Barzakh
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A Metafísica do Barzakh Supremo
- A unidade e imutabilidade do Ser divino em contraste com a agitação e transformação constante das coisas existentes.
- A origem da agitação cósmica na relação entre Deus e o nada, mediada pelo Barzakh Supremo.
- A distinção entre o Barzakh Supremo e o barzakh correspondente à alma no microcosmo.
- A identificação do Barzakh Supremo com a Imaginação Indelimita, o Nuvem, o Sopro do Misericordioso, o Real por Quem a Criação Ocorre, a Realidade Universal, a Natureza e a Realidade do Homem Perfeito.
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A Doutrina da Nuvem (al-‘Amā’)
- A interpretação do hadith profético "Onde estava nosso Senhor antes de criar as criaturas?" como uma indicação da Nuvem.
- A Nuvem como uma realidade diferente das nuvens ordinárias, não sendo controlada pelo ar, mas apenas por Deus, por ser a coisa existente mais próxima d'Ele.
- A negação do "antes" como um tempo, mas como uma relação para facilitar a compreensão do ouvinte.
- As cinco "vindas a ser" (kaynūna) de Deus mencionadas por Ibn Arabi: na Nuvem, no Trono, no céu, na terra e uma vinda a ser inclusiva, com as coisas existentes.
- A Nuvem como a Imaginação Indelimita que dá forma a todas as coisas geradas e é chamada de "Manifesto" de Deus.
- A configuração da Nuvem dentro do Sopro do Misericordioso, cuja raiz é a propriedade do amor divino expressa no hadith "Eu era um Tesouro Escondido e amei ser conhecido".
- A função do Barzakh como intermediário que compartilha os atributos de Deus e do nada, permitindo que Deus assuma os atributos das criaturas e vice-versa.
- A incapacidade da faculdade racional de compreender a natureza do Barzakh sem auxílio externo, exigindo o recurso à imaginação.
- A corporificação de significados sem forma, como o conhecimento na forma de leite, na Presença da Imaginação.
- A manifestação de espíritos em formas corporais, como Gabriel na forma de Dihya, na imaginação desconexa.
- A identificação da Nuvem com a substância mutável dentro da qual o cosmos assume forma, sendo o cosmos uma coleção de formas "imaginadas" que se transformam constantemente.
- A afirmação de que o cosmos é um acidente vanishing, cuja propriedade dominante é a evanescência, conforme o Alcorão "Tudo perecerá, exceto a Sua face" e o verso de Labīd "Não é tudo além de Deus irreal?".
- A substância imutável como a Nuvem, idêntica ao Sopro do Misericordioso, sendo o cosmos as formas que nela se manifestam, tal como as formas vistas em um espelho.
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A Doutrina do Sopro do Misericordioso (Nafas al-Rahmān)
- A origem da expressão em dois hadiths que associam o Sopro ao conforto e alívio.
- A analogia entre o Sopro do Misericordioso e o sopro humano para explicar o processo criativo.
- Cada criatura como uma palavra (kalima) de Deus, baseada no versículo que descreve Jesus como "Sua palavra que Ele lançou em Maria" e na infinitude das "palavras de Deus".
- O amor mútuo entre Deus e as criaturas: o amor de Deus originado na visão das criaturas dentro de Si mesmo como um Tesouro Escondido, e o amor das criaturas originado na audição do comando "Seja!".
- A criação das coisas existentes através do discurso divino, resumido no comando "Seja!" dirigido a cada coisa em sua não existência.
- A analogia cosmológica entre as vinte e oito letras do alfabeto árabe que se manifestam no sopro humano e as vinte e oito "letras" básicas da existência que se manifestam no Sopro do Misericordioso.
- A correspondência de cada letra cósmica a um modo específico de manifestação do Ser e a um Nome divino específico.
- A manifestação do cosmos a partir do Sopro, análoga à extensão do sopro humano do coração à boca, com a letra hā manifestando-se primeiro e a wāw por último.
- A limitação dos gêneros do cosmos, mas a infinitude de seus indivíduos, pois a causa secundária de sua existência nunca cessa.
