VALLIN, Georges. Être et individualité. Paris: Presses Universitaires de France, 1959
Após esta visão de conjunto sobre a essência e as démarches fundamentais da subjetividade objetivante, é possível fazer-se uma ideia da experiência da individualidade que se oferece ao nível da estrutura temporal da esfera objetivante.
Primeiro, viu-se que a subjetividade considerada em si mesma (e não enquanto desvela a realidade objetiva do mundo existente para o qual se transcende) não poderia ser definida como um ser individual, essencialmente distinto de outro ser individual, mas como uma essência que se atualiza indiferentemente em tal ou qual "realidade" singular. A subjetividade objetivante é individualizada, por essência, é verdade, e não por acidente, mas não é individual, no sentido de que não constitui a natureza própria a um ser singular com exclusão de outro. Ter-se-á de voltar mais longamente sobre a natureza da individuação que caracteriza a subjetividade humana quando, após o estudo sistemático dos diversos planos ontológicos que encontra a subjetividade objetivante, abordar-se-á, num último parágrafo, a subjetividade humana enquanto realidade ela mesma objetivada.
Segundo, pôde-se notar por outro lado que a subjetividade objetivante tende a desvelar o mundo como um conjunto de essências universais encarnadas na existência abstrata, isto é, necessariamente individualizadas, mas não individuais.
Vai-se tentar determinar presentemente com mais rigor o estatuto da individualidade que se oferece à subjetividade objetivante, partindo do plano mais exterior, aquele do "fenômeno" que se refere a uma ontologia de tipo mecanicista, para chegar ao plano do "ser", que se integra a uma ontologia finalista, a essência objetiva que desvela aqui a subjetividade podendo integrar-se a um ou outro destes patamares ontológicos.