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id da página: 4549 Martin Heidegger

Martin Heidegger

FILOSOFIA MODERNA — MARTIN HEIDEGGER (1889-1976)


Veja: EREIGNIS

Jantei com um jovem agregado em filosofia que traduz Heidegger. O debate Husserl-Heidegger. Busca-se sempre reduzir as diferenças. Husserl mais profundo, Heidegger mais sensível, mais poeta? O sentido das fórmulas em Heidegger. Esse lirismo que toca mais os franceses. Mas Husserl fez naufragar três séculos de filosofia europeia e devolveu-nos à filosofia eterna, sem que nada seja destruído da eminente dignidade da Europa.

Percebe-se bem o que todos esses jovens filósofos, após Fink, não encontram em Husserl: uma filosofia do ser, uma ontologia. Mas o ser pode ser o ponto de partida radical? Mestre Eckhart dizia: O intellectus é "superior" ao esse. Deve-se antes de tudo interrogar com Heidegger sobre o ser dos entes? Parece que se retorna sempre a essa constatação de que a passagem da unidade para a multiplicidade não é um "problema" filosófico, mas estético. Valéry viu muito bem: "É o começo de uma sabedoria ao mesmo tempo que o crepúsculo de uma filosofia." Nossos jovens críticos são sem dúvida demasiado jovens para ver que em Husserl a filosofia é em última análise ato vivido, e não apenas discurso.

O único "erro" de Husserl é, segundo minha opinião, ter partido do Eu e não do Nós. Donde a impossibilidade em que depois se encontrou de fundar a intersubjetividade. Mas essa reviravolta copernicana deve fazer-se no interior da fenomenologia, não fora dela. (Abellio, Dans une âme et un corps)