- Os lugares de articulação das letras como correspondentes às preparações (isti'dād) das entidades imutáveis.
- O Sopro como a definição da inter-relação dinâmica entre Deus como o Não-Manifesto (al-Bātin) e Deus como o Manifesto (al-Zāhir).
- A afirmação de que "as letras não são outras que o Sopro, nem são o mesmo que o Sopro", assim como "a palavra não é outra que as letras, nem é a mesma que as letras".
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A Doutrina do Alívio pela Misericórdia
- A divisão da misericórdia (rahma) em dois tipos básicos: a misericórdia essencial e abrangente (al-rahmān) e a misericórdia específica e obrigatória (al-rahīm).
- A misericórdia abrangente como a própria existência, um dom gratuito para toda criatura.
- A atribuição do Sopro Divino ao nome "O Misericordioso" porque Ele abrange todas as coisas através dele, e porque a misericórdia "precede a ira" de Deus, garantindo o retorno final de tudo à misericórdia.
- A misericórdia como repouso, alívio (tanfīs) e facilidade (rāha).
- O Sopro do Misericordioso como o meio pelo qual Deus alivia o sofrimento (karb) dos Nomes divinos, que desejavam manifestar seus efeitos, e das entidades imutáveis, que ansiavam pela existência.
- A não existência identificada com angústia e constrição (dīq), sendo o Sopro a eliminação dessa propriedade.
- O homem, por ser criado sobre a Forma Divina, encontra a constrição intolerável e é aliviado pelo Sopro Misericordioso, que é idêntico à existência do cosmos.
- A motivação da criação no amor divino expresso no hadith do Tesouro Escondido: "Eu amei ser conhecido".
- A criação como um ato de munificência (jūd) de Deus, permitindo que o cosmos O conheça, ainda que esse conhecimento seja saber que Ele não pode ser plenamente compreendido, conforme a afirmação de Abu Bakr: "A incapacidade de atingir a compreensão é, em si mesma, compreensão".
- A extensão da misericórdia que "abrange todas as coisas" a todo o cosmos, infinitamente.
- A primeira forma assumida pelo Sopro do Misericordioso sendo a Nuvem, um Vapor Misericordioso que é a própria misericórdia.
- A necessidade de uma manifestação do Real, a Nuvem, para que as formas do cosmos possam se manifestar.
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O Real por Quem a Criação Ocorre (al-Haqq al-Makhlūq bihi)
- O termo como sinônimo da Nuvem ou do Sopro do Misericordioso, derivado dos versículos corânicos que afirmam que os céus e a terra foram criados "pelo Real" (bi’l-haqq).
- A abertura da Forma divina dentro da Nuvem para a criação dos níveis e entidades do cosmos.
- A Nuvem como uma respiração (nafkh) no Ser do Real, através da qual a criação toma forma dentro do Real.
- A propriedade da Nuvem de ser Não-Manifesta no Soprador e Manifesta quando se torna manifesta, sendo assim o Primeiro no Não-Manifesto e o Último no Manifesto.
- A Nuvem como o primeiro objeto sobre o qual a questão "Onde?" (ayn) pode ser colocada, sendo a origem dos receptáculos espaciais e níveis ontológicos.
- A recepção, pela Nuvem, da realidade do "onde", da contenção do lugar (zarfiyyat al-makān) e do nome de lócus (mahall).
- O tawhīd do Real, declarado no versículo "Exaltado seja Deus, o Rei, o Real! Não há deus senão Ele, o Senhor do Trono Nobre".
- A manifestação do cosmos somente dentro do Sopro do Misericordioso, que é a Nuvem, tornando-se assim o Real por Quem a Criação Ocorre.
- A receptividade do Real por Quem a Criação Ocorre como um recipiente que traz à existência tudo o que inclui, em uma hierarquia sábia (al-tartīb al-hikamī), para testemunhar o que estava oculto.
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A Realidade Universal (al-Haqīqah al-Kulliyyah)
- A Realidade Universal, ou Realidade das Realidades (Haqīqat al-Haqā'iq), como a esfera de inteligibilidade de todas as coisas, trazendo juntas todas as realidades.
