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id da página: 6367 Paul Vulliaud – Cântico dos Cânticos – Simbolismo

Vulliaud Cantico Simbolismo

VULLIAUD, Paul. Le Cantique des Cantiques. D’Après la tradition juif. Paris: PUF, 1925

1. Defesa da Interpretação Alegórica e Mística

Vulliaud defende vigorosamente a interpretação tradicional do Cantique des Cantiques como uma alegoria do amor divino, contra as leituras puramente literais ou “sensualistas”. Ele argumenta que a linguagem sensível e amorosa do texto é um recurso simbólico universalmente reconhecido para expressar realidades espirituais.

  • Princípio do simbolismo: “On ne parle pas des choses intellectuelles, sinon métaphoriquement par les choses sensibles” (Abarbanel).
  • Universalidade do simbolismo amoroso: O amor humano é usado como símbolo do amor divin em diversas tradições (judaica, cristã, platônica, mística).

2. Crítica aos Opositores da Leitura Espiritual

Vulliaud critica a falta de “cultura geral” dos críticos que rejeitam a dimensão espiritual do Cantique. Ele acusa esses críticos (como Renan e Albert Réville) de:

  • Ignorarem a tradição simbólica universal.
  • Superficialidade na leitura do texto.
  • Hipocrisia ao condenar o Cantique por sua linguagem, enquanto aceitam passagens semelhantes em outros textos bíblicos (como Ezequiel).

3. Comparação com Outras Tradições Místicas

Vulliaud rejeita comparações simplistas entre o Cantique e textos como o Gita-Govinda indiano, que ele considera genuinamente erótico e não místico. Ele defende que:

  • O Cantique é mais sóbrio e espiritual.
  • A intenção dVulliaud (Jayadéva, no caso do Gita-Govinda) é crucial para determinar o caráter místico ou não de um texto.

4. A Tradição Judaica e a Kabbalah

Vulliaud recorre à tradição judaica e à Kabbalah para sustentar a leitura alegórica:

  • A Kabbalah vê no Cantique um comentário sobre a união entre Deus (o Noivo) e Israel (a Noiva).
  • A linguagem corporal e conjugal é usada para descrever relações metafísicas entre as Sefirot (atributos divinos).

5. Resposta às Objeções Rationalistas

  • Objeção: “Não há indícios de uma intenção alegórica no Cantique.”
    • Resposta: Muitos textos judaicos (como a Haggadah de Páscoa) são simbólicos sem o declararem explicitamente.
  • Objeção: “A alegoria não se aplica consistentemente a todos os versículos.”
    • Resposta: Isso também ocorre com as interpretações racionalistas, que falham em explicar todos os detalhes.

6. Conclusão: O Cantique como Obra Mística e Profunda

Vulliaud conclui que:

  • O Cantique é uma obra de profunda espiritualidade, destinada a leitores maduros (como indicado pela tradição judaica de só permitir sua leitura após os 30 anos).
  • Sua linguagem, embora sensível, é sempre séria e nunca licenciosa.
  • A interpretação alegórica é não apenas válida, mas necessária para compreender sua mensagem central: o amor entre Deus e sua criação.