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id da página: 13753 Silburn – Xivaísmo de Caxemira – Tantraloka 1 Lilian Silburn Abhinavagupta

Silburn Tantra Tantraloka Ignorancia

Lilian SilburnXivaísmo de Caxemira – Luzes sobre o Tantra – Primeiro Capítulo

ABHINAVAGUPTA. La lumière sur les tantras: chapitres 1 à 5 du Tantrāloka. Lilian Silburn; André Padoux. Paris: De Boccard, 1998. RESUMO

1-106. Neste capítulo, após as estâncias de homenagem aos seus pais e aos seus mestres (1-21), Abhinavagupta expõe, numa introdução geral ao Tantraloka (upodhgita 21-106), o que é a ignorância (ajnana), única causa do mundo e do aprisionamento do ser humano ao samsara, e o que é o conhecimento (jnana) que, aniquilando essa ignorância, se revela como a única causa possível da libertação (moksa). Se a iniciação (diksa) possui utilidade (43-46), ela somente produz efeito nesta vida graças ao conhecimento.

Este é o conhecimento da Realidade suprema (param tattvam), de Siva, pura luz consciente (prakasa, 52). São então descritos (52-68) a natureza da divindade e aquilo que o yogin pode nela conhecer, bem como o modo pelo qual as energias de Siva atuam, notadamente por sua presença no corpo sob a forma dos sopros (prana). Há três formas principais de energia divina: a vontade (iccha), o conhecimento (jnana) e a atividade (kriya), afirmando-se a preeminência de cada uma delas em cada uma das três vias da libertação (68-94). Essas três energias são, em realidade, apenas termos para designar a liberdade do Senhor (94). Abhinavagupta continua enumerando os nomes divinos e glosando principalmente aquele de Bhairava (95-103).

107-140. Na parte seguinte (106-177), Abhinavagupta aborda algumas noções fundamentais: a roda das energias (108-115), a potência criadora interior (antaral pratibha) do Senhor (116), a utilidade dos mantras e invocações — que, qualquer que seja a forma divina visada, dirigem-se sempre na realidade ao Senhor Bhairava, venerado sob uma forma limitada ou ilimitada conforme se busquem experiências sensíveis ou a libertação —, o culto das divindades, que deve sempre ser precedido da injunção (vidhi), não dizendo respeito as instruções védicas à Consciência, o absoluto, espontaneamente manifesto, do qual não se pode afirmar que seja uma divindade.

141-165. Recordando que o Senhor manifesta a sua Essência aos seres humanos ora de um só golpe, ora progressivamente (140), Abhinavagupta indica que há várias vias que conduzem à libertação. Diretas ou indiretas (142), elas se subdividem, mas distinguem-se essencialmente três. A mais elevada é aquela do florescimento da vontade: é a via suprema, a via do Senhor, Sambhu, o sambhavopaya (144-147). Em seguida vem a via na qual o conhecimento se desdobra, via fundada sobre uma certeza de base vikalpica: é a via da energia, o saktopaya (148-150). Quanto à via da atividade, aquela do yoga e dos rituais, ela é, na realidade, uma via de conhecimento (155), pois a atividade, afirma Abhinavagupta, é em essência conhecimento. Todas as vias conduzem, portanto, ao mesmo fim, a libertação.

166-240. Abhinavagupta expõe então o sistema das três vias tal como o apresentam os sloka 20-24 do segundo capítulo do MVT, que descrevem diversas sortes de compenetração (samavesa) ou penetração (avesa), isto é, absorção na divindade. Ele trata primeiramente daquela que é própria a Siva (Sambhava) e resulta de um despertar espontâneo e intenso, sendo toda forma de conhecimento limitado engolida (171-172). Aquilo que é digno de ser conhecido revela-se num coração eminentemente puro (174-176). Haveria, segundo o MVT, cinquenta formas diferentes dessa penetração, sobre as quais algumas indicações pouco claras são oferecidas (186-202), mas que em última instância reduzem-se todas à mesma experiência, a da identidade com o supremo Siva, pura Luz consciente.

São consideradas mais brevemente a compenetração própria da energia e aquela que caracteriza a via da atividade. Na primeira, o saktopaya, é a energia que faz aparecer o fruto procurado (214-218); na segunda, aquela do kriyopaya ou anavopaya, são utilizados os enunciados de mantras, as posturas corporais etc. “Essas duas penetrações, recorda Abhinavagupta (226), são orientadas para o mesmo oceano do indiferenciado.”

241-334. Examina-se em seguida o papel do mestre espiritual (233-240), cuja eficácia provém de sua unidade com a pura Consciência: fulgurando nesta unidade, ele é uno com sua linhagem, uno com seus discípulos e assim se liberta e os liberta. É, portanto, pelo conhecimento que o mestre liberta seu discípulo e não pelas ações rituais.

A última parte do capítulo expõe como funciona o conhecimento do mundo objetivo, cujos planos e etapas correspondem, para Abhinavagupta, àqueles da manifestação (srshti) e da resolução (samhara) cósmicas. Vêm então os títulos dos trinta e sete capítulos do TA (que traduzimos acima, pp. 31-37), seguidos da indicação de seu conteúdo (277-329), depois as estâncias finais (330-334).