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id da página: 10260 SERPENTE GÊNESIS

Serpente Tentadora


VIDE: GEN 3; NOTHOMB — SERPENTE; PECADO ORIGINAL

A serpente, é o Satã, é o mau viés, é o Anjo da Morte. (Zohar Hadach XXXV)

Ensina-se em nome de Rabi Meier: «O maior era a serpente, e mais dura foi sua queda». «O mais astuto que todos?» (Gen 3,1). Mais maldito de que todos (Gen 3,14). Rabi Ochayah o Grande dizia: «Era o chefe dos animais, e mantinha ereto como uma vara, e tinha pés. Rabi Yehouda Ben Eleazar dizia: «Era um herético». (Midrach Rabbah, Gen XIX)

Bíblia Aberta

As descrições que os rabinos fizeram do tentador, acentuam seu aspecto quase humano. Se mantinha de é. Eis aí uma indução lógica se no final de Gen 3 a serpente é condenada a rastejar.

A serpente é o animal mais astuto do campo (sadé). Acentua-se assim a diferença dos lugares frequentados pelo casal primordial e pela serpente. O campo (sadé) é a pátria dos animais selvagens, da morte, da violência, da luta das forças umas contra outras, da mistura, da ausência de lei. O Jardim do Éden é o lugar da unidade da paz, da lei, da finitude e da delimitação.

A serpente surpreende Adão no Jardim do Éden, mas vindo do campo. Vai ser quebrada a unidade do ser humano pelo diálogo que estabelece com ele. Assim temos no Jardim do Éden o reino da ordem da vida segundo o espírito, segundo a lei que orienta as pulsões, os instintos e as energias vitais. Por outro lado, há a vida real, concreta que é feita da mistura da vida e da morte e que vai ser introduzida pela serpente.

A passagem do Paraíso aos campos, que conhecerão Adão e Eva depois do pecado original, é a passagem de um mundo sem conflitos ao mundo da selvageria. Do esta de sobrenatureza, passa-se ao estado de natureza. E assim o capítulo Gen 3 encerra sobre uma visão de guerra e de confronto.

Em que a serpente era astuta? Nisto que o globo de seu olho parece àquele do homem. Não pode tentar o homem senão aquele que lhe assemelha... (Midrach Haggadol)


A serpente os viu se unir, aos olhos de todos, e desejou Eva. (Rachi sobre Gen 3,1).

Rabi Josué de Siknim ensina em nome de Rabi Levi: «A serpente caluniou seu criador, dizendo: É esta árvore que ele comeu para criar o mundo. Se ele vos diz de não comê-la, é para que vós não criais outros mundos, pois todo artesão odeia seus concorrentes... (Midrach Rabbah, Gen XIX)


A aparição da serpente na cena de Gen 3 é consecutiva à descrição da nudez. No último verso de Gen 2 ficamos sabendo que Adão e Eva estavam nus, que se uniam em uma relação perfeita, inteira, sem distância, nem vergonha. O primeiro versículo de Gen 3 nos apresenta a serpente. Rachi convida a ler uma coisa em seguida a outra; considerando que a serpente viu-os se unir, assistiu sua relação perfeita.

Assim, seguindo a interpretação de Rachi, a serpente passou a desejar Eva igualmente. Esperou a ausência do marido e veio a ela propôr a transgressão do interdito, o limite imposto por Deus quanto à Árvore do Conhecimento.