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Sufismo

Cantos dos Pássaros

Terça-feira Outubro 7, 2025
Henry Corbin, L'Homme de lumière dans le soufisme iranien, o capítulo intitulado "Visio Smaradgina". Kubra abre seu tratado com esta doxologia característica: "Louvado seja Deus que nos ensinou a linguagem dos pássaros". Esse texto de teologia mística contém desenvolvimentos notáveis sobre ascetismo, retiro e a prática do dhikr, a oração do coração, que Kubra associa aos gritos e gemidos dos pássaros. Aqui está uma passagem impressionante sobre o "grito espontâneo" que brota do coração dos amantes quando eles se unem a Deus invocando seu Nome supremo. Eis uma tentativa de tradução: "O gemido do amante", escreve ele, "aumenta à medida que ele se alimenta dos pedaços de tristeza e bebe de suas taças, de modo que se acostuma e acaba gostando dela. Então, o grito que ele solta involuntariamente expressa seu progresso em direção a Deus, o Amado. É assim que todos os sons que saem da garganta dos pássaros se originam de um gemido profundo em suas entranhas... Da mesma forma, acontece que o peregrino atinge um estado de emoção mística tal que os gritos dos pássaros saem dele, sob o efeito do relaxamento interior, da familiaridade com Deus e da alegria que ele experimenta." Extraído do § 161 do texto em árabe. E Kubra continua dizendo que seu próprio dhikr se tornou como o canto desses pássaros. A analogia entre a invocação do coração, o dhikr esotérico no sufismo, e a linguagem secreta dos pássaros, que é sua expressão simbólica, não poderia ser mais bem enfatizada. Nesse ponto, a doutrina de Kubra está em profunda concordância com a de Ruzbehan. Veja também Ansari, Cris du cœur, trans. S. de Beaurecueil. (Stephane Ruspoli – Ruzbehan Tratado Espirito Santo)