Termo empregado por S. Paulo na Epístola aos Tessalonicenses: "Sobre o amor fraternal (philadelphia) não há necessidade de vos escrever, pois aprendesteis vós-mesmos de Deus (theodidaktoi este) a vos amar (agape) uns aos outros." 1Th 4:9
Atributo dado à St. Antão
Mas o que realmente enaltece São Bernardo é o fato de seu nome, por si só, ser um título suficiente no cabeçalho de suas obras para recomendá-las. Não há nada além disso para um autor. É certo que, se há outro epíteto que lhe convém, é o de Theodidaktos, o discípulo de Deus, que vários editores lhe deram; pois o conhecimento que ele demonstra parece ser nele mais um dom de Deus do que o resultado do trabalho do homem. (OEUVRES COMPLÈTES DE SAINT BERNARD, 1866)
O enigmático Amônio Sacas, que não deixou escritos e cujas ideias são inferidas a partir das obras de seus discípulos, constituiu um elo importante na cadeia das escolas da Filosofia Perene. Após longo estudo e meditação, Amônio abriu uma escola de filosofia em Alexandria no ano 193. Seus principais discípulos incluíram tanto pagãos quanto cristãos: Herênio, os dois Orígenes, Cássio Longino e Plotino. Hierócles, escrevendo no século V d.C., afirma que sua doutrina fundamental era o ecletismo, derivado de um estudo crítico de Platão e Aristóteles. Seus admiradores atribuíam-lhe o mérito de haver reconciliado as disputas das duas grandes escolas. É considerado por alguns como um teósofo e pode talvez ser tido também como o primeiro neoplatônico. Entre outras coisas, advertia sobre os perigos de se traçar uma divisão demasiado rígida entre pagãos e cristãos. Embora fosse chamado de theodidaktos, ou “ensinado por Deus”, era um homem modesto que se considerava apenas um philalethian, ou amante da verdade. O objetivo de sua escola era a fraternidade universal, uma visão da unidade essencial de todas as religiões, e tornar o estudo da filosofia uma força viva na vida das pessoas. (Richard Temple, PETER BRUEGEL AND ESOTERIC TRADITION)
Plotino, Porfírio, Jâmblico e Siriano eram “companheiros dos deuses” (apadous theon andras) e pertenciam à tradição revelatória e soteriológica da filosofia, cujos princípios principais eram recebidos de daimonas e anjos. Homens tais eram colocados ao lado dos seres divinos e chamados de “daimônicos” pelos pitagóricos. Eram membros do coro divino, livres da sujeição ao corpo e “instruídos pelo divino” (theodidaktos). Assim, a filosofia era “enviada” juntamente com aqueles que preservavam intacta a visão pura dos deuses na procissão celeste (ou na barca solar de Osíris-Rá, para expressar o assunto em termos egípcios), que eram os agentes providenciais de Eros e os intérpretes inspirados das realidades noéticas. Eram os guardiões do poder anagógico, porque a dialética e o pensamento discursivo eram considerados aspectos necessários da ascensão. Segundo Hermeias, os verdadeiros filósofos eram almas semelhantes ao divino que derivavam sua sabedoria do domínio imaterial e depois a traduziam às almas decaídas — aquelas que deveriam fazer crescer novamente suas asas por meio do percurso completo de purificação e recordação de suas origens arquetípicas. (Algis Uzdavinys, The Golden Chain)