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id da página: 7380 Schumacher – Grande Verdade da "adaequatio"

Schumacher Grande Verdade Adaequatio

E.F. Schumacher — Guia para os Perplexos


SCHUMACHER, E. F. A Guide for the Perplexed. New York: Perennial, 1977

  • A Grande Verdade da "adaequatio" e os Órgãos de Percepção e Compreensão
    • Formulação do princípio da "adaequatio": a impossibilidade de perceber ou compreender algo sem um órgão adequado.
    • Limitação dos cinco sentidos e dos aparatos técnicos para registrar apenas o mundo visível, excluindo a interioridade e poderes invisíveis como a vida, a consciência e a autoconsciência.
    • Identificação dos órgãos internos de percepção: a vida inconsciente no plexo solar para reconhecer a vida; a consciência centrada na cabeça para reconhecer a consciência; a autoconsciência na região do coração para reconhecer a autoconsciência.
  • A Natureza Integral do Conhecer Humano
    • Resposta à pergunta sobre os instrumentos do conhecimento: o homem conhece o mundo com tudo o que possui — corpo vivo, mente e espírito autoconsciente.
    • Crítica à perspectiva cartesiana do "Cogito ergo sum" e valorização do conhecimento corporal, exemplificado pela inteligência das pontas dos dedos e pela citação de Pascal: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".
    • Defesa da ideia de que o homem é um instrumento único de conhecimento e advertência sobre o empobrecimento da realidade ao restringir o conhecer aos dados sensoriais e ao processamento cerebral.
  • A Restrição Cognitiva e sua Influência na Visão Científica do Mundo
    • Citação de Sir Arthur Eddington sobre a possibilidade de todo o conhecimento científico derivar apenas da sensação visual simplificada.
    • Consequência da restrição instrumental: a produção de uma imagem abstrata e mecanicista do universo, de acordo com o princípio da "adaequatio".
    • Questionamento sobre as razões que levaram a tal estreitamento na abordagem cognitiva.
  • O Projeto Cartesiano e a Busca pela Certeza Quantificável
    • Análise da autoconfiança de Descartes em estabelecer os princípios definitivos para a ciência admirável, baseada no que é mais fácil de representar.
    • Identificação dos "pointer readings" (leituras de ponteiro) de Eddington como o correlato ideal da simplicidade e representabilidade direta almejada por Descartes.
    • Caracterização do sentido da visão restrito como o instrumento cognitivo mais baixo, superficial e universalmente partilhável.
  • A Objetividade Pública e a Perda do Significado
    • Vantagem epistemológica do conhecimento baseado em leituras de ponteiro e contagem: a eliminação da subjetividade e a obtenção de um conhecimento público, preciso e verificável.
    • Contrapartida negativa da restrição metodológica: a incapacidade de acessar os aspectos qualitativos, interessantes e significativos do objeto de estudo.
    • Caracterização do quadro de mundo resultante como um "abominável da desolação", um ermo sem significado para a existência humana.
  • A Primazia do Modelo Matemático e a Perda do Fator Qualitativo
    • Exposição do ideal cartesiano de uma cadeia de razões matemáticas para alcançar todo o conhecimento, tal como na geometria.
    • Reconhecimento de que um modelo matemático do mundo só pode lidar com fatores quantificáveis, preponderantes nos níveis mais baixos do ser.
    • Constatação de que, à medida que se sobe na cadeia do ser, a importância da qualidade aumenta e a do quantitativo diminui, tornando o preço do modelamento matemático a perda do que mais importa.
  • A Mudança de Paradigma: De uma Ciência para a Compreensão a uma Ciência para a Manipulação
    • Definição da mudança de interesse do conhecimento das coisas mais elevadas, em Tomás de Aquino, para o conhecimento matematicamente preciso de coisas menores, em Christian Huygens.
    • Distinção entre "ciência para a compreensão" (ou sabedoria), com o propósito de iluminação e liberação, e "ciência para a manipulação", com o propósito de poder, conforme Francis Bacon ("o conhecimento é poder") e Descartes ("mestres e possuidores da natureza").
    • Advertência sobre a tendência da "ciência para a manipulação" de evoluir da manipulação da natureza para a manipulação das pessoas.
  • A Distinção entre Sabedoria e Ciência segundo a Tradição
    • Apresentação da distinção feita por Santo Agostinho, parafraseada por Etienne Gilson: a sabedoria tem por objeto o que é imune a usos maléficos, enquanto a ciência, pela sua materialidade, está constantemente em perigo de servir à cobiça.
    • Ênfase na crucial importância de subordinar a "ciência para a manipulação" à sabedoria, para que seja uma ferramenta valiosa e inofensiva.
