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id da página: 8128 Remédio da Oração

Remédio da Oração

Terapêutica das Doenças Espirituais — REMÉDIO DA ORAÇÃO

Papel da oração e seus efeitos terapêuticos

Pela fé, o homem reconhece o Cristo como seu Deus, e como o único médico capaz de curá-lo. Pela penitência, se volta na direção dEle lamentando suas faltas para obter o perdão, aproxima-se dEle reconhecendo seu estado de doença para obter a cura, ele manifesta diante dEle a consciência dolorosa de suas insuficiências para se aproximar dEle e não mais se desviar dEle. A oração aparece como o complemento destas duas atitudes: por ela, o homem invoca Sua ajuda para obter os cuidados que seu estado necessita, para ser gratificado e purificado, para se abrir a Sua graça, para se unir a Ele.

É pela oração sobretudo que o homem pode se pôr em presença de Deus, entrar em relação com Ele e se unir a Ele. Ela é, escreve Gregorio Palamas, “a ligação que une as criaturas a seu criador”. Uma tal ligação é certamente estabelecida pela recepção dos sacramentos, e em particular do batismo, da crisma, e da eucaristia, que restituem ao homem o esplendor primordial da imagem de Deus e o restabelecimento em Sua semelhança, lhe conferindo a plenitude da graça. Mas este restabelecimento se faz, nós vimos, potencialmente, ou como o disse Marco Asceta, “misticamente”. Resta ao cristão se apropriar pessoalmente da graça recebida, assimilá-la, atualizá-la nele mesmo, crescer nela e por ela. A oração é indispensável a esta obra e aí mesmo desempenha um papel essencial. É por ela com efeito que ele pode estabelecer uma relação pessoal com Deus presente nele por Sua graça, dar seu livre assentimento à transformação salvífica que Ele opera por ela, se tornar colaborador consciente e voluntário da salvação e da deificação que Ele realiza no Cristo pelo Espírito Santo. Por conseguinte a meta que o homem persegue pela oração não é de fazer vir Deus a ele, mas de se aproximar dEle, não porque Ele estaria longe, mas porque, seja ela dEle se desviou pelo pecado, seja que ele não tenha se apropriado da graça recebida, permanece ele mesmo afastado dEle e permanece exterior àquEle que lhe é o mais interior, e que é mesmo, como escreve Nicolas Cabasilas, mais próximo dEle mesmo que seu próprio coração.

Deus acorda Sua graça em permanência, mas Ele não o impõe. Respeitoso da liberdade do homem, Ele espera que este Lhe demande-a. A oração constitui o meio desta demanda, onde se afirma em plena consciência a vontade livre do homem. Do momento que o homem se dirige a Ele, Deus atende sua oração, o Cristo Ele mesmo e os Apóstolos não cessam de nos lembrar:

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. (Mt 7:7-8)

E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis. (Mt 21:22)

E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? (Luc 11:11-12)

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. (Jo 14:13-14)

E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. (1Jo 3:22)

Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. (Marcos 11:24)