"Os resultados das influências cuja fonte se encontra fora da vida acumulam-se nele, ele se lembra delas todas em conjunto, sente-as todas ao mesmo tempo. Elas começam a formar nele um certo todo. Ele mesmo não se dá conta claramente do que se trata; não percebe o porquê nem o como ou, então, se tenta dar-se explicações, o faz mal. Entretanto, o essencial não está nisso, mas no fato de que, ao acumular-se, os resultados dessas influências formam progressivamente nele uma espécie de centro magnético, que atrai todas as influências aparentadas e, desse modo, cresce. Se receber suficiente alimentação e se os outros lados de sua personalidade, resultantes das influências criadas dentro da vida, não oferecerem forte resistência, o centro magnético de um homem começará então a influir na sua orientação, obrigando-o a fazer uma reviravolta e até a pôr-se em marcha numa certa direção. Quando seu centro magnético adquiriu força e desenvolvimento suficientes, um homem já compreende a ideia do caminho e põe-se a buscá-lo. A busca do caminho pode consumir muitos anos e levar a nada. Depende das condições, das circunstâncias, do poder do centro magnético, do poder e direção das tendências interiores, que não estão interessadas de modo algum nessa busca e podem desviar um homem de sua meta no momento preciso em que aparece a possibilidade de atingi-la, isto é, de encontrar o caminho.
"Se o centro magnético trabalhar como deve e se o homem buscar realmente ou até mesmo se, fora de qualquer busca ativa, ele sentir de maneira justa, poderá encontrar outro homem que conheça o caminho e esteja ligado, diretamente ou por pessoas interpostas, a um centro cuja existência escape à lei do acidente e de onde provêm as ideias que formaram o centro magnético.
"Ainda aqui, há múltiplas possibilidades. Mas falaremos delas só mais tarde. Por agora, imaginemos alguém que tenha encontrado um homem que realmente conheça o caminho e esteja disposto a ajudá-lo. A influência desse homem atinge-o através do seu centro magnético. Desde então, nesse lugar, o homem está libertado da lei do acidente. Compreendamos, a influência do homem que conhece o caminho sobre aquele que não o conhece, é um tipo especial de influência, diferente das duas primeiras, antes de tudo pelo fato de ser uma influência direta e, em segundo lugar, uma influência consciente. As influências da segunda espécie, que criam o centro magnético, são conscientes em sua origem, mas depois são jogadas no turbilhão geral da vida, onde se misturam com as influências criadas pela própria vida e caem, por sua vez, sob a lei do acidente. As influências da terceira espécie escapam inteiramente ao acidente, elas próprias estão fora da lei do acidente e sua ação também está livre dela. As influências da segunda espécie podem chegar até nós através dos livros, dos sistemas filosóficos, dos rituais. As influências do terceiro gênero só podem agir diretamente de uma pessoa a outra, por meio da transmissão oral.