Terceira parte: A figura ou o sobre-mundo eterno
- PÓRTICO
- Retrospectiva: A Face da Figura
- Face de Deus
- Dia de Deus
- Tempo de Deus
- Os deuses eternos
- O Deus dos deuses
- A face do homem
- Perspectiva: o Cotidiano da Vida
- A última realidade
- A primeira realidade
- Retrospectiva: A Face da Figura
I. A FIGURAÇÃO DA VERDADE E A FACE DE DEUS
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O que é eterno tomou figura na verdade, e a verdade não é nada mais que o rosto desta figura.
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A verdade é o único rosto dessa figura.
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A advertência sobre a forma da revelação no contexto da Escritura:
- "Vocês não viram uma figura, vocês ouviram somente uma voz", conforme dito no contexto e no quadro da Revelação.
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A inversão da experiência na redenção
- No mundo posterior e superior, o mundo que recebeu a Redenção, a palavra se cala.
- Neste mundo achegado e pacificado, é dito: "Que Ele faça brilhar sobre ti a Sua face."
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O Rosto de Deus como única verdade
- Esta luz irradiada pela face divina é a única a ser a verdade.
- Não é uma figura que flutua livremente para si, mas exclusivamente o rosto de Deus que se ilumina.
- Fazer luir o rosto sobre alguém significa que Ele se volta para essa pessoa, permitindo que o conheçamos.
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A natureza autêntica e inautêntica do conhecimento da verdade
- Este conhecimento não é impróprio, mas conhece a verdade tal como ela é em Deus: como Seu rosto e Sua parte.
- Mesmo quando este rosto se volta para nós e a parte de Deus se torna nosso quinhão, ela não se torna verdade inautêntica; ao contrário, como verdade autêntica por excelência, ela nunca seria nada mais que parte e rosto.
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A Estrela da Redenção como figuração da verdade divina
- Na Estrela da Redenção, a verdade divina torna-se figura, e nada mais se ilumina senão o rosto que Deus virou para nós em todo o Seu esplendor.
- No rosto divino, se reconhecerá novamente a Estrela da Redenção através da figura em que ela finalmente se levantou para nós.
- A conhecimento da Estrela da Redenção só se completará nesta sua nova forma de reconhecimento.
II. O DIA DE DEUS E A ORDENANÇA DOS ELEMENTOS ORIGINAIS
- O conhecimento da via sem a contemplação da figura impedia a fixação da ordenança dos elementos originários.
- A ordenança mútua dos elementos no tempo da via
- O "talvez", que estendia por toda parte seu império ilimitado, havia se desmoronado.
- A ordenança mútua segura de Deus, mundo e homem imbricados se dava na via.
- A sequência das três horas que marcam o Dia de Deus atribuía inabalavelmente a relação mútua dos elementos do Todo.
- A via foi assim reconhecida como a via do astro ao qual pertencem estes elementos.
- A possibilidade de permutação na aparição da Estrela
- No momento em que a Estrela apareceu, parecia que ela pudesse ainda girar sobre si mesma.
- O mundo e o homem pareciam viver o seu dia próprio, distinto do Dia de Deus, dentro do desenrolar solidamente fixado dos três tempos do Dia de Deus.
- A Redenção sob diferentes perspectivas
- Para Deus somente, a Redenção era realmente a realidade última.
- Para o homem, a Criação à imagem de Deus significava a Redenção recebida para todas as realizações possíveis.
- Para o mundo, a descida de Deus na Revelação significava a Redenção recebida para todas as realizações possíveis.
- A Terceira Parte e a anulação da permutabilidade
- O esforço da terceira parte, que falava da eternidade do supra-mundo, era mostrar que não é assim.
- A aparente possibilidade de permutação foi cercada por figuras que tiveram sua posição firmemente atribuída na eterna verdade do Dia de Deus.
- A antecipação da Redenção do mundo na Revelação
- Na vida eterna, o mundo via sua Redenção antecipada graças à Revelação, na qual já há tudo.
- A Revelação ao povo único plantou a Vida eterna, a qual não se transforma mais.
- Esta vida eterna reaparecerá um dia no fruto da Redenção tal como foi plantada.
