Carregando...
 
Skip to main content
id da página: 383 William Chittick – Caminho Sufi do Conhecimento – Incomparabilidade e Similaridade

Chittick SPK Tanzih Tasbih

Incomparabilidade e Similaridade

  • A dicotomia da incomparabilidade (tanzih) e da similaridade (tashbih)
    • A oscilação entre a Essência e o cosmo na discussão dos nomes divinos, que atuam como um barzakh.
    • A impossibilidade de qualquer nome denotar a Essência, por Deus estar além de todas as coisas.
    • O dito: "Ninguém conhece Deus senão Deus".
    • Cada nome divino e de coisa gerada denotando Deus, por Ele ser a única Realidade.
    • A alternância entre os dois pontos de vista como o único caminho para o verdadeiro conhecimento de Deus e da criação.
    • A incomparabilidade (tanzih), vinda da raiz n.z.h., significando a declaração de que Deus transcende os atributos das criaturas.
    • A similaridade (tashbih), vinda da raiz sh.b.h., significando a afirmação de que há semelhança entre Deus e a criação.
  • A perspectiva do Kalam e dos teólogos
    • O empréstimo dos termos "incomparabilidade" e "similaridade" do Kalam.
    • A crítica dos teólogos à similaridade como uma posição herética.
    • As referências a Deus no Corão e no Hadith, como mãos, olhos e pés, sendo interpretadas pelos teólogos como não similares aos atributos humanos.
    • A fórmula adotada de que o que o Corão diz sobre Deus é verdadeiro, mas não se deve perguntar "como" (kayf).
  • A visão de Ibn Arabi sobre incomparabilidade e similaridade
    • A incomparabilidade derivando necessariamente da Essência e a similaridade do "Nível da Divindade".
    • O conhecimento de Deus sendo real, ainda que incompleto e parcial, e útil para a adoração.
    • A impossibilidade de a Essência do Real se unir à coisa possível em qualquer atributo.
    • A citação de Ibn Arabi: "é impossível que a Essência do Real se junte (ijtima) com a coisa possível em qualquer atributo" (I 271.20).
    • O compartilhamento de terminologia (ishtirak fi'l-lafz) entre Deus e a criatura, mas não de essência.
    • A distinção entre a similaridade com as coisas corpóreas (ajsam) e com os significados gerados temporalmente (al-ma'ani al-muhdatha).
    • A afirmação de que Deus tem nomes que O declaram incomparável e nomes de atos que O declaram similar.
    • A similaridade e a incomparabilidade se unindo em Deus, que é a "coincidência de todos os atributos contrários".
  • A crítica aos pensadores racionais
    • A falha dos racionalistas (proponentes do Kalam e falasifa como Avicena) em combinar incomparabilidade e similaridade.
    • O excesso de ênfase na incomparabilidade por parte dos racionalistas, ignorando a imaginação.
    • A razão ('aql) querendo negar atributos de Deus que não parecem apropriados à sua própria definição de Divindade.
    • A interpretação (ta'wil) dos termos revelados pelos racionalistas.
    • A necessidade de ambos os pontos de vista para se compreender a mensagem das escrituras.
    • A razão apreendendo a unicidade e a transcendência de Deus, e a imaginação percebendo a multiplicidade de Seus autodesvelamentos e Sua imanência.
    • A combinação dos dois pontos de vista só sendo alcançada pela inspiração de Deus.
  • O conceito de temor a Deus (taqwa) e o conhecimento por "degustação" (dhawq)
    • A citação do Corão: "Sejam tementes a Deus (taqwa), e Deus os ensinará" (2:282).
    • O temor a Deus como um termo técnico importante que leva ao "degustação" (dhawq) direto ou ao "desvelamento" (kashf) das realidades.
    • A distinção entre o conhecimento verdadeiro (que combina similaridade e incomparabilidade) e os perigos de se enfatizar um lado sobre o outro.
  • Passagens representativas sobre a incomparabilidade (tanzih)
    • A definição de tanzih como a descrição do Real como não tendo conexão com os atributos das coisas geradas temporalmente.
    • A visão de que a declaração de incomparabilidade é medida pelo próprio nível de quem a declara.
    • A identificação da declaração de incomparabilidade com o conceito corânico de glorificação (tasbih).
    • A citação corânica: "Glória seja a Deus acima do que eles descrevem!" (23:91, 37:159), e "Eles dizem: 'Ele tomou um filho,' Glória seja a Ele!" (10:68).
    • A declaração de incomparabilidade como uma negação de atributos e não um louvor (thana') por uma qualidade positiva.
    • A declaração de que a glorificação por todas as coisas é o louvor de Deus, pois tudo declara que Ele é incomparável consigo mesmo.
