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Astrologia

CIÊNCIAS TRADICIONAIS — ASTROLOGIA


VIDE: ASTROLOGIA E ALQUIMIA; ASTROLOGIA E ASTRONOMIA; ASTROLOGIA E CORPO HUMANO; ASTROS; CIÊNCIA ASTROLÓGICA; TIPOLOGIA HUMANA; ZODÍACO; ASTRONOESIS

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ANTOINE FAIVRE (ORG.). Cahiers de l’Hermétisme. L’Astrologie. Paris: A. Michel, 1985

Na ordem do interesse demonstrado pelos homens às doutrinas tradicionais, a Astrologia ocupa o primeiro lugar, a ponto de ter-se tornado um fenômeno de sociedade na vida de hoje. Fabulosa é a sua história, que a coloca como monumento do saber humano, transmitido de civilização em civilização até a nossa cultura ocidental, parecendo o seu crepúsculo no século XVII ter sido cada vez mais apenas o avatar de um recalque.

Não é só que a encontramos no berço da ciência da humanidade, e por longo tempo no coração da cultura; por seu edifício cosmológico, o homem encontrou-se unido ao universo e centrado na encruzilhada da religião, da ciência e da poesia. Pela grandiosa dimensão do seu espaço mensurável como pela potência de sua síntese metafísica, o seu sistema de relação serviu de código homo-analógico aos outros conhecimentos, pois alquimia, medicina, psicologia e artes divinatórias lhe emprestaram os seus modelos. Ela mesma quis ser *ars regia*, e de fato foi frequentemente considerada como o coroamento de um saber universal.

Uma revolução racionalista pôs tudo em questão; mas esta, por sua vez, é contestada por outra revolução, de ordem epistemológica, graças à qual se impõe agora um olhar novo. Mais do que estas breves considerações, a primeira contribuição de André Barbault (*Aujourd’hui l’Astrologie*) esclarecer-nos-á sobre a atualidade desta ciência tradicional.

Este Caderno comporta duas séries: « Através da história », e « Perspectivas. » Robert Amadou abre a primeira série com um estudo sobre Plotino, seguida daquele de Jean-Claude Vadet consagrado à Astrologia árabe — domínio pouco conhecido no Ocidente — e por aquele de Pierre-Georges Sansonetti sobre a presença do zodíaco na cavalaria Arturiana. É ao Renascimento, no sentido lato, que se decidiu limitar os outros elementos de nossa abordagem histórica. Esta época é aqui objeto de um trabalho de síntese, apresentado por Jean-Pierre Brach, e que nos pareceu útil ilustrar por dois belos textos: o de Henri Hunwald sobre Paracelso, publicado outrora numa publicação semiconfidencial, e o, mais recente, de James Dauphiné sobre o « Zodíaco eucarístico » no século XVI. André Barbault encerra este panorama histórico com um estudo consagrado ao pensamento de Kepler.

As considerações de André Barbault sobre a Astrologia « hoje », na segunda série, encontram um prolongamento direto com o artigo de Gilbert Durand sobre *Unus Mundus*, e sobre esta « Nova Aliança » que se desenha nas tendências epistemológicas do nosso tempo. Guy Michaud precisa a contribuição da Astrologia no que se chama as « Ciências Humanas », no tão infeliz plural e às quais se trata justamente de restituir a unidade que lhes falta. Alexander Ruperti aborda um terreno ainda mais especificamente filosófico com o que chama « a astrologia humanista e transpessoal », perspectiva que é também a da ciência ampliada de que nos fala Daniel Verney.

André Barbault e Antoine Faivre


A astrologia constitui uma visão geral e unitária da realidade, em que aspectos particulares e situações do mundo dos astros são considerados na sua relação com o mundo dos homens e em particular com o destino e as vicissitudes dos povos; tais relações não dizem respeito à possível consideração unitária de fenômenos celestes, e de factos e vicissitudes humanas, com uma intenção preponderantemente explicativo-causal, mas justificam também conjecturas sobre acontecimentos futuros e previsões proféticas.

