Excertos da tradução portuguesa da introdução de Suzanne Poque
Quarta sabbati ante Pascha (Quarta-feira antes da Páscoa)
A En. in Ps. 21, II não foi pregada na sexta-feira, como habitualmente se diz, mas na quarta-feira. Contém as mesmas observações sobre a leitura feita no mesmo dia entre os católicos e entre os donatistas1 . Este sincronismo ministra aliás o maior argumento da viva polêmica que anima o comentário. Põe-se a serviço de uma dialéctica apaixonada, uma eloquência de fremente e raro brilho.
O Salmo XXI, que conta a paixão de Cristo «como se a lêssemos no Evangelho» anuncia também a realeza do Senhor. Ficamos sabendo que os sacramenta deste dia são a fidelidade à palavra de Deus que assegura, pela voz dos profetas, o domínio d'Ele sobre o Universo, e, por consequência tácita, a catolicidade da Igreja. Quando as disputas do dona-tismo sossegaram, não sabemos qual terá sido o comentário do Salmo XXI. Segundo En. in Ps. 21, II, 1, pode-se supor que a leitura profética era Jeremias, 9, e o Evangelho de S. Mateus 26, 1-16. Pode este último ponto corroborar-se com a explicação que dava S.to Agostinho do jejum da quarta-feira, praticado «porque», segundo diz o Evangelho, «no quarto dia da semana é que os Judeus decidiram matar o Senhor» (Epist. 36, 30). Devia, pois, celebrar-se, quarta-feira antes de Páscoa, a memória deste acontecimento e da unção de Betânia.
NOTAS