoria dos gregos, qualquer vestígio dos escritos de Proclo será sempre inestimável, pois ele foi um homem que, pela variedade de suas faculdades, pela beleza de sua dicção, pela magnificência de suas concepções e pela clareza com que desenvolveu os obscuros dogmas dos antigos, não encontra rival entre os discípulos de Platão. Assim, tendo traduzido integralmente algumas de suas obras filosóficas que chegaram até nós e parcialmente outras, desejei também oferecer ao leitor de língua inglesa uma tradução dos Fragmentos existentes das obras que se perderam.

Dentre esses Fragmentos, o mais extenso — o Da Eternidade do Mundo — originalmente consistia em dezoito argumentos e carece apenas do primeiro para estar completo; procurei, portanto, reconstituir seu conteúdo a partir do que Filópono escreveu contra ele. Há uma tradução latina da obra de Filópono, na qual esses Argumentos são os únicos conservados, realizada por Joannes Mahotius (Lugdunum, 1557, in-fólio); dela, como perceberá o leitor erudito, pude frequentemente corrigir o texto grego impresso. O perspicaz Simplício considerava que essa obra de Filópono está repleta de loquacidade e futilidade, e grande parte de seu Comentário sobre o Tratado do Céu de Aristóteles consiste em refutar o raciocínio sofístico desse diletante em filosofia. Ao fazê-lo, ele invoca Hércules para auxiliá-lo na purificação de um tal estábulo augiano.

É notável que, embora os escritos de Proclo sejam totalmente negligenciados — e mesmo desconhecidos — por muitos que neste país são chamados de eruditos, sejam eles tão apreciados na França e na Alemanha, que obras suas até então existentes apenas em manuscrito foram recentemente publicadas pelos doutíssimos professores Boissonade, Victor Cousin e Creuzer. O segundo desses estudiosos, com efeito, formou conceito tão elevado acerca dos méritos de Proclo que declarou: “como o próprio Homero, ele obscurece, por seu nome, os nomes de todos os que o precederam, e concentrou em si só os méritos e louvores de todos os filósofos platônicos.” O elogio de Amônio Hermeias — “que Proclo possuía, em grau supremo possível à humanidade, o poder de expor as opiniões dos antigos e um juízo científico acerca da natureza das coisas” — será prontamente aceito por todo aquele que se familiarize com os escritos desse homem extraordinário.

Talvez, porém, a ignorância reinante neste país acerca dos escritos desse filósofo corifeu possa ser explicada de modo bastante razoável pelas palavras de Harris no prefácio de seu Hermes: “Talvez seja demasiado frequente entre as multidões de todas as nações que, conhecendo pouco além de si mesmas e de seus próprios assuntos, considerem que nada fora desse estreito círculo de conhecimento merece ser conhecido. Como nós, britânicos, por nossa situação, vivemos separados do resto do mundo, isto, talvez, se manifeste entre nós de modo ainda mais notável. Daí resulta que nossos estudos se satisfazem, em geral, com as obras de nossos compatriotas; e que, em filosofia, em poesia, em todo tipo de assunto — sério ou jocoso, sagrado ou profano —, julgamos possuir a perfeição em nós mesmos e consideramos supérfluo buscar mais longe.”


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