Portanto, parecem ser dois os critérios de fundo a que obedece a complexa combinação de instâncias de conhecimento e de exigências práticas características da astrologia: antes de tudo, a convenção da unidade do cosmos, no qual não é possível separar o céu da terra, o mundo dos astros do mundo terrestre, o mundo superior do inferior; como expressão deste motivo podem recordar-se a afirmação de Aristóteles: «Este mundo encontra-se ligado de forma necessária ao movimento do mundo superior. Cada potência, no nosso mundo, é governada por aqueles movimentos» (Metereológicas, 1, 339a). Mas o mesmo conceito fora expresso, antes de Aristóteles, por Platão que no Timeu havia dado particular destaque aos estritos vínculos que percorrem, no seu conjunto, todo o universo. Nem Platão nem Aristóteles, neste ponto, exprimiam pontos de vista pessoais; quando muito, davam uma tradução conceptual a uma convicção do pensamento grego derivada da tradição oriental. Para a nossa formação moderna, habituada pelo desenvolvimento da mentalidade científica a encarar todos os aspectos da realidade na sua distinção, a consideração unitária do universo transformou-se em pouco mais do que uma simples expressão; mas nas civilizações orientais em seguida na civilização grega e helenística a visão unitária do universo correspondia a uma exigência real de unificação dos conhecimentos e, mais ainda, a um critério de continuidade na consideração da realidade. O segundo critério em que a astrologia se inspira diz respeito mais propriamente ao interesse pelas grandes vicissitudes históricas, a convicção de que elas não são casuais e que cada uma se encontra estritamente ligada à estrutura do universo, cujo conhecimento pode colocar o homem em condições de influir sobre o desenvolvimento do futuro; é uma aspiração prática e ativa que assim se exprime, de participação na formação dos grandes acontecimentos da história, uma forma embrionária e originária de formular a exigência de uma racionalidade da história, de uma resposta dela às aspirações do homem. (Excertos de Mario Del Pra, EINAUDI)


GURDJIEFF: RBN I-23ASTROLOGIA (em inglês)

Embora o observatório que me interessou não estivesse ainda totalmente terminado, no entanto observações da visibilidade exterior das concentrações cósmicas podiam ser feitas dele, e os resultados procedentes delas e a ação recíproca destes resultados podiam ser estudados.

Aqueles entes que eram ocupados com tais observações e estudos eram chamados, naquele período da Terra, «Astrólogos».

Mas quando posteriormente essa doença psíquica deles chamada presunção se tornou finalmente fixada aí, devido à qual estes especialistas deles também «definharam e reduziram» e se tornaram especialistas somente em dar nomes a concentrações cósmicas remotas, eles vieram a ser chamados «Astrônomos».

Assim, como a diferença em significância e sentido, em relação aos entes circundantes, entre aqueles dentre os entes tricerebrais que te interessam que neste tempo eram tais profissionais, e aqueles que têm agora, como tal, a mesma ocupação, pode te mostrar, por assim dizer, «a obviedade da firme deterioração do grau de cristalização» dos dados engendrando a «mentação lógica sã», que deveria estar presente nas presenças comuns de teus favoritos como entes tricerebrais, acho necessário te explicar e te ajudar a ter uma compreensão aproximada desta diferença, que está também mudando para o pior.

Nesse período, estes entes tricerebrais terrestres, já de idade responsável, que os outros chamam «Astrólogos», além de fazer as ditas observações e investigações de várias outras concentrações cósmicas segundo um propósito de um maior, por assim dizer «detalhamento», daquele ramo de aprendizado geral do qual eram representantes, preenchiam várias adicionais obrigações definidas de essência tomadas sobre eles mesmos para com os entes circundantes similares a eles mesmos.

Entre suas obrigações definidas fundamentais havia aquela que eles também, como nossos Zerlikners, tinham que aconselhar todos os pares conjugais em seus como então chamados «acasalamentos», de acordo com os tipos daqueles pares, sobre o tempo e a forma do processo do sagrado «Elmooarno» com o propósito de uma concepção desejável e correspondente de seus resultados, e quando tais resultados fossem atualizados, ou, como eles dizem, «recém nascidos», eles tinham que traçar seus «Oblekioonerish» que é o mesmo que o que teus favoritos chamam «horóscopos»; e mais tarde eles mesmos ou seus substitutos tinham — durante todo o período da formação do recém nascido para uma existência responsável e de sua existência subsequente — de guiá-los e de dar indicações correspondentes com base no dito Oblekioonerish e também com base nas leis cósmicas, constantemente explicadas por eles, fluindo das ações dos resultados de outras concentrações cósmicas grandes em geral sobre o processo de existência esseral dos entes sobre todos os planetas.

Estas indicações deles, também seus, por assim dizer, «conselhos de alerta» consistiam no seguinte:

Quando uma função se tornava desarmonizada ou somente começava a ser desarmonizada na presença de qualquer ente de seu rebanho, então este ente estando dedicado ao Astrólogo de seu distrito, o qual, com base no dito Oblekioonerish feito para ele, e com base nas mudanças esperadas, de acordo com seus cálculos, no processo procedendo na atmosfera, fluindo por sua vez da ação de outros planetas de seu sistema solar, indicava justamente o que tinha que fazer a seu corpo planetário, em que períodos definidos dos movimentos Krentonalniano de seu planeta — como por exemplo, em que direção deitar, como respirar, que movimentos preferencialmente fazer, com que tipos evitar relações, e muitas outras coisas da mesma espécie.

Em adição a tudo isto, eles designavam para os entes no sétimo ano de sua existência, da mesma forma com base nestes Oblekioonerishes, parceiros correspondentes do sexo oposto para o propósito de preencher um dos principais deveres-esserais, qual seja, a continuação da raça, ou como teus favoritos diriam, eles designavam para eles «maridos» e «esposas».