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id da página: 1521 pneumatophore

pneumatophore

pneumatophore — portador do Espírito


Pneumatophore — portador do Espírito — homem dotado de carismas; inspirado, profeta.


Père Serge Boulgakov. LE BUISSON ARDENT, 1987

O Espírito Santo não se manifesta ao criado senão por sua ação, por seus dons. Seja sob a forma de uma «pompa» ou de «línguas de fogo» ou de um dos três anjos da visão de Abraão (aliás sem que se saiba qual), sua representação não pode evidentemente ser senão alegórica; ela não revela a sua Hipóstase. A Terceira Hipóstase não se encarna, não se faz homem. No entanto, se não há para ela encarnação, no sentido daquela do Filho, pode haver uma hipóstase criada, humana, que se torne a morada do Espírito Santo e que lhe renda a sua vida pessoal perfeitamente transparente, testemunhando a respeito de si mesma: eis a serva do Senhor. Este ser humano, a Santíssima Virgem, não é uma encarnação do Espírito, mas ela se torna o receptáculo animado e pessoal do Espírito, uma criatura que O carrega, Homem Teóforo. Se não há encarnação pneumática, pode haver uma teoforia hipostática: uma hipóstase de criatura se entrega inteiramente ao Espírito Santo e, por assim dizer, se funde Nele. Em virtude desta transparência, desta penetração perfeitas, ela se torna heterogênea a si mesma, a saber: deificada; ela é uma criatura inteiramente impregnada pela graça, «arca animada de Deus», vivendo um «templo consagrado».

Uma tal pessoa pneumatófora se distingue radicalmente do Deus-Homem, pois ela é criatura. Mas ela não difere menos também da criatura, pois ela é exaltada e colocada em comunhão com a vida divina. E a imagem de Deus no homem se realiza também por esta pneumatoforia. Convém, portanto, pensar que o ser humano da Mãe de Deus no céu, e o Deus-Homem Jesus apresentam juntos a imagem completa do homem. O ícone da Mãe de Deus com a Criança, do Logos e da criatura que, cheia do Espírito Santo, o assume, constitui por sua unidade e sua indivisibilidade a imagem perfeita do homem. O Deus-Homem e a Pneumatófora, o Filho e a Mãe, manifestando a revelação do Pai graças à Segunda e à Terceira Hipóstase, apresentam assim a plenitude da imagem de Deus no homem ou, inversamente, da imagem do homem em Deus.

Utilizando uma comparação tirada da história dos dogmas para precisar a representação da Mãe de Deus como Pneumatófora, pode-se recorrer aqui à noção de adoção, ou seja, de uma certa assimilação interior, de uma aliança da hipóstase criada e da divina. Aplicado à cristologia, o Adopcianismo foi condenado pela Igreja ocidental na Espanha no século IX, porque supunha não uma hipóstase divina em Cristo, mas duas hipóstases, uma divina, a outra humana, que se fundem em seguida em uma só segundo uma adoção. É claro que isso invalidava a doutrina eclesial, proclamada pelos concílios ecumênicos a partir do século IV. No entanto, no que diz respeito à pessoa da Mãe de Deus e à sua relação com o Espírito Santo, a ideia de uma adoção, de uma plena e inteira santificação, pode receber uma aplicação legítima, sem relação com a heresia cristológica. É em geral possível conceber a ação do Espírito Santo, conferindo ao homem a graça e o deificando, segundo o modo de uma adoção, como uma penetração mais ou menos completa da natureza humana pelo divino, como a sua compenetração viva. Esta pode se produzir em diversos graus, mas aquela que é «mais honorável que os querubins» adquire esta união com o Espírito Santo em um grau que ultrapassa toda medida. Assim, ela é a Pneumatófora no sentido próprio.