- Sua natureza de não ser existente nem não existente, nem eterna nem temporalmente originada, mas eterna no eterno e temporalmente originada no temporalmente originado.
- A impossibilidade de conhecê-la desengajada da forma através de demonstração lógica.
- A identificação da Realidade Universal com a raiz de todas as coisas existentes, a Esfera da Vida (Falak al-Hayāh) e o Real por Quem a Criação Ocorre.
- A sua inclusão entre os quatro objetos do conhecimento: Deus como Essência, o cosmos, o ser humano e a própria Realidade Universal.
- A sua capacidade de aceitar todas as descrições: se dito que é o cosmos, ou não é o cosmos, ou é o Real, ou não é o Real, tudo está correto.
- A sua manifestação na pluralidade das coisas individuais do cosmos e na incomparabilidade de Deus.
- O compartilhamento de nomes entre Deus e a criatura sendo, na verdade, uma atribuição à Realidade Universal que os reúne.
- A interpretação do hadith "Todas as verdades (haqqs) têm uma realidade" como uma referência à única Realidade Universal à qual toda coisa real se relaciona.
- A analogia com conceitos inteligíveis como a brancura em toda coisa branca ou a retangularidade em toda coisa retangular, que mantêm sua essência independentemente do sujeito que qualificam.
- A Nuvem como idêntica à Realidade Universal, possuindo imutabilidade eterna, não sendo voltada por "ares" (ahwā’, caprichos).
- A descrição da Nuvem como divina (waṣf ilāhī) quando atribuída ao Real, e como gerada (waṣf kawnī) quando atribuída ao cosmos.
- O exemplo da Palavra de Deus, que é eterna em si mesma, mas é descrita como temporalmente originada para aquele a quem é revelada, ilustrando o princípio da Realidade Universal.
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A Doutrina da Natureza (al-Tabī'ah)
- A identificação da Natureza como um sinônimo do Barzakh Supremo, relacionando a cosmologia de Ibn Arabi à tradição filosófica.
- A Natureza em seu sentido primário como a "mãe mais alta e maior" do cosmos, receptiva aos efeitos dos Nomes divinos, idêntica à Nuvem.
- A sua ausência de entidade na existência e na imutabilidade, sendo conhecida apenas pelos seus efeitos.
- A Natureza como mais digna de ser atribuída ao Real do que qualquer outra coisa, pois tudo mais se manifesta naquilo que se manifesta a partir dela.
- A visão de alguns filósofos que colocam a Natureza em um nível abaixo da Alma e acima da Hile (Matéria Prima) como referente a uma "segunda Natureza", filha da primeira, que atua no mundo dos corpos corporais translúcidos.
- A relação da Natureza com o Real como a da fêmea em relação ao macho, sendo o lócus da manifestação das entidades dos corpos corporais.
- O erro de atribuir o engendramento diretamente à Natureza, esquecendo-se de Deus, conforme o versículo "Fizeram-se esquecer por Deus, então Ele os fez esquecer de si mesmos".
- A dependência da existência gerada tanto do Comando Divino (ativo, masculino) quanto da Natureza (receptiva, feminina).
- As propriedades mais específicas da Natureza sendo as "quatro naturezas": calor, frio, umidade e secura, sendo duas ativas e duas receptivas.
- A oposição (tadādd) e aversão mútua (tanāfur) inerentes às quatro naturezas como a fonte do conflito e corrupção no mundo da composição.
- A origem dos males no mundo da criação a partir da Natureza, e do bem a partir do Espírito Divino (Mundo do Comando).
- A diversidade de graus de existentes, desde os mais sutis e luminosos (anjos) até os mais densos, de acordo com a proximidade ou distância em relação à Natureza pura.
- A afirmação de que "o ser gerado é apenas imaginação, mas, na verdade, é o Real" como a chave para os mistérios do Caminho espiritual.
- A perplexidade final como a mais alta percepção da Realidade, a "incapacidade de compreendê-La", que deve orientar a busca pelo conhecimento para as revelações divinas (Alcorão e Hadith).