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id da página: 1104 Coomaraswamy – Figuras da Linguagem – Teoria Medieval da Beleza Ananda Coomaraswamy Ananda Coomaraswamy »  Coomaraswamy Arte Rama Coomaraswamy

Coomaraswamy Teoria Beleza

Teoria Medieval da Beleza

Ex divina pulchritudine esse omnium derivatur. Santo Tomás de Aquino

Cada cosa recibe una moira tou kalou acordemente a su capacidad. Plotino, Enéadas I.6.6, líneas 32-33


  • A doutrina escolástica da Beleza e sua fundamentação na filosofia tradicional.

    • A identificação da Beleza como um nome essencial de Deus, de quem deriva o ser de todas as coisas, conforme a proposição "ex divina pulchritudine esse omnium derivatur".
    • A concepção de que cada coisa recebe uma "moira tou kalou" [porção do Belo] de acordo com a sua capacidade, segundo Plotino.
    • A Beleza como princípio de atração final, expressa na etimologia que deriva "kalos" de "kaleo" [chamar], pois "convoca todas as coisas a si".
    • A síntese da doutrina platônica do Belo absoluto, apresentada no "Banquete", com a teologia cristã, realizada por Dionísio Areopagita.
    • O comentário e a disseminação da doutrina de Dionísio por autores medievais como Ulrich Engelberti de Estrasburgo e São Tomás de Aquino.
  • A definição tomista da Beleza e seus três requisitos fundamentais.

    • A "integritas sive perfectio" [integridade ou perfeição] como o primeiro requisito, que corresponde à "orthotes" [correção] platônica e implica a precisão iconográfica e a correspondência da forma acidental com a forma substancial.
    • A "debita proportio sive consonantia" [devida proporção ou consonância] como o segundo requisito, que abrange a harmonia das partes entre si e com o todo, e a proporção da matéria à forma.
    • A "claritas" [clareza, esplendor] como o terceiro requisito, que é o brilho ou esplendor formal intrínseco à própria coisa, a "lucidez genérica" que a torna inteligível.
    • A afirmação de que "pulchra enim dicuntur quae visa placent" [denominam-se belas as coisas que agradam quando vistas], estabelecendo a relação da Beleza com a faculdade cognitiva.
    • A identidade fundamental e a distinção lógica entre o Belo e o Bom, sendo a Bondade relativa ao apetite e a Beleza à apreensão.
  • A concepção de Beleza como causa universal e sua manifestação nos seres.

    • A Beleza divina como causa eficiente, exemplar e final de toda beleza criada, da qual as belezas individuais participam por similitudo [semelhança].
    • A doutrina de que a Beleza não está dividida em participante e participado em Deus, mas é simplesmente Una, "abraçando o Todo em Um".
    • A Beleza como princípio de unidade, concórdia, amizade e comunhão entre todas as criaturas.
    • A participação até mesmo do "não-existente" – a matéria-prima – no Belo e no Bom, considerada por abstração.
    • A beleza do universo como um todo, que integra todas as belezas particulares num todo harmonioso, superior à soma das partes.
  • A relação entre Arte, Natureza e Beleza no pensamento escolástico.

    • O princípio de que "ars imitatur naturam in sua operatione" [a arte imita a natureza em sua operação], onde "natureza" significa "Natura naturans, Creatrix, Deus".
    • A concepção do artista como aquele que trabalha "per verbum in intellectu conceptum" [por uma palavra concebida no intelecto].
    • A distinção entre a "arte", que permanece no artista como "recta ratio factibilium" [reta razão das coisas a fazer], e a "obra de arte" (artificiatum), que é feita "per artem" [pela arte].
    • A noção de que o pecado artístico consiste num "desvio da ordem para o fim", podendo ser um pecado da arte em si ou do homem que a pratica.
    • A afirmação de que "a indústria sem arte é brutalidade", sublinhando a necessidade da arte para o bom uso das coisas.
  • A crítica à estética moderna e à aplicação de categorias contemporâneas à arte tradicional.

    • A incompatibilidade entre a "Einfühlung" [compaixão] ou estética sentimental moderna e a arte cristã e tradicional, que é primordialmente formal e intelectual.
    • A incapacidade do arquiteto ou artista moderno de reproduzir estilos passados, como o gótico, de forma genuína, pois a forma não está nele, resultando em falso ou caricato.
    • A defesa de que para se compreender verdadeiramente uma obra de arte, é necessário conformar o intelecto ao do artista, identificando-se com a sua consciência e intenção.
    • A rejeição do ensino da Bíblia ou da "Divina Comédia" como "literatura", pois isso esvazia o seu significado espiritual e original.
    • A crítica à separação moderna entre arte "pura" e "aplicada", e entre utilidade e significado, uma vez que na cultura tradicional "ornamento" e "decoração" são fatores integrantes e significativos da beleza e eficácia da obra.