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Tempos de Orar

Tradição Apostólica — Dos tempos em que é necessário orar

Introducción al Estudio de los Padres, período pre-niceno, Enrique Contreras O.S.B. — Roberto Peña O.C.S.O., Editorial Monasterio Trapense de Azul, Argentina, 1991, 327 p. ,ISBN 950-99640-0-X, In: Introducción — La vida de la Iglesia en el período pre-niceno.


Contribuição e tradução de Antonio Carneiro de "C. Organización de la Iglesia. Liturgia, pp.14-15."

Uma das mais antigas recompilações de textos litúrgicos é a “ Tradição Apostólica”
(século III), que contém rituais de ordenação de bispos, presbíteros e diáconos; uma descrição da administração do batismo, e outra da celebração da eucaristia.

Dos tempos em que é necessário orar1

Todos os fiéis, homens e mulheres, quando se levantam de seu sono pela manhã, e antes de empreender qualquer trabalho, lavarão suas mãos e orarão à Deus. Logo irão se dedicar a suas tarefas. Se houvesse uma catequese (da palavra), prefeririam concorrer para ali, estimando, em si-mesmos, que é a Deus quem se escuta na palavra daquele que instrui.

Aquele que ora na igreja poderá evitar a malícia do dia. O piedoso pensará que é um grande mal não assistir à catequese, sobretudo se sabe ler e o doutor vem ensinar-lhe. Ninguém deverá chegar atrasado na igreja, já que é o lugar onde se revela a doutrina. Então, aquele que ensina instruirá sobre o que é eficaz e útil para cada um, e se escutarão coisas que se ignoravam. Assim, recebe-se a graça do Espírito Santo através do qual se realiza a instrução, e desta maneira a fé se fortalece a partir do que se escuta.

Ali se dirá, aliás, o que se deve fazer na própria casa. Em consequência cada um se apressará para concorrer à igreja, o local onde o espírito floresce. Se um dia não houver instrução, cada um em sua casa tomará o livro santo e fará uma boa leitura, adequada e proveitosa para sua alma.

Aquele que estiver em sua casa, que ore e louve à Deus na hora terceira2 . O que neste momento estiver em outra parte, que eleve uma pregação à Deus em seu próprio coração, já que nesta hora viu-se à Cristo atado ao madeiro. Também no Antigo Testamento a lei prescreveu oferecer o pão de proposição à hora terceira, como símbolo do corpo e sangue de Cristo: uma imolação do irracional cordeiro perfeito. Sendo Cristo o Pastor, é também o maná que desceu do céu.

Deve-se orar da mesma maneira na hora sexta3 , hora em que, estando Cristo atado ao madeiro da cruz, paralizou-se a terra e produziu-se uma grande obscuridade. Também se elevará, nesta hora, uma ardente pregação, reproduzindo a palavra de quem orava quando obscureceu toda criação para os judeus incrédulos.

Também se fará uma profunda pregação e uma excelsa alabança à hora nona4 , para reproduzir o modo em que a alma dos judeus louvava ao Deus que não mente, que se recorda de seus santos, e enviou seu Verbo para esclarecê-los. Esta é a hora em que Cristo, desde seu costado lacerado, verte água e sangue.

Ora antes que teu corpo repouse no leito5 . Por volta da meia-noite6 levantá-te, lava-te as mãos e ora; se tua mulher está presente orem os dois juntos, mas se ela não é ainda crente retira-te para outro cômodo, ora e regressa ao teu leito. Não hesites em orar: aquele que está unido pelos laços do matrimônio não é impuro.

Os que já se lavaram não há necessidade de lavar-se novamente, porque estão puros. Quando te persignas com teu alento úmido molhando as mãos com tua saliva, todo teu corpo é santificado até os pés.

Os antigos, que nos transmitiram a tradição, ensinaram-nos que a esta hora a criação inteira descansa em um momento para louvar à Deus: os astros, as árvores, as águas se detêm num instante, e todo o exército dos anjos que o serve louva a Deus a esta hora com as almas dos justos. É por isso que os crentes devem apressar-se em orar a esta hora.

Dando testemunho disto, o senhor disse: “Eis aqui o esposo que chega, levantem-se para ir ao seu encontro”. E continua dizendo: “Por isso, vigiem, já que não sabem a que hora chega o esposo” (Mt 25,13).

E com o cantar do galo, levanta-te, e ora da mesma maneira. Já que a essa hora, com o canto do galo, os filhos de Israel renegaram a Cristo, mas nós que o conhecemos pela fé na esperança da luz eterna e pela ressurreição dos mortos, voltemos nossos olhos dirigidos para Ele neste dia.

Em consequência os fiéis ao chamado, fazendo isto, guardando a lembrança e instruindo-se mutuamente, dando exemplo aos catecúmenos, não poderão jamais ser tentados nem perdidos, enquanto se recordarem sempre de Cristo.


Observação do Tradutor: Horas do Ofício Divino (Liturgia das Horas):

Estas horas chamam-se “horas can6onicas”. Recordem-se que não é necessário para os leigos rezá-las todas para participar desta oração. Podem reduzir o ofício para estas duas horas: as “ Laudes” antes de ir trabalhar e as “ Vésperas” ao terminar os trabalhos.

“Laudes”: significa “alabanzas”, junto com as vésperas, é uma das horas principais. Consiste de um hino, dois salmos, um cântico do Antigo ou do Novo Testamento, uma leitura curta da Bíblia, o “Benedictus”, responsórios, intercessões, o Pai-Nosso e uma oração conclusiva.

“Vésperas”: de “vesper” : tarde. É o ofício da tarde. Consiste de um hino, dois salmos, um cântico do Antigo ou do Novo Testamento, uma leitura curta da Bíblia, o “Magnificat” da Santíssima Virgem, responsórios, intercessões, o Pai-Nosso e uma oração conclusiva.

Outras informações em:

  • Liturgia das Horas —
  • Ofício Divino das Comunidades
  • Ofício de Leitura-

NOTAS

1 “La Tradición Apostólica” 41; traducción castellana por Editorial Lumen, Buenos Aires, 1981, p.110.
2 hora terceira: faz parte das “horas menores” corresponde aproximadamente às 08:00hs da manhã.
3 hora sexta: faz parte das “horas menores” corresponde aproximadamente às 11:00hs da manhã.
4 hora nona: faz parte das “horas menores” corresponde aproximadamente às 14:00hs da tarde.
5 Completas: orações do ofício divino (liturgia das horas) ao ir deitar-se à noite.
6 “Matinas” (oração da manhã) também chamadas “matutinae laudes” ou alabanzas matutinas. O nome vem do latim “matutinus”. A primeira das horas canônicas. Antigamente se cantavam as “matinas“ durante as primeiras horas do dia, pouco depois da meia-noite.