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Corbin Teologia

Teologia Cristã das Religiões: Xiismo como Escatologia Protestante

Quando se analisa a vasta obra de Corbin em seu conjunto, torna-se claro que ele não estava, em última instância, interessado no Islã. Não estava interessado no Islã nos termos que eram conhecidos pela maioria dos muçulmanos, ou até mesmo pela maioria dos islamicistas. Das 445 páginas de seu livro História da Filosofia Islâmica, cerca de 14 são dedicadas ao Corão, 20 ao Sunni Kalam, e outras 20 ao 'pensamento Sunni'. Menos de um oitavo do conjunto, portanto, é dedicado ao que, estatisticamente, se constitui no fulcro do pensamento religioso islâmico. Um trabalho de espantoso conhecimento, que se propõe a corrigir desequilíbrios, a História da Filosofia Islâmica parece, pelo contrário, fazer severas compensações. Estas proporções são, para não dizer mais, ainda mais extremadas em sua disparidade se considerarmos o trabalho de Corbin como um todo.

Sua defesa, pelo menos na medida em que ele se defendeu, é que o xiismo faz demandas urgentes e totais. A racionalidade convencional, que pode classificar os fatos de maneira bem diferente, é simplesmente irrelevante em tal circunstância. Neste caso, segundo Corbin, o xiismo é, por excelência, uma escatologia: 'Parece-me que a metafísica de Molla Sadra corresponde estritamente à urgência xiita, que mantém o homem em um estado de tensão e de esforço, visto que sua perspectiva é essencialmente escatológica e orientada em direção à Parousia da 'espera pelo imame'.

Deve-se dizer, contudo, que ele correlacionou esta escatologia xiita com uma certa escatologia esotérica ocidental:

A metafísica do xiismo é essencialmente, como aquela de Berdiaev, uma metafísica escatológica. Uma e outra se juntam para nos convencer de que não é tentando rivalizar com as ideologias sociopolíticas oriundas da secularização do cristianismo, que este virá a conceber e a formular uma teologia cristã das religiões.

Em resumo, a teoria de Corbin sobre o xiismo foi idêntica à sua 'teologia cristã das religiões'. Esta foi uma teologia pós-denominacional, independente, que se derramou nas fontes xiitas com um gênio para representação simpática. A cristologia de Corbin, na verdade, tornou-se indistinta das cristologias xiita e sufi. No final da sua vida, como ele escreveu explicitamente, se não com fervor, sobre aquilo que ele chamou de harmonia abraâmica, isto ficou claro para seus leitores esta indistinguível habilidade sempre foi o ponto. Isso parece condensado por sua citação de uma estrofe do poeta persa Hafiz, 'que eu tomaria alegremente como meu mote pessoal': 'Deixe que a inspiração do Espírito Santo respire mais uma vez. Outros, por sua vez, farão o que Cristo fez'. Ele não deixou nenhuma dúvida, portanto, de que estava praticando uma 'filosofia comparativa', presumindo uma filosofia visionária que transcendia as limitações convencionais. O visionário conseguiu uma unidade transcendente de fé abraâmica. E, no final, este feito ficou carregado explicitamente de importância escatológica:

O aprofundamento comparativo nos permitiria entender aquilo que têm em comum as religiões do Livro, em sua espera de um Pentecostes por vir.