- No mundo visível, já está implantada realmente uma parte da Redenção, e se verifica que, vista a partir do mundo, a Revelação é no fundo já a Redenção.
- A Criação como Redenção do homem
- A via eterna recomeça com o homem feito à imagem de Deus, imagem inata em si.
- A Revelação se produz no novo Adão, sem pecado e sem queda, e está já presente nele.
- O homem habitado de alma se apropria desta criação renovada à imagem de Deus com o nascimento miraculoso do segundo Adão, e é herdeiro da Redenção.
- O estado de Redenção lhe pertence em próprio desde a origem, aspirando intensamente a essa apropriação.
- Verifica-se que, vista a partir do homem, a Criação é no fundo já a Redenção.
III. O TEMPO DE DEUS E AS RELAÇÕES DOS TRÊS TEMPOS
- As relações entre os três tempos entram em sua disposição mais exata.
- A sucessão temporal simples e natural para o homem
- Na Revelação, o homem foi criado como homem, e na Redenção, podia e devia se revelar.
- Esta relação simples, onde a Criação precede a Revelação, fundamenta o desenrolar da via eterna através do mundo.
- Fundamenta a cronologia própria, a consciência que se encontra em todo presente situado entre o passado e o futuro e no caminho que leva de um ao outro.
- A inversão específica da sucessão temporal para o mundo
- A inversão da sucessão temporal para o mundo recebe sua confirmação visível.
- Na sua Criação, o mundo experimenta o despertar de sua própria consciência manifesta de si mesmo, ou seja, a consciência de ser criatura.
- Somente na Redenção é que ele é criado no sentido próprio, adquirindo uma duração estável e a vida permanente, em vez do ser/estar-aí sempre novo surgido no instante.
- Nesta inversão, o despertar precede o ser no que diz respeito ao mundo.
- Esta inversão fundamenta a vida do povo eterno.
- A negação do tempo pela vida eterna do povo eterno
- A vida eterna do povo eterno antecipa constantemente o fim para torná-lo o começo.
- Nesta inversão, ela nega o tempo tão resolutamente quanto possível, para se colocar fora dele.
- Viver fora do tempo, que é exigido de quem quer viver a vida eterna, requer negar o "entre-dois" temporal.
- Esta negação deve passar ao ato, na inversão, para que resulte um "viver-eternamente" positivo.
- Inverter um "entre-dois" significa fazer de seu "depois" um "antes" e de seu "antes" um "depois", de sua fim um começo e de seu começo uma fim.
- O povo eterno age já como se estivesse feito dos mundos e do mundo.
- Em seus Sábados, celebra o cumprimento sabático do mundo e o torna o ponto de partida de sua existência.
- O que seria simples ponto de partida no tempo (a Lei), fixa-o como objetivo.
- Vive precisamente a inversão do entre-dois, negando assim a toda-potência do entre-dois e o tempo que é experimentado na via eterna.
IV. OS DEUSES ETERNOS E O DEUS DOS DEUSES
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A consolidação das "vistas" do mundo e do homem
- Sob os signos da vida eterna e da via eterna, as duas "vistas" tornam-se figuras visíveis.
- Elas se colocam sob o único signo da verdade eterna.
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A simplificação da questão do ordem dos três momentos
- A verdade eterna foi reconhecida como a verdade que estará na fim e que jorra na origem de Deus no começo.
- Verifica-se que unicamente a ordem a partir de Deus, onde a Redenção é realmente a realidade última, faz justiça à verdade última.
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A habitação das ordenanças do mundo e do homem na ordenança de Deus
- É precisamente nesta ordenança a partir de Deus que as ordenanças aparentemente possíveis a partir do mundo ou do homem encontram sua morada.
- Tais ordenanças são figuras necessárias e visíveis, que permanecem seguras sob o reino da eterna verdade e podem pronunciar seu "verdadeiro!".
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O aprisionamento do paganismo pelo verdadeiro Deus
- Os deuses eternos do paganismo (o Estado e as artes) são lançados nas cadeias pelo verdadeiro Deus.
- O Estado, ídolo dos deuses objetivos, e as artes, ídolo dos deuses pessoais, podem reivindicar o lugar supremo no universo, mas o Criador se diverte com suas agitações.