    • A preservação do cosmo por Deus para que o louvor d'Ele continue na língua das coisas geradas temporalmente.
  • Passagens representativas sobre a similaridade (tashbih)
    • O amante sincero sendo aquele que se move para os atributos do amado, não o que traz o amado para seus próprios atributos.
    • A citação de Ibn Arabi de Deus descendo à nós: "Ele desceu para nos receber alegremente... regozijando-se com nosso arrependimento... maravilha-se com o jovem que carece de desejo sensual... e coloca-Se em nossas paradas" (II 596.6).
    • A atribuição a Deus de qualidades como "regozijo" e "risos" como um dos frutos do amor.
    • A acusação de descrença pelos juristas (fuqaha) e autoridades (ulu'l-amr) a quem fala de Deus como os profetas.
    • A inveja dos "estudiosos exotéricos" ('ulama al-rusum) que não têm o conhecimento por "degustação" e "beber" (dhawq).
    • A crítica aos Ash'aritas por interpretarem (ta'wil) os termos revelados e passarem de uma similaridade com coisas corpóreas (ajsam) para uma similaridade com significados gerados temporalmente (al-ma'ani al-muhdatha).
    • A importância do sentido aparente e literal dos termos corânicos, mesmo para os nomes divinos de similaridade.
    • A citação de Ibn Arabi: "Nada é como Ele, e Ele é o Ouvinte, o Vidente" (42:11).
    • A similaridade de Deus com as criaturas em Seus atributos, mas a incomparabilidade com Sua Essência.
    • A atribuição a Deus de atributos de "engano" e "burla", pois eles pertencem à Sua raiz, não sendo Ele descrito por coisas geradas temporalmente.
    • A crença de que os atributos manifestos nas coisas geradas, que os estudiosos exotéricos creem que pertencem ao servidor, na verdade, retornam a Deus.
  • A combinação de incomparabilidade e similaridade
    • O versículo "Nada é como Ele, e Ele é o Vidente, o Ouvinte" como a prova corânica de que Deus combina os atributos de incomparabilidade e similaridade.
    • A razão (aql) trazendo a metade do conhecimento de Deus, a declaração de incomparabilidade, enquanto o Legislador (Lawgiver) trouxe notícias de Deus afirmando o que a razão negou.
    • A perplexidade (hairah) das faculdades racionais, sensoriais e imaginativas diante da combinação dos dois pontos de vista.
    • A crítica aos "homens da interpretação" (ahl al-ta'wil) por não serem perplexos e por ignorarem o que as escrituras dizem sobre Deus, preferindo a razão à fé.
    • O aviso de Deus ao Seu Si: "Deus os adverte sobre Seu Si, e Deus é Clemente para com os servidores" (3:30).
    • A misericórdia de Deus em proibir a reflexão sobre Sua Essência, pois Ele sabe que a faculdade reflexiva cairia no erro de negar atributos que Ele mesmo afirmou.
    • As diversas doutrinas dos "homens da consideração" (mutakallim) sobre a Essência de Deus, que desobedeceram a Deus e a Seu mensageiro.
    • A contradição do "racional" com a Lei, que menciona atributos de Deus como "vir", "descer", "sentar", "regozijo", "risos", "mão", "pé".
    • A ignorância da natureza exata da atribuição, mas a certeza de que a realidade dos atributos não muda.
    • O homem de conhecimento e fé ('alim mu'min) que para nas palavras e seus significados e não tem o conhecimento da atribuição ao Real.
    • A afirmação de que Deus Se descreveu como Ele é, com atributos de inaccessibilidade, grandeza, invencibilidade, tremendidade e a negação de similaridade, assim como com atributos de "esquecimento", "engano", "malícia", "artimanha", "regozijo", "companhia" e "anseio".
  • O erro do "se tornar similar" (tashabbuh)
    • A crítica de Ibn Arabi à noção dos filósofos de "se tornar similar" a Deus.
    • A impossibilidade de se tornar similar a alguém, pois se um atributo existe em alguém, ele já o possui por sua predisposição (isti'dad).
    • A negação de que o servidor se torne similar ao Senhor, pois isso anularia as realidades.
    • A afirmação de que o servidor se adorna apenas com o que ele mesmo possui e que o Real se manifesta no que Ele possui.
    • A existência do cosmo para que ele possa conhecer a Deus.
    • O conhecimento de Deus vindo ou pela "concessão de conhecimento" (ta'rif) de Deus, ou pela faculdade da reflexão.
    • O homem que combina similaridade e incomparabilidade tendo o conhecimento divino.
    • A declaração de que cada um dos três grupos (incomparabilidade, similaridade, e ambos) possui um conhecimento de Deus, pois ninguém é ignorante d'Ele.