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id da página: 8460 SIMBOLISMO DO SETE

SIMBOLISMO DO SETE

Dicionário Iniciático

O número sete (o septenário) está no centro de todas as tradições esotéricas e iniciáticas. Constituído pela adição de 3 (o plano divino) e de 4 (o da criação) 7 representa o mundo como uma totalidade no interior da década (10). Com efeito, entre os números primeiros (incriados) o 7 é o único que não é “criador”, nenhum outro número podendo ser formado no interior da década o multiplicando. Mas 7 contém 5 que é o número do Homem; pode ainda se decompôr em 3 + 3 + 1, o que o aparenta ao Selo de Salomão “centrado” quer dizer aos dois triângulos invertidos do macrocosmo e do microcosmo, do espírito e da matéria, reunidos e soldados por um ponto central. Este ponto central é aqui o eixo, o centro do mundo ou ainda a “Câmara do Meio” dos Mestres Maçons. A idade simbólica destes últimos é dita de “sete anos e mais” e uma loja é dita “justa e perfeita”quando sete Mestres pelo menos aí estão presentes. Adicionemos em certas representações geométricas, este ponto central é substituído por uma estrela de 5 braços, mas esta nova figura não está mais em correspondência com o septenário, posto que o hexagrama (6) adicionado ao pentagrama (5) = 11 e deixa o círculo da década primeira. Esta nova figura não poderia se aplicar ao simbolismo do grau de Mestre e concerne mais particularmente as “onze estrelas” dos três candelabros dos rituais do 18 grau (Príncipes Rosa-Cruz).

O caráter definitivo do número 7 no interior da década lhe confere um valor de tabu: tocar no 7, quer dizer o multiplicar é sair da Unidade reconstituída pela década (10 = 1 + 0 = 1). Número favorito da tradição semita (o 9 sendo mais propriamente indo-europeu) o 7 é ambivalente. Exprime ao mesmo tempo o Bem e o Mal: aos sete mandamentos da Igreja se opõem os sete pecados capitais e a Igreja é aqui herdeira do AT judaico: Deus criou a semana ao mesmo tempo que criou o mundo — repousou no sétimo dia; Caim será vingado sete vezes e Lamech 77 vezes — e “todo o tempo da vida de Lamech é de 777 anos (111 x 7). No NT recomenda-se perdoar “não sete mas setenta vezes sete”. No Apocalipse o 7 é frequentemente usado.

Um exemplo de acoplamento dos números sagrados 7 e 9 é dado pelo “ano climatérico”, o ano perigoso da vida humana: este ano é 63 anos = 7 x 9.

Astrologicamente o septenário está associado ao sistema planetário. Os sete planetas clássicos estão na origem da noção de sete céus da Hebdômada, como dos sete gênios ou sete eões de certos sistemas gnósticos.

Dicionário dos Símbolos
O sete corresponde aos sete dias da semana, aos sete planetas, aos sete graus da perfeição, às sete esferas ou graus celestes, às sete pétalas da rosa, às sete cabeças do naja de Angkor, às sete ramas da árvore cósmica e sacrificial do xamanismo, etc.

Certos septenários são símbolos de outros septenários: a rosa de sete pétalas evocaria os sete céus, as sete hierarquias celestes. Sete designa a totalidade das ordens planetárias e angélicas, a totalidade das moradas celestes, a totalidade da ordem moral, a totalidade das energias, e principalmente na ordem espiritual. Nos egípcios era símbolo de vida eterna. Simboliza um ciclo completo, uma perfeição dinâmica. Cada período lunar dura sete dias e os quatro períodos do ciclo lunar (7 x 4) fecham o ciclo. Philon observa a este respeito que a soma dos sete primeiros números (1+2+3+4+5+6+7) chega ao mesmo total 28. Sete indica o sentido de uma mudança depois de um ciclo completo e de uma renovação positiva.

O número sete é frequentemente empregado na Bíblia: candelabro de sete braços; sete espíritos repousando na vara de Jessé; sete céus onde habitam as ordens angélicas; Salomão construiu o templo em sete anos. Não somente o sétimo dia, mas o sétimo ano é de repouso. Sete é utilizado 77 vezes no AT. O número sete, pela transformação que inaugura, possui nele mesmo um poder, é um número mágico. Quando da toma de Jericó, sete sacerdotes levando sete trombetas deviam, no sétimo dia, fazer sete vezes a volta da cidade. Eliseu espirrou sete vezes e a criança ressuscitou. Um leproso mergulha sete vezes no Jordão e se levanta curado. O justo cai sete vezes e se levanta perdoado. Sete animais puros de cada espécie são salvos do dilúvio. José sonha sete vacas gordas e sete magras. Sete é a chave do Evangelho de João: as sete semanas, os sete milagres, as sete menções do Cristo: Eu Sou. Aparece quarenta vezes no Apocalipse: setenários de seles, de trombetas, de cálices, de visões, etc.. O livro é constituído por séries de sete. Este número designa aqui ainda a plenitude de um período de tempo passado (a criação no Gênesis); a completude de um tempo, de uma era, de uma fase; a plenitude das graças dadas pelo Espírito santo à Igreja. Sete comporta no entanto uma ansiedade pelo fato que indica a passagem do conhecido ao desconhecido: um ciclo completou qual será o seguinte?.

A fisiologia mística se funda igualmente sobre o septenário. Autores como Semnani distinguem sete órgãos (ou envelopes) sutis dos quais cada um é a tipificação de um profeta no microcosmo humano...

  • O primeiro é designado como o órgão corporal sutil: designado como o Adão de teu ser.
  • O segundo corresponde à alma: o Noé de teu ser.
  • O terceiro é aquele do coração: o Abraão de teu ser.
  • O quarto órgão sutil é relacionado ao centro que designa tecnicamente o termo de sirr, o secreto, o limiar da sobreconsciência... é o Moisés de teu ser.
  • O quinto órgão sutil é o Espírito (rûh)... é o Davi de teu ser.
  • O sexto é o Jesus de teu ser.
  • O sétimo é o Maomé de teu ser.