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A limitação do mundo e do homem divinizados
- O Criador opõe às agitações conflitivas a ação silenciosa da natureza criada.
- O mundo deificado encontra sua limite na sua verdade e se estrutura para adquirir da vida eterna.
- O homem divinizado deve se inclinar e é mandado para se render sobre a via eterna.
- Ambos, mundo e homem, estão juntos submetidos ao poder de Deus.
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O aplanamento da luta entre Estado e arte na natureza dominada por Deus
- O Estado e a arte deveriam se esgotar mutuamente na luta pelo tempo, mas este combate é aplanado na natureza dominada por Deus.
- Na eternidade da vida e na eternidade da via, o mundo e o homem encontram um lugar um ao lado do outro, invadidos por Deus sem serem divinizados.
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O Deus dos deuses
- Somente diante da verdade a megalomania de todo paganismo desmorona.
- A vontade cega e ébria de se ver a si mesma (que culmina na eterna luta entre o Estado e a arte) é posta diante da potência tranquila e soberana da verdade divina.
- Esta potência pode indicar a cada um sua parte e pôr ordem no Todo, porque tudo está a seus pés como uma imensa e única natureza.
- O Estado e a arte, ao se considerarem todo-poderosos, reivindicam possuir a natureza inteira como sua "matéria".
- Ao limitá-los, a verdade era a única capaz de liberar a natureza desta dupla escravidão e de fazer dela uma natureza da qual o Estado e a arte tomam sua parte, mas não mais.
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A fonte da força da verdade
- A verdade tira sua força de pilar portando o Todo da natureza unicamente do Deus que se dá figura nela.
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O fim do "possível" e do "se"
- Diante do olhar da verdade, não somente o "talvez" cessa de ter curso (desapareceu há muito tempo), mas ainda o "possível".
- A Estrela da Redenção onde a verdade toma figura não percorre uma elipse.
- Visões do mundo e da vida e "ismos" de todas as espécies não ousam mais se manifestar diante deste olhar simples e último da verdade.
- Os pontos de vista se abismam na única visão permanente, e os "ismos" se esvaem diante do astro da Redenção que se levanta.
- O que se vê é um fato, e não um "ismo", havendo um alto e um baixo impossíveis de permutar e inconvertíveis.
- Mesmo aquele que conhece não está mais no direito de dizer "se", sendo subjugado pelo "assim", o "assim-e-não-de-outra-maneira".
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A imagem necessária do Rosto de Deus
- Pela razão de haver na Verdade um alto e um baixo impossíveis de permutar, se pode e se deve chamá-la de o rosto de Deus.
- Fala-se em imagens, mas as imagens não são arbitrárias, havendo imagens necessárias e contingentes.
- A natureza irreversível da verdade só é expressível através da imagem de um ser vivente, pois só no vivente está inscrita, por natureza, um alto e um baixo.
- No vivente, a consciência de si desta inscrição reside no homem, que tem um alto e um baixo em sua própria corporeidade.
- A Estrela deve se refletir no que, no interior da corporeidade, representa o alto: o rosto.
- Quando a Escritura fala da face de Deus e do detalhe de suas diferentes partes, não são quimeras humanas, pois é impossível exprimir a verdade de outra forma.
- É somente quando se vê na Estrela um rosto que se está para além de toda possibilidade das possibilidades e na simples visão.
V. O ROSTO DO HOMEM
- A reflexão da Estrela no rosto
- A Estrela refletia seus elementos e sua composição em dois triângulos superpostos, formando uma via única.
- De modo semelhante, os órgãos do rosto também se dividem em dois níveis.
- O nível fundamental dos órgãos receptivos (primeiro triângulo)
- Os pontos viventes do rosto são aqueles que o fazem entrar em relação com o mundo circundante, seja esta relação receptiva ou ativa.
- O nível fundamental é ordenado segundo os órgãos receptivos, sendo as pedras de construção a partir das quais o rosto, a máscara, se compõe: a testa e as faces.
- Às faces pertencem as orelhas e à testa o nariz.
- Orelhas e nariz são os órgãos da pura recepção.
- O nariz pertence à testa e na língua santa aparece para designar o rosto em seu conjunto.
