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id da página: 7672 Le Saux Jesus

Le Saux Jesus

Jesus é o Filho, Jesus é o Verbo, Jesus é a Palavra


Henri le Saux

Jesus é o Filho, Jesus é o Verbo, Jesus é a Palavra que manifesta aos homem o Si.

Desde o instante primordial de sua existência de homem, Jesus penetrou nas profundezas do Si. Ele foi de tal maneira passado em Deus desde que existiu que jamais nele houve lugar para um ahamkara, para uma “subsistência”, dizia de outra maneira a Escolástica. Seu corpo e sua alma — seu instrumento de fora, bahir karana, e seu instrumento de dentro, antaryamin — são puros órgãos de manifestação do Si, “corpo de manifestação”, diria uma teologia mahayanista. Ele só é manifestação, “epifania” de Deus, seu Filho por excelência, seu Verbo, sua Palavra.

Não é o sentido profundo das maiores fórmulas joanicas? Ego a Patre exivi, “Eu venho do Pai”... O Pai não é essencialmente em nossa perspectiva e nossa fraseologia indiana, o “Dentro”, o “Si”, onde tudo se origina, o jorrar primordial do “Si” da Deidade, da Deidade em Si? A saída de Jesus a Patre é uma vinda ao plano da manifestação, a partir do mais íntimo do Si. Ego a Patre exivi, isto quer dizer que Jesus sai de alguma maneira do Si, de Si. Hunc vos nescitis, Ele, vós, vós não o conheceis. Eu, eu o conheço, ois eu sou dele, e é ele que me enviou. O Filho nada faz que não veja fazer ao Pai. Eu e o Pai somos UM. Quem me vê, vê o Pai; Filipe, como podes dizer que não vistes o Pai, quando depois de tanto tempo eu estou contigo?

Um muçulmano hinduísta perguntava um dia a um cristão: Tivestes a experiência do Cristo? Uma tal questão não tem sentido. A experiência real do Cristo (a questão das visões imaginárias ou intelectuais nada tem a ver aqui) é inseparável da experiência do fundo do Cristo, que é o Pai.

O Introito de Natal: Jesus se despertando à existência; o despertar de sua consciência humana a o que Ele é, ao Si: o Senhor me disse: “Tu és meu Filho!”

Depois Jesus cumpre a obra e retorna ao Pai: ad te venio. “Eu sai do Pai e vim neste mundo; agora deixo o mudo e vou de novo ao Pai”.

Nas matinas da Pascoa, emfim: Resurrexi: “eu sou ressuscitado e estou ainda contigo” eu não te deixei! (Introito da Pascoa).

Jesus é o essencial Revelador do Pai: “Ninguém vem (venit, non vadit) ao Pai senão por mim”. Mas também ninguém vem a mim senão atraído pelo Pai, que atraiu dentro; atraiu a mim, e por mim a Si, dentro de Mim.

A manifestação do Si-Pai em Jesus Palavra-feita-carne constitui a obra ordenada pelo pai e contida nos Santos Evangelhos.

O Si não fala a Si no Silêncio do fundo?