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Servos do Diabo

SINAL DE ABRAÃO — SERVOS DO DIABO (Jo VIII,31-47)


VIDE: DOIS MESTRES

EVANGELHO DE JESUS: Jo 8:31-47

Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 105

Da mesma maneira que pelas obras de justiça é possível “fazer-se” filho de Deus, e inclusive “ser” um nascido de Deus, assim também, todo o que não trabalha a justiça é um filho do diabo.

Desde a filiação segundo as obras, o complemento natural é a paternidade daquele cuja influência se segue. Isto é o que explica Jesus, segundo o quarto evangelho, a um grupo de seguidores “que nele haviam crido” e que enquanto judeus afirmavam que seu pai era Abraão e não o Pai celestial do qual Jesus falava.

Jesus estuda a diferença que medeia entre a paternidade segundo o mundo e a paternidade segundo o Reino e para isto toma como fundamento, como “pais” respectivos, os antônimos Deus (o Reino) e o diabo (o mundo). A “figura”, ou representação é muito clara: A Deus o explica como amor que ele, Jesus, reclama para si de todos os que seguem a Deus e a sua lei como Pai, pois diz: “eu saí e venho de Deus”.

Quanto ao diabo, o descreve como pai do pecado, que engendra a escravidão e a temporalidade, e cujo reino é a morte, pois “foi homicida desde o princípio” — diz —, e o viver no falso, no errôneo; na mentira e não na verdade, “porque é embusteiro e pai da mentira”.

O que afirma Jesus aqui é a realidade absoluta e permanente do Reino visível e celestial, que tem como essência de sua unidade a força coesiva e a firmeza do amor; ao mesmo tempo, denuncia a não realidade absoluta do mundo “que há de passar”, posto que nele priva a temporalidade, a morte, o erro, tudo o que relega ao mundo a ser uma realidade de segunda ordem.

Com tudo isto fica bem explicada a natureza do “pai” que o logion menciona. Se o “pai” é o mundo, o que o conhece ou estima como seu “pai”, vive no impermanente e o tem por uma realidade absoluta, de primeira ordem, embora só em sentido relativo pode ser tomado como realidade.

Mas o logion menciona ainda uma mãe que engendra filhos do mundo na prostituição. Esta mãe é a alma que ainda não passou pela purificação batismal, a esposa infiel que se desvia do espírito que habita em sua mesma casa e a quem está destinada.

Como tal alma é impura, adora aos falsos deuses do mundo e não assiste a celebrar as bodas sagradas; por isso não engendrará em si mesma, em seu seio, como fruto celestial, “ao filho de Deus vivo”, senão aqueles outros filhos do mundo, chamados “Não-há-amor” e “não-meu-povo”. Estes filhos são os que segundo diz o logion, serão chamados “filhos de prostituta”.

Assim se cumprirá o que foi profetizado que se dirá naqueles dias: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” (Jer 31:29).



Jean-Claude Larchet: TERAPÊUTICA DAS DOENÇAS ESPIRITUAIS
Bajo la influencia de la cenodoxia, el hombre pierde su autonomía y se aliena, no sólo a la pasión misma, sino a todos aquellos de los cuales tiene necesidad para nutrirse. S. Juan Crisóstomo subraya el carácter particularmente tiránico de esta pasión que considera como «la última y más miserable de las servidumbres» y que llega a dominar a las más grandes almas. Como toda otra pasión somete al hombre a sus deseos carnales específicos y al placer que le está ligado, pero también hace al hombre dependiente de la mirada y la consideración de los otros y esclavo de aquellos que él busca complacer porque espera sus alabanzas. «Desdichado de mí — escribe Juan el Solitario — Dios me ha creado libre, y sobre mí pesa la dominación de mucha gente, ya que soy esclavo de todo el mundo por el deseo de complacer a todo el mundo».