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id da página: 6952 Zaleski Entender Oração

Zaleski Entender Oração

Philip Zaleski — ORAÇÃO
  1. A história da oração é a história do impossível: de como criatura de carne e sangue assaltam o céu, falam ao Criador de todas as coisas, e esperam, com confiança e ceticismo esperançoso, uma resposta.
  2. O que é esta ação paradoxal que chamamos oração? Oração é a ação que garante a comunicação ou a comunhão entre os reinos humano e divino.
    • Oração é fala, mas mais rica que apenas a fala. É uma espécie peculiar de fala que age, e uma espécie peculiar de ação que fala às profundezas e alturas do ser.
    • A maioria das vezes, a oração parece nada mais ser que fala: louvando, pedindo a Deus; enviando mensagens para anjos da guarda e espíritos tutelares; invocando poderes cósmicos benevolentes. Mas a oração também é ato.
  3. A oração implica numa multiplicidade de formas e de metas.
  4. A oração requer expressão ritual, a prática ritual quase sempre inclui oração.
    • Pois o ritual é o teatro sagrado no qual desdobra-se eventos cruciais, tais como as benção da colheita e a iniciação em novos estágios de vida do nascimento à morte, cujo sucesso do resultado depende de um apelo aos poderes divinos.
    • Para João de Cronstadt a oração é "o alento da alma, nosso alimento e bebida espirituais".
    • Teriam os seres humanos descoberto primeiro a oração e depois desenvolvido o ritual como um meio de domar suas energias, criando trilhas bem marcadas para as massas seguirem? Ou teria o ritual vindo primeiro, dando nascimento à oração, do mesmo modo que a fala deu nascimento ao pensar?
    • Participar em um ritual é entrar no mundo da oração, e tornar um hábito a oração é abrir a porta ao ritual.
  5. A oração pode ser breve; "orações curtas penetram o céu", como afirma o autor anônimo da Nuvem do Desconhecido, que recomenda a exclamação de uma sílaba "Deus!" como a oração ideal.
  6. As orações podem ser longas, estendendo-se por meses a fio, interrompidas apenas pelas necessidades do corpo, como na vida de alguns ascetas.
  7. As orações podem ser solitárias ou comunais; em cerimônias privadas ou arenas públicas.
  8. A oração pode conduzir a Deus ou convencer de sua ausência; a oração pode abençoar e pode "morder"; "Quando os deuses querem nos punir eles respondem nossas orações", segundo Orson Welles.
  9. Segundo Kierkegaard, "a oração não muda Deus mas muda àquele que ora".
  10. Para aquele que já contemplou o assunto, a oração é um cosmo cujo centro está em toda parte, em cada coração humano, e cuja circunferência não está em parte alguma, na infinidade de Deus.
  11. A oração jaz no coração da cultura; em toda sociedade tradicional toda ação significativa começa pela oração; assim como a oração torna toda ação, significativa.
  12. As mais antigas culturas urbanas cresceram ao redor de prédios que eram essencialmente centros de culto dedicados ao sacrifício, a propiciação e a oração.
  13. As orações dominantes de uma sociedade nos revelam seus valores preeminentes.
  14. Para entender algo da oração na pré-história do homem, Zaleski busca autores como o Abbé Breuil e Alexander Marshack. Deve-se reconhecer a enorme dificuldade de se compreender este passado tão remoto, cujo legado pictográfico e de peças e utensílios parecem nos apresentar algo tão distante de nosso mundo atual.