Ananda Coomaraswamy: DA PERTINÊNCIA DA FILOSOFIA
A ciência é diferente do animismo só neste aspecto: enquanto a ciência supõe a existência de forças no sentido de vontades cegas, o animismo (que também é uma espécie de filosofia) personifica essas forças e atribui a elas um livre-arbítrio.
Gerardus van der Leeuw. La religion dans son essence et ses manifestations. Phénoménologie de la religion. Paris: Payot, 1970
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Concepção religiosa primitiva de "potência"
- Integração do meio ambiente e do mundo superior como "co-meio" para o ser humano.
- Percepção da santidade do entorno através de uma comunhão íntima de essência.
- Atribuição de vontade à potência, estabelecendo uma relação de mutualidade de desejos.
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A teoria animista e sua fundamentação
- Pressuposto central do animismo como encontro de duas vontades: a do homem e a do meio.
- Fundamentação psicológica a partir das experiências oníricas para a concepção da alma.
- Evidência da separação de um componente do corpo durante o sonho e a morte.
- Crença na existência post mortem da alma baseada no aparecimento dos mortos em sonhos.
- Projeção cosmológica da teoria: atribuição de alma a todos os objetos em movimento na natureza.
- Citação de Nieuwenhuis: "A personalidade própria e a vida sensível dos primitivos são o único recurso para sua observação causal coerente da natureza".
- Exemplos etnográficos de animação universal, como os habitantes da ilha de Nias e outros povos.
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Explicações animistas para a atribuição de alma a objetos
- Hipótese da debilidade mental análoga ao comportamento infantil de personificação.
- Hipótese da doença da linguagem, onde a personificação é inerente à estrutura linguística.
- Visão de Tylor e Nieuwenhuis do animismo como uma filosofia primitiva racional e coerente, baseada no princípio de causalidade.
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Críticas à teoria animista como explicação da religião
- Insuficiência em explicar a transição da alma para objeto de adoração.
- Omissão do conceito de "potência" como fundamento da adoração.
- Caráter excessivamente racionalista na concepção de alma, ignorando o elemento de fé.
- Implausibilidade histórica de primitivos filosofando sobre causas em um ambiente de luta pela existência.
- Obscuridade na relação entre espíritos dos mortos e espíritos da natureza.
- Refutação da analogia com a criança, que distingue claramente entre jogo e realidade.
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Reavaliação da importância do animismo
- O fenômeno animista como expressão de uma experiência de mundo espontânea e imediata.
- Exemplos de animismo infantil colhidos por Piaget.
- A criança que afirma: "o sol chega para aquecer o radiador".
- A criança que diz: "a lua nos segue, ela nos mostra o caminho; ela só conhece os caminhos de Genebra; em Paris, há outra lua".
- A criança que explica: "o barco é mais inteligente que a pedra".
- A experiência vivencial, como a solidão e a dependência de um arbitrário, como origem da personificação.
- Universalidade do impulso animista, presente em crianças, poetas e homens modernos.
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A relação entre animismo e dinamismo
- Rejeição da sequência cronológica (pré-animismo) entre dinamismo e animismo.
- Compreensão do dinamismo e do animismo como estruturas religiosas eternas e coexistentes.
- Exemplo do santo (animismo) versus suas relíquias (dinamismo).
- Exemplos rituais da interação entre potência e vontade.
- O camponês que grita: "Vamos, minha árvore! É a noite santa! Traga novamente muitas maçãs e peras!".
- O povo da ilha de Dobou, que fala com os inhames: "os inhames escutam... Eles crescem porque nós lhes falamos".
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A síntese de Soederblom sobre a importância do animismo
- O dinamismo revela o divino penetrando o mundo todo com uma essência sobrenatural.
- O animismo inicia o reconhecimento de uma existência espiritual como um império da vontade.
- A evolução da vontade caprichosa para uma vontade mais racional, pessoal e moral.
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O "inesperado" como característica distintiva do animismo
- O inesperado emana de uma pessoa, não de uma potência impessoal.
- Citação de Goblet d'Alviella: "Nos fenômenos da natureza, só há acaso, capricho, quando muito hábito... tudo isso provém do bom prazer desses seres; mas quem sabe se eles o quererão e o poderão sempre!".
- Valorização do arbitrário como possibilidade para o bem e para o mal, para o drama entre o homem e Deus.
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O legado cultural e religioso do animismo
- A stipulação da vontade como base para a filosofia de Platão e Kant.
- A união de vontade e figura como fundamento para a poesia e a arte de Fídias e Rafael.
- A centralidade de um deus animista, Yahvé, como pura vontade e atividade ardente.
- A encarnação suprema da atividade divina e figura humilde em Jesus Cristo.
- Citação de Chesterton sobre o medo e a adoração despertados quando o mundo natural assume uma semelhança humana: "Quando essa semelhança com um homem é real, nossos joelhos tremem".