É tão absurdo culpar os personagens históricos pelos papéis que desempenharam na história quanto culpar os personagens de um romance ou de um filme.
Não é menos absurdo culpar nossos contemporâneos no momento histórico em que nós mesmos estamos sustentando um papel.
Podemos invejar ou sentir pena daqueles que precisam representar certos papéis — isso dificilmente pode ser chamado de absurdo, embora, em última instância, nós mesmos representemos todos os papéis e sejamos a própria cena.
Se elogiar ou culpar é, evidentemente, um exemplo de falha em compreender, seriam suas extensões — “amar” e “odiar” — menos tolas?
Cócórócó
O galo em Chantecler canta com tanto orgulho porque está convencido de que é o seu canto que faz o sol nascer.
Parece que o Advaita Vedānta e o Laṅkāvatāra Sūtra demonstram que ele tem razão — que é, de fato, o seu canto que faz o sol nascer. Não chegou o admirável filósofo bispo Berkeley à mesma conclusão?
A Alcachofra — Êxtase
Toda vez que nossa consciência se encontra fora do alcance da dominação do conceito de Eu — de onde a irrealidade do ego, como de qualquer conceito, se torna evidente — uma folha é arrancada da alcachofra.
A alcachofra tem muitas folhas, e as exteriores são mais ásperas que as interiores, mas ela se torna menor a cada mordida.
Por fim, nada resta senão o coração — e esse é a Realidade.