    • Análise do desaparecimento do interesse pela sabedoria na história do pensamento ocidental pós-cartesiano, levando à primazia do poder material.
  • As Consequências da Visão de Homem em Cada Tipo de Ciência
    • Contrastação da visão do homem na "ciência para a compreensão" — feito à imagem de Deus, coroa da criação — com a visão na "ciência para a manipulação" — um acidente evolutivo, um objeto de estudo objetivo.
    • Diferença nos requisitos cognitivos: a sabedoria exige as faculdades mais altas e nobres da mente; a ciência para a manipulação contenta-se com capacidades universais como leitura de ponteiro e contagem.
    • Crítica à apropriação dos termos "científico"/"objetivo" e "não científico"/"subjetivo" para validar apenas o conhecimento publicamente verificável, negando a validade do conhecimento dos níveis superiores do ser.
  • As Três Consequências Graves da Eliminação da Sabedoria
    • Primeira consequência: o aprofundamento do desespero, angústia e perda de liberdade na civilização, devido à falta de estudo sobre o significado da existência, o bem, o mal e os deveres humanos, resumida na máxima "O homem não vive apenas de pão".
    • Segunda consequência: a visão de mundo vazia e mecanicista gerada pela ciência restritiva desencoraja o recurso à tradição da sabedoria, criando um ciclo de auto-reforço que barra os caminhos para a recuperação.
    • Terceira consequência: a atrofia das faculdades superiores do homem, por falta de uso, leva ao declínio da qualidade humana e à acumulação de problemas insolúveis para indivíduos e sociedade.
  • A Estrutura Ideal do Conhecimento e sua Relação com a Realidade
    • Proposta de uma estrutura de conhecimento que espelhe a estrutura da realidade, com a "ciência para a compreensão" no topo e a "ciência para a manipulação" na base.
    • Definição do papel de cada nível: a compreensão para decidir o que fazer; o conhecimento para a manipulação para agir eficazmente no mundo material.
  • Características e Limitações da "Ciência para a Manipulação"
    • Objetivo da ciência no nível da ação: a predição e o controle, formulados em receitas condicionais pragmáticas e objetivas.
    • Aplicação do "navalha de Ockham" para concisão e a busca de instruções que minimizem o julgamento do operador.
    • Natureza "pública" e amoral desse conhecimento, que pode ser usado para qualquer fim, gerando disputas por seu segredo.
  • A Impossibilidade da Predição e do Controle nos Níveis Superiores do Ser
    • Inadequação dos conceitos de predição e controle para o conhecimento dos níveis superiores, como na teologia, que busca apenas a compreensão.
    • Relação inversa entre o nível de ser e a fixidez da natureza: maior plasticidade e liberdade nos níveis mais elevados, exemplificada pela máxima "Para Deus tudo é possível".
    • Graus decrescentes de previsibilidade do ser humano, desde o sistema físico-químico até a pessoa autoconsciente, devido à natureza da liberdade.
  • A Paralisia da Vontade e a Proliferação de Falsos Absolutos na Sociedade Moderna
    • Diagnóstico do homem ocidental como rico em meios e pobre em fins, com uma hierarquia de conhecimento decapitada.
    • Crítica ao "pluralismo" moderno que trata múltiplos bens (poder, riqueza, conhecimento, etc.) como fins em si mesmos, sem uma hierarquia de valores superior.
    • Caracterização dessa condição como uma recaída na mitologia, conforme Etienne Gilson, com a proliferação de deuses (Evolução, Progresso, etc.) em conflito, conduzindo ao caos social.
  • O Obstáculo Representado pelo Pseudoceticismo e a Psicologia da Evitação
    • Denúncia dos "pseudoagnósticos" que, dotados de conhecimento científico e generosidade social, mas sem cultura filosófica, usam o prestígio da ciência para impedir a restauração da sabedoria.
    • Sugestão de Abraham Maslow de que a busca da ciência pode ser uma defesa, uma filosofia de segurança para evitar a ansiedade e os problemas perturbadores da vida.
    • Identificação do desejo de escapar das noções tradicionais de dever, responsabilidade e pecado, este entendido como "errar o alvo" da vida humana.
  • A Vontade como Fator Decisivo para a Crença na Realidade Moral
    • Citação de William James sobre a vontade como fator decisivo para a adoção de crenças morais, já que o intelecto puro não pode decidir sozinho sobre a realidade moral.
    • Afirmação de que o ceticismo mefistofélico, por fazer poucas exigências às faculdades superiores, satisfaz o instinto lúdico da mente melhor que o idealismo rigoroso.
    • Constatação final de que o mundo moderno é cético em relação a tudo que exige esforço, mas não em relação ao próprio ceticismo.