VULLIAUD, Paul. Le Cantique des Cantiques. D’Après la tradition juif. Paris: PUF, 1925
1. Continuidade do Tema Nupcial no Novo Testamento
- Vulliaud demonstra que a linguagem nupcial do Cântico não é isolada, mas ecoada no Novo Testamento.
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Exemplos:
- João Batista refere-se a Jesus como o “Esposo” (João 3:29).
- Jesus fala dos “filhos da câmara nupcial” (Mateus 9:15).
- Essas metáforas eram compreendidas pelo público da época, indicando que a noção de Deus como Esposo era familiar.
2. São Paulo e a Kabbalah Cristã
- A Epístola aos Efésios (cap. 5) é analisada como um desenvolvimento da teologia nupcial judaica à luz de Cristo.
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Paralelo kabbalístico:
- Tiphereth (o Rei, o Esposo) = Cristo.
- Malcouth (a Comunidade de Israel, a Esposa) = a Igreja.
- Paulo estaria usando conceitos da tradição esotérica judaica, adaptando-os à cristologia.
3. A Doutrina Kabbalística do Casamento Celeste
- Explicação detalhada do simbolismo das Sephiroth Tiphereth e Malcouth:
- Representam a união entre Deus e Israel (ou Cristo e a Igreja).
- O “mistério dos Rostos” (panim b’panim) simboliza a união perfeita e face a face.
- A união terrestre do casal humano é um reflexo dessa união divina.
4. Simbolismo do Casamento e da Procriação
- O casamento é visto como um ato sagrado que reflete a união divina.
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Procriação:
- Tem um fim espiritual: gerar “filhos do Rei”.
- Deve ser realizada com santidade, consciência e intenção pura.
- O Zohar ensina que a união conjugal noturna, especialmente à meia-noite, é um momento propício para a união com o divino.
5. Moralidade e Pureza Sexual
- A Kabbalah enfatiza a pureza sexual e a santidade do matrimônio.
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Advertências:
- Palavras obscenas ou pensamentos impuros perturbam a harmonia cósmica.
- O “incesto” esotérico simboliza a idolatria ou o afastamento de Deus.
- A fidelidade conjugal reflete a fidelidade de Israel a Deus.
6. Conexões com o Cântico dos Cânticos
- O Cântico é visto como a expressão poética desse mesmo mistério nupcial.
- A Sulamita representa a alma ou a comunidade (Israel/Igreja) que anseia pela união com o Amado (Deus/Cristo).
- A interpretação alegórica é, portanto, não apenas válida, mas essencial para compreender a profundidade do texto.
7. Conclusão: Unidade da Tradição Mística
- Vulliaud conclui que há uma continuidade doutrinal entre:
- O Cântico,
- A Kabbalah judaica,
- A teologia paulina,
- E o misticismo cristão.
- A linguagem do amor humano é sempre usada para apontar para o amor divino, em todas essas tradições.