- O odor dos sacrifícios se dirige a ele, assim como o movimento dos lábios à orelha.
- Este primeiro triângulo elementar é formado pelo meio da testa (ponto dominante) e pelo meio das faces.
- O segundo triângulo dos órgãos ativos
- Sobre o primeiro triângulo se superpõe um segundo, composto pelos órgãos cujo jogo dá vida à máscara fixa: os olhos e a boca.
- Os olhos não estão em equivalência mimética.
- O olho esquerdo olha de maneira mais receptiva e mais igual, enquanto o olho direito olha com um olhar penetrante fixo em um ponto.
- Somente o olho direito "cintila", uma divisão do trabalho que muitas vezes marca a carne que recobre a órbita em cabeças de velhos, tornando-se perceptível de frente, não só na diferença conhecida dos dois perfis.
- A boca como centro de consumação da expressão
- Assim como a estrutura do rosto é dominada pela testa, sua vida, que gira em torno dos olhos, concentra-se na boca.
- A boca cumpre e consome toda expressão da qual o rosto é capaz, seja no discurso, seja no silêncio em que o discurso retorna a se abismar: no beijo.
- O selo de Deus e o selo do homem
- É nos olhos que o rosto eterno do homem brilha, e é das palavras da boca que o homem vive.
- A vida de nosso mestre Moisés, que em vida pôde apenas contemplar e não pisar a terra da nostalgia, foi selada com um beijo de Sua boca.
- Este é o selo de Deus e também o selo do homem.
VI. PERSPECTIVA: O QUOTIDIANO DA VIDA
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A realidade última e a visão no santuário
- No santuário mais interior da verdade divina, o mundo inteiro e o homem próprio deveriam, segundo sua expectativa, decair ao nível de metáfora do que se contemplará lá.
- Em realidade, o homem não percebe lá nada além de um rosto semelhante ao seu.
- A Estrela da Redenção se tornou rosto que me olha e a partir do qual eu olho.
- Não é Deus, mas a verdade de Deus, que se tornou um espelho.
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A fronteira da vida e a visão permitida
- Deus, que é o Primeiro e o Último, abriu as portas do santuário construído no centro mais interior.
- Conduziu a esta fronteira da vida onde a visão é permitida, pois nenhum homem que O vê permanece vivo.
- O santuário onde a visão foi permitida deve ser ele mesmo, no mundo, uma parte do supra-mundo, uma vida além da vida.
- O que foi dado a ver neste além da vida é o mesmo que se podia já perceber no centro da vida, com a diferença de que agora se vê ao invés de somente ouvir.
- As visões sobre os cumes do supra-mundo tocado pela Redenção mostram apenas o que a palavra da Revelação quis significar no coração da vida.
- Marchar à luz da face divina é dado somente a quem segue as palavras da boca divina.
- "Ele te fez saber, homem, o que é bom e o que o Eterno teu Deus reclama de ti: nada mais que realizar a justiça, amar com ternura e caminhar simplesmente com teu Deus".
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A primeira realidade e o incondicional
- Esta realidade última não é a última, mas algo sempre próximo, sendo a primeira das realidades.
- Realizar a justiça e amar com ternura ainda têm aparência de objetivo a ser alcançado.
- Enquanto houver um objetivo, o querer pode respirar um pouco.
- Caminhar simplesmente com teu Deus não é mais um objetivo; é tão incondicional, livre de toda condição e de todo "primeiro ainda" e de todo "depois de amanhã", é tão hoje e tão eterno quanto a vida e a via.
- Participa tão imediatamente quanto a vida e a via da verdade eterna.
- Caminhar simplesmente com teu Deus — nada mais é reclamado aqui senão uma confiança totalmente atual.
- A "confiança" é a semente que faz brotar a fé, a esperança e a caridade, e o fruto que elas fazem amadurecer, sendo a coisa mais simples de todas e por isso a mais difícil.
- A confiança ousa dizer "verdadeiro!" à verdade a todo instante.
- Caminhar simplesmente com teu Deus são as palavras sobre o pórtico que leva para fora do esplendor misterioso e admirável do santuário divino onde nenhum homem pode permanecer vivo.
- O pórtico se abre para a vida.