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id da página: 7371 Wei Wu Wei DEDOS APONTANDO A LUA

Wei Wu Wei Recorrência

Reencarnação e Recorrência I

A única forma da Reencarnação que parece ser compatível com o que somos capazes de compreender do universo é melhor denominada Recorrência.

Poderia, de fato, ser suposto que nossas vidas recorrem eternamente, e poderia ser que tal fosse o sentido na qual o que se tornou a doutrina popular da Reencarnação foi compreendida e admitida pelos Mestres e pelo Senhor Buda ele mesmo. (Se a popular doutrina antedata os Mestres, como é provável, então parecendo endossá-la, eles visavam o sentido de Recorrência a ser compreendido por aqueles poucos que poderiam ser capazes de apreender tal conceito esotérico, Evidência, real ou imaginária, pois esta interpretação, pode ser encontrada nas sutras.)

Mas a Recorrência implica um fator-temporal, uma repetição do filme que constitui nossa vida, um reviver de cada um dos inumeráveis "quadros" ou fatias (segmentos) que constituem nossa totalidade (até onde a conhecemos), a re-experiência da totalidade serialmente ou como "uma-droga-após-outra", e para tal um aparato-receptivo (como Kanto nos descreveu) com percepções de sentidos para recriar o Tempo seria necessário. De fato o aparato-receptivo, i.e. cada ser humano, tendo materializado tridimensionalmente, deve existir eternamente na dimensão ortogonal de cada momento de sua materialização. (A interseção do Tempo e da Eternidade sendo o Momento, aquela do Momento e da Eternidade deve ser o Tempo, e aquela do Tempo e do Momento deve ser a Eternidade.)

O aparato receptivo, portanto, existe na Eternidade e também opera aí, de modo que a ilusão de uma "vida" consecutiva deveria também ser eterna.

O conceito de Tempo como uma curvatura — e como poderia ser de outro modo? — faz de cada "vida" um completo círculo, auto-criado como uma característica inerente do Tempo, e necessariamente assim. Um círculo, não tendo início nem fim, estendido em duas dimensões, deve continuar indefinidamente, repetindo a si mesmo como uma aspecto da eternidade. Mas se estendido em três dimensões se torna automaticamente capaz de variações infinitas.

Em ambos conceitos, que são diferentes aspectos da mesma verdade relativa, a Recorrência eterna parece ser não meramente possível mas bastante inevitável.