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musawwi

MUSAWWI = AMORFO OU HOMOGÊNEO


Amorfo ou "homogêneo" (musawwi), quer dizer não portando ainda a marca qualitativa e diferenciada do Espírito. (Titus Burckhardt)

15. al-Musawwir, o Modelador, o Artífice, pelas formas que Ele [eleva] da Poeira primordial (habâ') e pelas formas da teofania (tajallî) que Ele revela [em/para] os olhos daqueles que [são elevados] diante de tais formas da teofania e que Ele atribui a Si mesmo, quer eles as conheçam ou ignorem, quer sejam compreensíveis ou não. [Um dos 100 Nomes de Alá]


É assim que raciocina ainda Nasir-e Khosraw: toda coisa que é conhecida, toda realidade possui uma certa forma, visto que o conhecimento se define pela representação das formas na alma (tasawwur-e nafs). Uma realidade existente que não possuísse nenhuma forma seria incognoscível, ora, a forma, o ser e a realidade são intimamente solidários uns dos outros. Isto quer dizer que a realidade requer um doador das formas, um “conformador” (musawwir) que será ele mesmo livre de toda forma. Com efeito, se este conformador possuísse ele mesmo uma forma, ele precisaria por sua vez de um conformador e assim ao infinito. Se é necessário que exista um conformador último, ele deve ser privado de forma e incognoscível. A causa primeira de toda formação real é rebelde ao saber. O Um primordial é, portanto, bem sem essência, sem forma, sem coisidade. A confirmação não provém aqui da abordagem negativa, apophatica do Um. Não é apenas em sua solidão indizível que o Um repugna à forma e à distinção. É também em sua atividade instauradora. Concebe-se com efeito aqui o Um como instaurador. Se Ele é desprovido de forma, é preciso que sua operação, a instauração (ibda) não tenha nenhuma conexão com a realidade instaurada. Não se produz nenhuma conexão, nenhuma comunidade de essência entre o que é formado e cognoscível e o conformador, entre o Um-múltiplo e o Um puro. É bem por isso que foi-se distinguido mais acima três conceitos do Um. O Um puro insiste em seu real, fora de toda coisidade; esta solidão se exprime na unidade que está em condições de instaurar o universo das formas, fora de conexão. E o Um conectado exprimirá por sua vez esta instauração primordial do ser pelo Um puro, paradoxalmente livre de todo vínculo com o que Ele instaura. Assim, o Um puro não tem outra propriedade senão esta operação totalmente livre da instauração, de onde provém a existenciação das formas. Christian Jambet


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